foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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26 de junho de 2013

FILIPE MUKENGA (MÚSICA) - ERNESTO LARA FILHO (POEMA)






Picada de Marimbondo

          (Para o Pila – companheiro de infância)

Junto da mandioqueira
perto do muro de adobe
vi surgir um marimbondo

Vinha zunindo
cazuza!
Vinha zunindo
cazuza!

Era uma tarde em Janeiro
tinha flores nas acácias
tinha abelhas nos jardins
e vento nas casuarinas,
quando vi o marimbondo
vinha voando e zunindo
vinha zunindo e voando!

Cazuza!
Marimbondo
mordeu tua filha no olho!

Cazuza!
Marimbondo

foi branco que inventou...

Ernesto Lara Filho 

Biografia:


Poeta angolano, Ernesto Pires Barreto de Lara Filho nasceu a 2 de novembro de 1932, em , Angola. Era irmão da escritora Alda Lara.
Depois de concluir o ensino secundário, escolheu Portugal para continuar a sua formação académica, tendo terminado, em 1952, o curso de regenteagrícola, na Escola Nacional de Agricultura de Coimbra.
Deambulando por vários países da Europa, trabalhou muitas vezes em restaurantes e na construção civil, como operário, para fazer às dificuldadeseconómicas.
Depois de uma estadia mais prolongada por terras da contracosta africana, em Moçambique, regressou a Angola.
Fixando-se em Luanda, aí exerceu o jornalismo, paralelamente com a sua atividade de quadro especializado dos serviços de Agricultura e Florestas deAngola.
Jornalista prestigiado, assinou diversas reportagens e crónicas no Jornal de Angola, na página "Artes e Letras" do jornal A Província de Angola, no Diário deLuanda, no ABC, na revista Mensagem da CEI (Casa dos Estudantes do Império) e na revista Cultura(II).
Antes da independência do seu país, foi preso pela PIDE (Polícia Política de Intervenção do Estado) devido à sua atividade política e cultural de apoio aomovimento independentista, apoio esse bem patente na sua escrita jornalística e literária.
Em colaboração com Rebello de Andrade, dirigiu a Coleçcão Bailundo da qual foram publicados três livros de poesia.
Tendo sido extinta pela mão repressiva do regime colonial a revista Mensagem (1951-1952), não foi destruído, contudo, o desejo de continuar a dar voz àsmanifestações de carácter nacionalista. Então fechadas as janelas abertas pelos "mensageiros" outras se abriram, de imediato, através da criação darevista Cultura II, publicada entre 1957 e 1961 e da qual foram publicados doze números.
Na verdade, esta geração, conhecida como a "Geração da Cultura", vai retomar e aprofundar as temáticas empenhadas dos seus antecessores,continuando a denúncia da escravidão e da miséria.
Integrado nesta corrente, Ernesto Lara Filho, como muitos outros intelectuais angolanos seus contemporâneos, vai constituir-se como um importante pilarna luta contra o domínio colonial.
Preocupado e empenhado com os problemas da sua terra, cada vez mais agudizados, o autor entende ser necessário criar as condições para que todospossam, através da palavra literária, do estudo, da análise e da crítica, equacionar a realidade angolana.
Através de uma escrita eufemística e caracterizada por uma simbiose do português padrão e do português dos musseques, Ernesto Lara Filho vaiconstruindo um edifício literário, assente nas traves mestras da angolanidade, enquanto produto de uma cultura viva e que vive das tradições africanas.
O reconhecimento da sua obra é consagrado pela presença de muitos dos seus textos em diversas antologias literárias, publicadas entre 1957 e 1976,entre as quais destacamos Antologia da Poesia Angolana (1957); O Corpo da Pátria - Antologia Poética da Guerra do Ultramar,1961-1971 (1971) e No Reinode Caliban. Antologia Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa (1976).
Poeta cofundador da União dos Escritores Angolanos, escreveu os seguintes títulos: Picada de Marimbondo(1961); O Canto de Martrindinde e OutrosPoemas Feitos no Puto (1964); Seripipi na Gaiola(1970); O Canto de Martrindinde (compilação das três obras anteriores, 1974).
As suas crónicas jornalísticas foram compiladas em 1990 sob o título Crónicas da Roda Gigante.
Um brutal acidente de viação, no Huambo, roubou-lhe a vida a 7 de fevereiro de 1977.

(Biografia retirada de http://www.infopedia.pt

1 comentário:

António Eduardo Lico disse...

Trata-se de uma bela poesia.
Abraço.