foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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22 de junho de 2013

BAÍA AZUL DE TOMBWA - ONDE NASCI


Baia de Tombua, vista de satélite.



1 –
Azul o céu e o mar a desfraldar
seda, flâmula de garroa.
A cristalina lucidez de pérolas
e calemas bailam turquesas
nos dedos marinhos do vento
e a minha alma é um búzio
assobiando um tempo perdido
a crepitar pela baía lápis-lazúli
vogando rendas e saudades do Sul
na asa e voo livre dos garajaus,
lenços mansos acenando gritos
enquanto as toninhas dançam
na tarde amena da baía azul
Tômbwa-Welwitschia a crescer
vento, peixe, mar e saudade
no peito, coração dolente,
de um cabeça-de-peixe ausente!


2 –
Eram as tardes brilhando massembas
no crespo bailado de diamantes,
safiras e turquesas bailando...
e a baía era uma caixinha de música
cantando uma mística cantiga
abotoada de mitos e silêncios
enquanto o Sol, pitanga amadurecida
no quintal da minha infância,
descia mangonheiro até a tardinha
vestir negros veludos sedosos
para depois descançar no braço
prateado a gritar na Ponta Albina
num derradeiro abraço à cidade
das loucas casuarinas baloiçando
um mar verde sobre o deserto
árido de um cacimbo cristalizado.


3 –
Rasgam os ventos frios do Norte
esta saudade quase de morte...
Rasgam os ventos espúrios
perfumes que o tempo não filtrou,
nem a alma alguma vez esqueceu...
Azul, a baía, de braço dourado,
braço dado ao céu e ao vento
clamando o beijo Kuroka ao mar
da mansa fartura quotidiana.
Ah! O mar, suave safira do sul,
aberto ao Sol do deserto amarelo
e sobre as águas traineiras a cantar
à flor-renda hialina das manhãs,
de ventos soprando leste ou cacimbos
mas sempre o vento, filho do tempo,
a soletrar o perfume de peixe
enchendo os dias de tonalidades
ácidas de um tempo-vida e felicidade.



Namibiano Ferreira

3 comentários:

António Eduardo Lico disse...

Bela poesia João.
Abraço.

cirandeira disse...

Que poema lindo!, remeteu-me a um tempo longínquo, encheu meu peito de uma saudade tão profunda, que por um momento naveguei naquele barco que não tem retorno...!
És um poeta, e tantos, tantos!!!

Kandandu

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Obrigado, meus amigos.
Humilde, o poeta agradece