foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

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10 de março de 2015

A REACÇÃO AO LIVRO: “Ascensão de Angola, da Guerra a Potência Regional”




O jornal britânico Financial Times apelidou este sábado que Angola é uma “cleptocracia” dominada por uma elite que ignora os problemas da população e que é aceite “como parte integrante do sistema ocidental”.
O artigo intitulado “Why the west loves a kleptocrat” (Por que o Ocidente adora um cleptocrata) analisa o livro Magnificent and Beggar Land: Angola Since the Civil War (Terra magnífica e pedinte: Angola Desde a Guerra Civil), do investigador Ricardo Soares de Oliveira, professor de Política Comparada na Universidade de Oxford.
O texto começa por argumentar que “mesmo para os padrões dos Estados petrolíferos, Angola é quase ridiculamente injusta”, afirmando que “os oligarcas deixam gorjetas de EUR 500 (USD 542) nos restaurantes da moda em Lisboa, enquanto cerca de uma em cada seis crianças angolanas morre antes de chegar aos cinco anos”.
“No entanto, esta cleptocracia com poucos estudos é aceite como parte integrante do sistema ocidental. Os expatriados fazem a economia angolana mexer. Os oligarcas angolanos habitam no luxo das escolas públicas britânicas, dos gestores de activos suíços, das lojas Hermès, etc”, lê-se.
soares-angola-final-webA publicação tem como base os dados apresentados por Ricardo Soares de Oliveira no seu segundo livro, que analisa o estado país desde 2002, com o fim da guerra, onde “algumas famílias de raça mista” passam a dominar o sector político e social. Os dirigentes pertencem “em grande parte a umas quantas famílias de raça mista da capital, Luanda, que considera os cerca de 21 milhões de angolanos negros do mato ou dos musseques pouco civilizados e tem pouco desejo de os educar”. O autor do livro garante que “os angolanos continuam a ser dos menos educados e das pessoas menos saudáveis ​​do mundo”. Facto que, segundo o livro, não incomoda o Governo.
“Os governantes contratam estrangeiros qualificados para praticamente todos os sectores principais da economia” e, “mesmo quando há a ilusão de um papel de Angola, as tarefas reais são realizadas pela KPMG, Ernst & Young, McKinsey, Deloitte bem como por outros fornecedores internacionais mais pequenos”.
“Por trás de cada magnata angolano há uma equipa de gestão maioritariamente portuguesa”, que não se preocupa com as consequências da sua gestão, por isso os estrangeiros são responsáveis pelo petróleo, “fazem luxuosos vestidos e constroem aeroportos sem sentido no meio do nada”, lê-se.
“Trabalhadores chineses constroem fábricas que, em seguida, não são utilizadas. Apenas dois sectores ocidentais estão mal representados em Angola: os meios de comunicação e as ONG. O regime não precisa deles”, continua o artigo.
Os governantes de Angola têm “uma ideia generalizada de que cada interlocutor é impulsionado pelo lucro e, portanto, as soluções, e as pessoas, podem ser comprados”. Partindo desse princípio, esses dirigente acumulam o lucro “nos bancos e gastam-no nos quadros, em cirurgias plásticas e em casas de praia, para além de acções de empresas, especialmente em Portugal”.
O texto do Financial Times conclui com uma referência à crise actual. “A elite fez a festa durante o crescimento do petróleo. O provável impacto no regime do colapso nos preços é pouco, porque se só se está a alimentar uma pequena percentagem do povo, USD 50 dólares chega e sobra”.



Magnificent beggar land_image


Luanda “has been partly re-Europeanized”, he writes. “Behind every Angolan tycoon there is a mostly Portuguese management team.” The expats enable an elite that is killing Angolan children by neglect. No matter: the western professional’s ethos is to do a professional job and not worry about much else. And so foreigners pump Angolan oil, make expensive dresses and build pointless airports in the middle of nowhere. An “Israeli defence outfit” guards a stretch of Angola’s border. Chinese workers build factories that then sit unused. Only two western sectors are barely present in Angola: the media and NGOs. The regime doesn’t need them.
The regime likes to remind expats that they are in Angola to make money and shut up. Hence the almost monthly ritual in which “glum-looking foreign workers” are deported live on TV, while the commentators debate “immigration and its impact on Angolan jobs and ‘national culture’” just like European pundits.
Almost all western governments happily shut up. They used at least to pretend to have a “democratisation agenda”: just give General X a few more years and you’ll really start seeing reforms etc. But in the past decade the west has virtually abandoned even democratic talk. This is the consequence of the Iraq war, China’s rise as a new friend to tyrants and the global economic crisis that has made us desperate for any deal, no matter how dirty. China doesn’t nag friends about human rights — and nor do we. In 2013, the UK declared Angola a “High Level Prosperity Partner”.
Angola’s rulers, says the book, have “a pervasive assumption that every interlocutor is driven by the profit motive and, therefore, that solutions, and people, can be bought”. This assumption is almost always correct. Foreigners merely chuckle in private about garish Angolan excess.
Angola’s elite “has spent the last decade converging with the material life and cultural signifiers of the global jet-setting class”, writes Soares de Oliveira. The happy few jet around western capitals, unhindered even by talk of travel bans or freezes on their bank accounts. We accept that Angola’s money is their personal property. Anyway, they stash it in our banks and spend it on our paintings, plastic surgery and holiday villas, plus stakes in our companies (especially in Portugal).


Retirado do Jornal britânico “Financial Times” de 6 de março de 2015

Na íntegra aqui: http://www.ft.com/cms/s/0/e8fe02d4-c2b1-11e4-a59c-00144feab7de.html#axzz3TyBuio6n se conseguir aceder a esta página fora do Reino Unido.

1 comentário:

Katiana Mbambi disse...

Querem saber a verdade sobre Angola? Vejam aqui: https://www.youtube.com/watch?v=lwfNP3nGfgI