foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
Click na imagem!

26 de novembro de 2014

OS PORTOES DO SILENCIO


Décio Bettencourt Mateus (DBM) publicou mais um livro de poesia: “Os Portões do Silêncio”, eis uma breve e pessoal apreciação do mesmo:

1 – Nesta obre sente-se a habitual e tradicional temática social que Décio já nos habituou, dando voz aos deserdados da fortuna  ou às vítimas da inexistência de políticas sociais de apoio aos mais desfavorecidos da sociedade angolana.
A pesada herança colonial e quase 30 anos de guerra civil são estigmas a considerar. No entanto, uma década de paz não se tem traduzido numa melhoria substancial das condições de vida das populações mais carenciadas, esse povo de musseques que, ainda espera a justiça social, etc, etc...

2 – Em termos de estilo e estética “Os Portões do Silêncio” seguem também os traços marcados pelo autor desde a publicação, em 2003, do seu primeiro livro de poemas: “ A Fúria do Mar”. No entanto, se estilo e estética são, nesta presente obra, o que o autor vem defendendo ao longo da sua produção poética, o mesmo já não se pode dizer da qualidade que manifestamente progrediu. “Os Poertões do Silêncio” estão revestidos de uma nova e subtil película poética que nos remete para o amadurecimento estético do autor.

3 – Neste seu último livro DBM volta, como é seu apanágio, a dar voz ás gentes sofridas, ao povo que labuta arduamente, a zungueira, o pastor, o mendigo, o combatente amputado e, a contrapor a estas vozes caladas e sofridas, as vozes  gabarolas da arrogância daqueles que não vêem o quanto as coisas andam tortas.
DBM é o poeta angolano  que, a meu ver, melhor tem retratado a zungueira, o poema “Vidas Andanças & Zunga” é, nesse mesmo sentido, uma excelente obra de poesia (Pág. 32/33).
Apesar da voz que o poeta dá aos que não a têm, há também o espaço para o amor, esse sentimento sublime e humano, contudo “Os Portões do Silêncio” tem ainda de ser analizado em relação ao poema que dá nome à obra (pág. 46/47). Os portões são, obviamente, os portões dos palácios do poder. Portas adentro e ressoa o silêncio, a indiferença. O silêncio de quem não quer ouvir, nem quer agir e esquece, por exemplo, o que disse o mais-velho, um pouco antes de morrer: “o que é preciso é resolver os problemas do povo”. “Os portões do palácio/emudeceram silêncios dolentes”  mas o que salva são, por agora, os protestos “em vozes roucas de silêncios.”
Pois nestes portões ressoam dois silêncios:
 I – o silêncio sofrido de vozes roucas, tolhidas pelo medo e
 II – o silêncio corrupto do poder, um silêncio criminoso e desenvergonhado que o poeta traduz tão bem nos versos: “no silêncio dos portões de frio/das grades emudecidas das paredes do silêncio!”

Namibiano Ferreira


Nota Final: que o poder venha viver nos musseques, talvez assim resolva ou saiba resolver os problemas do povo.

1 comentário:

DECIO BETTENCOURT MATEUS disse...

Gracias Namibiano Ferreira! Kandandu.