Foto: Jorge Coelho Ferreira

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POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

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19 de julho de 2008

PARABÉNS MR. MANDELA





                                                               Para o Madiba!



Manda a Liberdade
que eu te cante
HOMEM entre os homens,
imortal!
Hoje, nos céus, riscaram os Deuses,
a Constelação da Igualdade, Paz,
Perdão e Liberdade:
a Constelação Mandela
a Constelação nova
do mundo que tu sonhas
bailando luz de savana
na brisa do teu riso…




Mandela, manda a Liberdade
que eu te cante…
mas perdoa a brandura do meu brado!




Mandela, na tua alma
ondula a savana loura;
na tua coragem
o rugido do leão;
no teu sorriso
brilha o sol da Igualdade.




Salvé, filho ungido da Liberdade!
Salvé, HOMEM entre homens,
imortal!
És o verdadeiro Prometeu Africano!
Parabéns Mr. Mandela!
Hoje, nos céus, riscaram os Deuses
a Constelação nova
a Constelação Mandela
a única que viaja no céu dos Hemisférios…






King’s Lynn, 18/07/2008




Namibiano Ferreira

14 de julho de 2008

AQUÉM



Fenda da Tundavala - Huíla, Angola


Podia entregar minha voz ao silêncio,



aconchegá-la no ralhar das calemas
calar…
escondê-la na renda fria dos cacimbos
cristalizar…
podia entregá-la à voracidade do tempo
petrificar…


podia prostituir meu corpo,
o templo castrado da Poesia
profanar…
podia… podia esquecer-me de ti… Poesia!
e desta mediocridade poética
que me transborda das visceras
macilentas da alma…
sempre aquém das cantigas e kissanjes;
sempre aquém de tua voz quente de Povo;
sempre e sempre aquém do teu bafo
terra sangue sagrado que abraço!



Namibiano Ferreira
King's Lynn, 14/07/2008

7 de julho de 2008

JARDIM VIRADO PARA O MAR


Baia Azul (Benguela - Angola)




Para Dinah


És o pólen vento de fusas e colcheias,
brisa de sedas suaves chamando
a abelha zumbindo voando
beijando os dedos carinhosos
acariciando corolas de carne em flor
incendiadas no jardim do meu desejo.


A mantilha solar, organza de luz,
desperta o néctar de um beijo
no regaço perfumado da manhã
chamando a abelha zumbindo
voando sobre o leito do nosso amor
zumbido alado no mel das rosas
onde repouso asas de voar-te
meu pólen vento de pétalas e corolas
bailando sobre meu corpo,
jardim, chao onde prendes racimos
do teu corpo no meu ventre
húmus quente e vivo de prender-te
no afago ouro e luar do nosso jardim
virado para o mar das turmalinas.





Namibiano Ferreira



4 de julho de 2008

PRÉMIO DARDOS






Recebi a indicação do Prémio Dardos de minha amiga Adriana Costa do Blog Versos Bárbaros
http://versosbarbaros.blogspot.com/ Muito obrigado Adriana.


“Con el Premio Dardos se reconocen los valores que cada blogger muestra cada día en su empeño por transmitir valores culturales, éticos, literarios, personales, etc.., que en suma, demuestran su creatividad através del pensamiento vivo que está y permanece intacto entre sus letras, entre sus palabras rotas.” Pandora






Como uma das regras passo a nomear os seguintes Blogs para o "Prémio Dardos":

Poesia Lilaz Carmim (Dinah Raphaellus)


Gritos Verticais (Andre Luis)


Malambas (Eugenio Costa Almeida)


Hariapoiesis (Admario Lindo)



Kitanda (Kotodianguako)



Mulembeira (Decio B. Mateus)


Ondaka Usongo! (Carlos Patacolo)




Pululu (Eugenio Costa Almeida)

Falar e Pensar Angola (Carranca)




Maria Muadie

Jornal de Letras

Canto de Espumas (Tania)


Don't Give Up (Anna Mathaya)


Galeria de Tho Simoes


Galeria de Lino Damiao




26 de junho de 2008

LAVRA DE MORTE


Tela de Eleuterio Sanches


Lá em baixo
na margem do Cubango
p’rós lados do Cuangar
Karungu João
foi na lavra.
Filho na cacunda
quinda na cabeça
foi na lavra
Karungu João
no Cuando-Cubango
p’rós lados do Cuangar
Karungu João
foi na lavra
procurar mandioca
filho na cacunda
quinda na cabeça
que fome é bicho
roendo, mordendo...
foi na lavra
Karungu João
só encontrou mina
debaixo do pé
as pernas perdeu
e o filho morreu
pequeno, pequenino
na cacunda
de Karungu João
Aiuê, Suku ianguê!












Cacunda - costas.
Aiue, Suku iangue! - ai meu Deus!










NAMIBIANO FERREIRA





NO TO LANDMINES!

NAO AS MINAS ANTIPESSOAIS!

RAÇA: HOMO SAPIENS!

Primeira foto creditos: http://paradoxosdoedu.blogspot.com/










Não creio em raças.

Não há raças!



O que há, o que realmente existe, são culturas, culturas humanas, mais ou menos tecnológicas

mas TODAS são uma resposta humana em relação ao meio ambiente que as rodeiam.


-A minha RAÇA?

elementar meu caro racista, como voce e todos os outros homens,

eu sou, nos somos homo sapiens sapiens...


Namibiano Ferreira






OLOMBERA


Quedas da Kalandula - Malanje - Angola




Ombera, a chuva que nos há-de lavar
a alma roída de balas e sofrimento
é a mesma que nos há-de sarar
o corpo amputado e gretado de feridas
fundas e sentidas de sangue vertido
escorrendo em vão, como acácias rubras
assassinadas, pelo chão macerado de nossa Casa.


Essa é Ombera, a chuva bela
que a Paz, enfim, há-de fazer Olombera!




Namibiano Ferreira

12 de junho de 2008

A ROSITA DE MALANJE


Um velho texto de 1998, depois de ver as notícias da Guerra Civil em Angola. Uma imagem ainda presente de três meninas da cidade de Malanje...




A ROSITA DE MALANJE

Os olhos tristes da Rosita de Malanje, menina e já mulher.
Na verdura dos seus nove anos, mais parecendo cinco ou seis, anda brutalmente arremessada aos deveres e responsabilidades da maternidade não parida.


A imagem fere a televisão: a Rosita, na tristeza dos seus olhos, dá a mão à irmã do meio e no colo transporta a outra irmã, filha caçula: encomenda à espera da morte...






Namibiano Ferreira




Uma pequena nota, a foto que acompanha o poema não retrata, de maneira nenhuma, as imagens que então passaram no noticiário televisivo.

1 de junho de 2008

AINDA A GUERRA NAS MINHAS MÃOS




(Origem nao identificada - parece tratar-se da Serra Leoa - mas infelizmente tambem se aplica a Angola. Esta image dramatica originou este poema.)

*


Construimos a Paz subindo degrau a degrau a construção. E o homem vive ainda a guerra na encruzilhada perene dos dias que lhe faltam para que lhe cantem komba. Acabou a guerra e no entanto, ainda a guerra nestas minhas mãos que não vejo, nestas minhas mãos perdidas em vão numa guerra que nada vos custou, a vós, a não ser as minhas mãos irremediavelmente perdidas e, o prémio ganho, a dependência às mãos e à vontade alheias.




Namibiano Ferreira

Komba - Cerimonias funebres

25 de maio de 2008

25 MAIO - DIA DE AFRICA



I dream of an Africa which is in peace with itself.
**
Sonho com uma Africa em paz consigo propria.
Nelson Mandela