11 de dezembro de 2014
CACIMBOS

Foto Luz Belchior
Nos meus braços
tem cacimbos velhos
petrificados
sobre a pele da opressão
e na alma
-escrita a carvão-
o apego à terra
presa nas picadas
beijadas de verde,
no deserto quente
da welwitschia gretando
amor
nas manhãs em fumo
de junhos-cacimbos
infantis.
tem cacimbos velhos
petrificados
sobre a pele da opressão
e na alma
-escrita a carvão-
o apego à terra
presa nas picadas
beijadas de verde,
no deserto quente
da welwitschia gretando
amor
nas manhãs em fumo
de junhos-cacimbos
infantis.
Namibiano Ferreira
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Namibiano Ferreira-Poesia
10 de dezembro de 2014
A RAINHA GINGA - LIVRO DE AGUALUSA
Em declarações à agência Lusa, José Eduardo Agualusa disse que este seu
novo livro, que "queria escrever há muito tempo", responde a
"uma inquietação" dos angolanos, que querem conhecer o seu passado,
numa nova perspetiva.
Agualusa explicou que "levou tempo" a escrevê-lo, pois teve de se
"informar mais" e precisou de se "colocar na cabeça da Ginga, no
seu universo", salientando que "tudo aconteceu numa época muito
recuada".
O narrador do livro é um padre, Francisco José de Santa Cruz, nascido em
Pernambuco, nomeado em 1620 secretário de Ginga, rainha do Dongo e da Matambam,
no norte da atual Angola.
"Na realidade ela teve secretários, quase todos padres, pois era de
uma classe culta, que sabia ler e escrever, mas esta [a personagem do padre] é
uma personagem inventada, eu precisava de alguém que fosse um tradutor de
mundos, que é também do que fala este livro", disse Agualusa.
Na sessão de apresentação, às 21:30, do romance histórico "A rainha
Ginga. E de como os africanos inventaram o mundo", participam também Kalaf
Ângelo, que irá ler excertos da obra, acompanhado pelo contrabaixista Ricardo
Cruz.
O que levou José Eduardo Agualusa "a escrever este livro foi mostrar
como os africanos foram parte ativa - e de forma bem mais vigorosa - daquilo
que se estuda nos compêndios europeus, neste processo de construção de nações,
de redesenhar o mapa do mundo".
Texto retirado de Jornal Ionline
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José Agualusa,
Livros,
Nzinga Mbandi
CAMPANHA INTERNACIONAL POR ASIA BIBI
Um copo de água por Asia Bibi: junte-se a esta iniciativa
solidária, hoje às 17h na livraria da Alêtheia

2 de dezembro de 2014
PEDIDO: VOTEM EM "MIND THE CORK", POR FAVOR!
Vinha pedir aos visitantes e leitores de Ondjira Sul para votarem, seguindo
o link:
http://confessionsofadesigngeek.com/coadgbursary-the-2015-shortlist/
no trabalho de Jenny Espírito Santo, uma
angolana a residir em Londres e filha de um amigo e conterrâneo de Tômbua. A
Jenny, é bisneta da Vovó Mariana que tem aqui um poema que lhe é dedicado e que
pode, se quiser, ler aqui: http://poesiangolana.blogspot.co.uk/2009/08/vou-participar-em-mais-uma-antologia.html
Obrigado a todos, só espero que o site esteja aberto para fora do Reino Unido. Votar é fácil na caixa que diz o seguinte: Who should win the 2015 confessions of a design geek bursary? clique no nome do projecto (Mind the Cork) e para finalizar, clique "Vote".

Mind the Cork
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Jenny Espírito Santo
26 de novembro de 2014
O BARQUEIRO E A KIANDA - CONTO DE NAMIBIANO FERREIRA NO CULTURA
Foto: Cultura - Jornal Angolano de Artes e Letras (24/11/2014)
Saiu a público, pela primeira vez, um conto de minha
autoria, "O Barqueiro e a Kianda" e foi na última edição de CULTURA – Jornal Angolano de Artes e Letras,
24/11/2014. Pode ler o conto seguindo o link:
OS PORTOES DO SILENCIO
Décio Bettencourt Mateus (DBM) publicou mais um livro de poesia: “Os Portões
do Silêncio”, eis uma breve e pessoal apreciação do mesmo:
1 – Nesta obre sente-se a habitual e tradicional temática social que Décio
já nos habituou, dando voz aos deserdados da fortuna ou às vítimas da inexistência de políticas
sociais de apoio aos mais desfavorecidos da sociedade angolana.
A pesada herança colonial e quase 30 anos de guerra civil são estigmas a
considerar. No entanto, uma década de paz não se tem traduzido numa melhoria
substancial das condições de vida das populações mais carenciadas, esse povo de
musseques que, ainda espera a justiça social, etc, etc...
2 – Em termos de estilo e estética “Os Portões do Silêncio” seguem também
os traços marcados pelo autor desde a publicação, em 2003, do seu primeiro
livro de poemas: “ A Fúria do Mar”. No entanto, se estilo e estética são, nesta
presente obra, o que o autor vem defendendo ao longo da sua produção poética, o
mesmo já não se pode dizer da qualidade que manifestamente progrediu. “Os Poertões
do Silêncio” estão revestidos de uma nova e subtil película poética que nos
remete para o amadurecimento estético do autor.
3 – Neste seu último livro DBM volta, como é seu apanágio, a dar voz ás
gentes sofridas, ao povo que labuta arduamente, a zungueira, o pastor, o
mendigo, o combatente amputado e, a contrapor a estas vozes caladas e sofridas,
as vozes gabarolas da arrogância
daqueles que não vêem o quanto as coisas andam tortas.
DBM é o poeta angolano que, a meu
ver, melhor tem retratado a zungueira, o poema “Vidas Andanças & Zunga” é,
nesse mesmo sentido, uma excelente obra de poesia (Pág. 32/33).
Apesar da voz que o poeta dá aos que não a têm, há também o espaço para o
amor, esse sentimento sublime e humano, contudo “Os Portões do Silêncio” tem
ainda de ser analizado em relação ao poema que dá nome à obra (pág. 46/47). Os
portões são, obviamente, os portões dos palácios do poder. Portas adentro e
ressoa o silêncio, a indiferença. O silêncio de quem não quer ouvir, nem quer
agir e esquece, por exemplo, o que disse o mais-velho, um pouco antes de
morrer: “o que é preciso é resolver os problemas do povo”. “Os portões do
palácio/emudeceram silêncios dolentes”
mas o que salva são, por agora, os protestos “em vozes roucas de silêncios.”
Pois nestes portões ressoam dois silêncios:
I – o silêncio sofrido de vozes
roucas, tolhidas pelo medo e
II – o silêncio corrupto do poder,
um silêncio criminoso e desenvergonhado que o poeta traduz tão bem nos versos:
“no silêncio dos portões de frio/das grades emudecidas das paredes do silêncio!”
Namibiano Ferreira
LUUANDA 1964 - 2014
"Vovó Xíxi e seu neto Zeca Santos", "A estória do ladrão e
do papagaio" e "A estória da galinha e do ovo" são os títulos
dos três contos que integram a antologia LUUANDA. Publicada em Luanda em 1963 e
depois em Portugal em 1964, este livro revolucionou a trajectória da literatura
angolana e foi, na verdadeira acepção da palavra, um daqueles fenómenos em que
a palavra exerceu a função de lâmina, capaz de ferir como uma catana o sistema
colonial português, naquilo que este tinha de mais representativo: o sentimento
eurocêntrico da portugalidade e a pilhagem dos recursos dos povos do Ultramar.
Trecho retirado de Cultura, da autoria de José Luís Mendonça

Trecho retirado de Cultura, da autoria de José Luís Mendonça

Luuanda, a obra de Luandino Vieira foi publicado há 50 anos, como diz no Cultura, José Luís Mendonça: foi uma catana literária contra o colonialismo.
Leia, aqui:
11 de novembro de 2014
DIPANDA - 11/11/2014
No Dia da Independencia, uma frase para reflexao:
O mais importante é resolver os problemas do povo.
Dr. Agostinho Neto - Primeiro Presidente de Angola
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Independencia
10 de novembro de 2014
POESIA DE NAMIBIANO FERREIRA NA R.D.P. INTERNACIONAL
Dizer Poesia
De Namibiano Ferreira - Poema: Bebokissângua..., Nascer em Namibe em Tombua Mirabilis, Hospitalidade e Para nunca mais a guerra!
Bebo kissângua...
e cheira-me a frutas maduras:
mangas goiabas
abacaxis pitangas
perfumes escondidos
enchendo quindas de quitandeiras
apregoando.
Bebo kissângua...
............................ e cheira-me a Luanda!
Namibiano Ferreira
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