28 de maio de 2014
27 de maio de 2014
IN THE NAME OF THE PEOPLE (Livro de Lara Pawson)
Mais um livro sobre o assunto, desta vez em inglês, da autoria da jornalista do "The Guardian" Lara Pawson.

Também em tradução portuguesa:
Em Nome do Povo
O Massacre que Angola Silenciou
de Lara Pawson
Edição:
2014
Páginas: 400
Editor: Tinta da
China
ISBN:
9789896712129
Labels:
Lara Pawson,
Livros,
Maio27 de 77
ÚLTIMAS CHUVAS

Rosa-de-porcelana (Etlingera elatior) foto Chuangpc
Chove. É na estação das chuvas – dizem –
que acontecem as coisas.
No sopro indelével do momento
soltam-se cazumbis do coração das árvores
povoando o vento, a brisa e o tempo
atormentando a vida dos homens.
Foi na paragem de Maio que Tudo
e Nada aconteceu e chovia...
(Não chovia?
então chovia no limbo da Poesia).
É na estação das chuvas – dizem –
que acontecem as coisas...
e nesse dia as chuvas quase acabaram.
- Onde foi na paragem de Maio que Tudo
e Nada aconteceu? – Onde foi?!
Onde foi, quem foi, como foi?
Namibiano Ferreira
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Namibiano Ferreira-Poesia
26 de maio de 2014
POEMA DE SANGWANGONGO MALAQUIAS
1
Lancei os dados
no pano verde
de uma floresta
de bambus.
Aqui nem a chuva
tamborila
nem a zebra corre
por correr.
Há um rio sem
margens
no caminho
verdejante
onde os elefantes
vão morrer.
2
Metemos o mundo
em trabalhos
só porque
sonhámos
e fomos
insubmissos.
Pusemos à lapela
os brilhos da lua
cheia
nas facas longas
que degolaram a
claridade.
Tenho na garganta
um travo amargo a liberdade.
3
A cabeça virada
à cabeçada
e a voz das
zaragatas.
Um semba vadio
grita gestos
lancinantes
de ciúmes e
facadas.
4
Se te perdi, meu
amor,
encontro-te nos
caminhos
onde me movi
apenas para me
perder.
Quem perde os
seus amores
colhe tempestades
de violinos e
flores.
5
Ainda estou à tua
espera
neste cemitério
de navios,
na colina que o
vento fustiga
às portas da foz
do Bengo.
Espero por ti na
lagoa
onde o sol faz
ninho
e o mar se
derrama em mangonha
no meu copo de
vinho.
Estou à tua
espera meu amor derradeiro…
Sangwangongo Malaquias
Poema retirado de Cultura - Jornal Angolano de Artes e Letras
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Sangwangongo Malaquias
SENTIDOS

Tela de Carla Peairo
(Para Dinah)
Trazias o mar na aurora ocidental dos teus lábios
a passar ventos e salsugens de toninhas e kiandas;
chegaste do mar, kalunga a cantar meu nome
e, estranhamente, no xinguilar dos dias
mordias bagos de jinguba nos dedos do olhar
a passar brisas a beijar ventos de kifufutila
doce veludo bailando no sopro sumaúma
soprado sobre a savana-púbis dourada do vento.
Namibiano Ferreira
Kiandas – Divindades das águas (mar, rio ou lagoa), ondina, sereia.
Kalunga – Mar, Deus e muitos outros sentidos (morte, infinito...)
Xinguilar – Ficar possuído pelos espíritos, ficar maluco.
Jinguba – Amendoim.
Kifufutila/Quifufutila – Doce com jinguba moída, açúcar, canela, etc
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Namibiano Ferreira-Poesia
25 de maio de 2014
ANGOLA, A SEGUNDA REVOLUÇÃO (Livro)

Quero partilhar com os leitores desta obra parte da experiência que vivi
quando jovem, durante o pro-cesso de independência do país, os anos de
guerrilha que se seguiram à proclamação da independência, e o processo de
negociação que conduziu às primeiras eleições da história de Angola. Esta é,
antes de mais, uma narração dos acontecimentos, vistos do meu ponto de vista,
como parte de uma geração, na altura adolescente, que se viu arrastada pelo
vendaval da revolução, numa corrida imposta por vontades, desacordos e ambições
da geração mais velha. (…) Esta obra não pretende ser história absoluta. Ela é,
como disse acima, apenas uma narração da minha trajectória na luta pela
inclusão democrática, relato de uma vida entregue e moldada pela
"revolução".
Estas são palavras de Jardo Muekalia, no preâmbulo do seu livro, “Angola, A
Segunda Revolução”.
Acabei muito recentemente de ler este livro que aconselho pela sinceridade
com que Jardo Muekalia relata factos que são hoje históricos, podemos não concordar
com o autor ao longo do livro mas não podemos negar a qualidade da obra, bem
escrita, bem estruturada e que, mesmo quando transcrevendo memorandos políticos
e outros não se torna um livro aborrecido, pelo contrário, a escrita de Jardo
leva o leitor a querer saber o que se vai passar na próxima página, no próximo
capítulo. Lê-se, quase como de fosse um romance. Creio que houve temas e acontecimentos não abordados, como, por exemplo, "a queima das bruxas" e, por outro lado, muitas interrogações se põem
ao leitor atento e crítico, o meu livro ficou cheio de notas a lápiz. Para mim
as principais questões são: Lutou a UNITA, realmente, pelo multipartidarismo, a
democracia e os direitos humanos em Angola? Qual a verdadeira ideologia
política da UNITA? E por fim, parece-me que Jonas Savimbi se tranformou num “warlord”,
concretizada a paz não soube mais o que fazer do que guerrear, embora
apregoasse a paz.
Apesar destas e de muitas outras dúvidas e questões, na última página do livro,
Jardo escreve o seguinte que partilho com os leitores por estar de acordo e por
ser uma verdade que é preciso, continuamente, por em prática:
Angola será
infinitamente melhor, e cada vez mais forte, quando souber acarinhar e
potenciar a sua diversidade sociocultural, regional, política e económica.
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Jardo Muekalia,
Livros
DIA DE ÁFRICA - 25 DE MAIO -

Qualquer humanismo significativo deve começar a partir do
igualitarismo e deve conduzir as políticas objectivamente escolhidas para a
protecção e manutenção do igualitarismo.
Kwame Nkrumah, Ghana
Não somos o que deveríamos ser, não somos o que desejamos ser, não
somos o que iríamos ser, mas graças a Deus não somos o que éramos.
Martin Luther King, USA
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Dia África,
Kwame Nkrumah,
Martin Luther King
20 de maio de 2014
A PINTURA DE CARLA PEAIRO


Carla Peairo nasceu em
Angola-Benguela, em 1961.
Viveu, uma grande parte da sua infância, à beira-mar: Praia-Morena,
Baía-Farta, Chamume, Macaca.
O seu interesse pelo desenho e pintura começou quando tinha 13-14 anos e,
até hoje a sua paixão, em transmitir África pela sua paleta de cores quentes,
levou-a a realizar mais de quarenta exposições.
Viveu em Angola 22 anos onde seguiu uma formação artística de desenho,
pintura e decoração na Escola Industrial de Benguela e frequentou o Instituto
Superior de Ciências da Educação na cidade do Lubango.
Foi membro da Brigada Jovem de Literatura da Huíla e participou, com o Trio
Mensagem, em vários espectáculos musicais apresentados no cinema Arco-Íris e no
ISCED.
Adquiriu experiência profissional como decoradora, assistente social,
professora de inglês e de desenho.
Em 1983 parte para Lisboa onde exerce em desenho publicitário, criação e
confecção de modelos na indústria têxtil.
Admitida no Centro de Arte e Comunicação Visual - ARCO em Lisboa, frequenta
os ateliers de desenho , artes gráficas, modelagem assim como o atelier de pintura da Sociedade
Nacional de Belas Artes.
Actualmente vive em Neuchâtel – Suíça, e continua a dar asa à sua
imaginação.
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Carla Peairo,
pintores angolanos
TELA DE DUCHO 2

José António Júnior, Ducho, nasceu em Benguela a 23 de Novembro e desde muito cedo mostrou interesse pelas
artes plásticas e começou a praticar a técnica de desenho e pintura em tela,
juntamente com outros jovens mais experientes em 1988, na antiga EPAT, onde
também aprendeu a pintar dísticos, cartazes, cenários, painéis publicitários,
serigrafia e maquetes, entre outras formas de expressão artística.
Participou em várias exposições colectivas, concursos e, igualmente,
nalguns certames nacionais e provinciais em Angola.
19 de maio de 2014
KAMUSOSO

Malembe, malembelembe*
toc toc toc...
Ngana Mbaxi**
carrega o mundo nas costas
toc toc toc...
malembe, malembelembe.
E voando, Ngana Piápia,***
voando a noite ao sol,
passa só a gritar:
piá piá piá...
– Onde está a outra metade?
piá piá piá...
– Onde está a outra metade?
Ngana Mbaxi fica só a calar
e toc toc toc...
carrega o mundo nas costas
malembe, malembelembe
toc toc toc...
Namibiano Ferreira
* Devagar, devagarinho.
** Senhor Cágado
*** Senhora Andorinha.
Kamusoso - Pequeno conto.
(Inspirado em Parábola do Cágado Velho, de Pepetela)
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Namibiano Ferreira-Poesia
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