foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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25 de maio de 2014

DIA DE ÁFRICA - 25 DE MAIO -




Qualquer humanismo significativo deve começar a partir do igualitarismo e deve conduzir as políticas objectivamente escolhidas para a protecção e manutenção do igualitarismo.

Kwame Nkrumah, Ghana


Não somos o que deveríamos ser, não somos o que desejamos ser, não somos o que iríamos ser, mas graças a Deus não somos o que éramos.


Martin Luther King, USA

20 de maio de 2014

A PINTURA DE CARLA PEAIRO










Carla Peairo nasceu em Angola-Benguela, em 1961.
Viveu, uma grande parte da sua infância, à beira-mar: Praia-Morena, Baía-Farta, Chamume, Macaca.
O seu interesse pelo desenho e pintura começou quando tinha 13-14 anos e, até hoje a sua paixão, em transmitir África pela sua paleta de cores quentes, levou-a a realizar mais de quarenta exposições.
Viveu em Angola 22 anos onde seguiu uma formação artística de desenho, pintura e decoração na Escola Industrial de Benguela e frequentou o Instituto Superior de Ciências da Educação na cidade do Lubango.
Foi membro da Brigada Jovem de Literatura da Huíla e participou, com o Trio Mensagem, em vários espectáculos musicais apresentados no cinema Arco-Íris e no ISCED.
Adquiriu experiência profissional como decoradora, assistente social, professora de inglês e de desenho.
Em 1983 parte para Lisboa onde exerce em desenho publicitário, criação e confecção de modelos na indústria têxtil.
Admitida no Centro de Arte e Comunicação Visual - ARCO em Lisboa, frequenta os ateliers de desenho , artes gráficas, modelagem assim  como o atelier de pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Actualmente vive em Neuchâtel – Suíça, e continua a dar asa à sua imaginação.

TELA DE DUCHO 2



José António Júnior, Ducho, nasceu em Benguela a 23 de Novembro  e desde muito cedo mostrou interesse pelas artes plásticas e começou a praticar a técnica de desenho e pintura em tela, juntamente com outros jovens mais experientes em 1988, na antiga EPAT, onde também aprendeu a pintar dísticos, cartazes, cenários, painéis publicitários, serigrafia e maquetes, entre outras formas de expressão artística.

Participou em várias exposições colectivas, concursos e, igualmente, nalguns certames nacionais e provinciais em Angola. 

19 de maio de 2014

KAMUSOSO



Malembe, malembelembe*
toc toc toc...
Ngana Mbaxi**
carrega o mundo nas costas
toc toc toc...
malembe, malembelembe.
E voando, Ngana Piápia,***
voando a noite ao sol,
passa só a gritar:
piá piá piá...
– Onde está a outra metade?
piá piá piá...
– Onde está a outra metade?

Ngana Mbaxi fica só a calar
e toc toc toc...
carrega o mundo nas costas
malembe, malembelembe
toc toc toc...

Namibiano Ferreira


* Devagar, devagarinho.
** Senhor Cágado 
*** Senhora Andorinha.
Kamusoso - Pequeno conto.

(Inspirado em Parábola do Cágado Velho, de Pepetela)

16 de maio de 2014

MUKUROKA PIRIQUITO

Mukuroka Piriquito - Gravura de Mário Tendinha (Angola)


Este poema foi inspirado nesta gravura da autoria do meu conterrâneo e amigo Mário Tendinha.  Mukuroka Piriquito, aqui retratado é um conterrâneo lá do Sul, de Tombua. Nao é personagem inventada, nem pelo pintor nem pelo poeta. Ele existe mesmo. É um homem que foi guia de cacadores e turistas, conhece o deserto e a regiao do Parque Nacional do Iona sem precisar de uma bússula. Ele é a própria bússula e palmilha o deserto, grandes distâncias, a pé. Um grande kandandu para Mukuroka Piriquito.




MUKUROKA PIRIQUITO


Cansado, talvez de trazer nos pés o vento de pentear os dias
e o tempo das rotas esquecidas de muitas ondjiras do sul
Mukuroka Piriquito descansa no lar da fogueira acesa
no Omauha com o sol de lembrar Tchitundu-Hulu e a espiar
olho no Mukuroka Piriquito ave de voar na asa palmilhando
areias milhas e poeiras ventos e canseiras nas miragens da sede
do nosso Sul encharcado de amarelo a morrer luminoso
no afago abraço do sol derretendo welwitschias gazelas
e Tômbua que resiste no abraço velho das casuarinas heroínas
que se cansaram de lutar contra as areias que andam sob os pés
de Mukuroka Piriquito descansando à fogueira do Omauha
naquele dia que o Mário o viu e depois, talvez, o desenhou
como se fosse uma gravura perdida de Tchitundu-Hulu.
Sentado à fogueira do Omauha, Mukuroka Piriquito, descansa
do palmilhar dos dias sol-fadiga de Namibe deixando-se cobrir
de gloriosa poeira ouro que vem, como renda preciosa e ouro sobre azul,
levemente poisar sobre a nudez dos seus nonkakos a mostrar
sabedoria de quem sabe ler o sol e o brilho lúcido das estrelas do sul
sempre tão belas nas noites do deserto e os nonkakos de Mukuroka Piriquito
são luandos de cartografar mapas escritos e desenhados no céu sendeiro
sem tempo dos astrolábios presos como toninhas nos olhos vento
que se bebem nas margens sedentas do Kuroka do março da fartura.



Namibiano Ferreira 


Ondjira - palavra Tchiherero que significa caminho, ela aqui está com o plural feito á maneira portuguesa.
Omauha - significa pedra, no mesmo idioma, mas refere-se a um lodge que existe no Parque Nacional do Iona, Namibe, Angola.
Tchitundu-Hulu - é um local no mesmo Parque (Iona) que possui belas gravuras rupestres, representando animais e astros, como o sol, por exemplo. O seu nome significa "Gruta Sagrada do Céu" e é um lugar de culto para os Kwisses, um outro povo do deserto.
Nonkakos - sandálias que se fazem artesanalmente, se observarem os pés de Mukuroka podem ver os seus nonkakos.
Luando - esteira.
Kuroka ou Curoca - rio do deserto, que desagua perto de Tombua. Este rio só tem água na época chuvosa e em especial entre Fevereiro e Abril. O Kuroka é um pequeno Nilo que atravessa a aridez do município de Tombua. 

15 de maio de 2014

POEMA DE GOCIANTE PATISSA


Convite da Editora NósSomos

CANTIGA NA TARDE




Depois, pouco-pouco, os pingos de chuva começaram a cair nem cinco minutos que passaram todo o musseque cantava a cantiga d’água nos zincos, (...)

Luandino Vieira - Luuanda



(Para a Domingas e o Francisco)


A tarde,
vibrando calor e suor
desceu sobre a cidade
e vieram gotas
líquidas de cristal
acordar cheiros e sons...
Sobre um telhado qualquer
a prata tamborilava
uma velha melodia
e um raio de nada
despertou
recordações e lembranças:

–Cantigas tamborilando em telhados de zinco.


Namibiano Ferreira

MAIS DOIS POEMAS DE ISABEL FERREIRA


VOU EMBORA

Vou embora amanhã
levo a cratera, o frémito…
A neblina dos meus olhos
deixo-ta como lembrança

Nos dias de solidão
não terás a minha mão
suave como a seda
na tua fronte furacão!

Vou embora amanhã
levo apenas os chinelos
aqueles que me deste
no dia dos namorados

Vou embora amanhã
deixo tua soturna sombra…
No teu quarto a penumbra
não apagará o meu penedo



DO HOMEM PARA HOMEM

Busquei com ardor a liberdade
Construí castelos de esperança
Rasguei vendavais abri atalhos
Quebrei galhos…

– Fiz-me herói: – Ganhei!
Os rios cederam meus anseios
Manhãs a tudo anuíram
A cada dia novos manjares

Cada sonho…
Meu real elevado!
Esqueci-me dos pedintes
Dos mendigos outrora…

Agora…
Meus inimigos
Sou dono do mundo



Isabel Ferreira

13 de maio de 2014

CATUÍTIS (Aves de Angola)

Dois catuítis, também conhecidos por peito-celeste.

9 de maio de 2014

ANDA KIANDA


Anda Kianda soltar o mar
nas tranças de minha casa
onde a água barulha cantigas
de xaxualhar marés, ondas e maresias.
 
Anda Kianda soletrar águas no limiar
átrio da casa do meu pátio:
dongo de quilha plana
mordendo os afagos do mar.
 
Dongo que já foi árvore
a xaxualhar o vento, a alma do sol
e o umbigo, espiral do tempo. 


Namibiano Ferreira