foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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21 de março de 2014

PARA O DIA MUNDIAL DA POESIA: DISCURSO NO PARLAMENTO

Assembleia Nacional de Angola - Luanda


DISCURSO NO PARLAMENTO

Um dia, encho-me de coragem
E vou mesmo discursar no parlamento
Confesso que fiz juramento
De ir a pé até lá
De entrar naquela sala,
Para discursar a minha mensagem

Um dia, apareço nas câmaras da televisão
Verdade mesmo, não é ilusão
Apareço com o meu rosto maltratado
Com o meu rosto de drogado
Para pedir um ponto de ordem
Aos senhores deputados,
Eu mesmo que vivo do outro lado da margem

Ja sei que vão olhar com indignação
Para os meus pés descalços
Para os meus calções rotos
E para os meus magritos braços
Já consigo imaginar os vosso rostos
De indignação e estupefacção

Mas mesmo assim eu vou mesmo discursar
Em plena assembleia nacional
Assim mesmo, com este meu visual
De menino de rua votado ao abandono
De menino de rua cão sem dono
Eu vou à assembleia nacional falar

Assim mesmo, sem convite
E sem ser chamado
Eu, que não sei falar português de escola
Vou entrar naquela sala
Para falar com os senhores deputados
Eu vou lá sem convite, acredite!

E antes de me porem andar à paulada
Antes de me mandarem calar à porrada
Vou rasgar o meu peito
Para vocês escutarem o grito
De tanto sofrimento vivido
De tanto sofrimento bebido

E enquanto estiver a ser arrastado
Para fora da assembleia nacional
Eu, menino de rua cão sem dono e drogado
Eu, menino de rua marginal
Ainda terei coragem
Ainda serei capaz
De trovejar a minha mensagem:
POR FAVOR, PÃO, TECTO E PAZ!

Não levem a mal
Mas eu vou mesmo discursar em plena assembleia nacional!


Décio Bettencourt Mateus

in "A Fúria do Mar" 

20 de março de 2014

AS HIENAS


descem nos kimbos

quando que inerme a noite dorme

e dos monas

seu chorado

sabem

roçam nas portas

roçam nas portas

condevagar

(da morte
na roça
eriçado rumor)
e o luto kukunam
e o luto kukunam
na terra violada

João-Maria Vilanova
in Caderno dum Guerrilheiro

Monas  - Crianças, filhos.
Kukunam - Semeam, espalham, de kukuna, semear (Kimbundu).

19 de março de 2014

D. BEATRIZ KIMPA VITA (Artigo do Jornal de Angola)




No dia 2 de Julho de 1706 D. Beatriz Kimpa Vita, foi queimada na fogueira devido às suas pretensões de ter recebido de Santo António o mandato de resgatar o povo do Reino do Congo do marasmo social, político e religioso em que tinha caído.
Kimpa Vita, disse: No dia do Juízo final Deus não me perguntará se sou do Congo. Olhará, isso sim, para a transparência da minha alma.
A“Joana d’Arc africana”, Profetisa popular, Kimpa Vita foi condenada à morte na fogueira pelo Manikongo (Rei do Congo) Pedro IV a 2 de Julho de 1706 – com a benesse e aprovação dos padres portugueses. Imagino que tudo tenha sido encenado à boa maneira da inquisição...

Consta ainda, que o filho de Kimpa Vita foi atirado para a fogueira com a mãe... Tudo pelo bem da Santa Igreja Católica Romana e claro, dos interesses coloniais. 

***

Eis o artigo publicado no Jornal de Angola - 13 de Novembro de 2011:
Data de nascimento : 1684
Data falecimento: 1706 (Mbanza Kongo)
Naturalidade : Reino do Congo

A polémica instalada em torno do pensamento histórico da profecia de Beatriz Kimpa Vita, figura emblemática da angolanidade, queimada numa fogueira pelos portugueses, em 1706, em Mbanza Congo, no Zaire, é reflectida neste espaço do “Caderno Fim-de-Semana”.

Aos 24 anos de idade, segundo palavras do filósofo angolano José Calhau, professor universitário na província do Zaire, Dona Beatriz Kimpa Vita, como era carinhosamente tratada, foi lançada viva para uma fogueira, na companhia do seu filho, por ter reivindicado de forma resoluta o fim da escravidão a que os negros eram sujeitos pelos colonizadores, na antiga cidade de São Salvador do Congo, hoje Mbanza Congo, capital da província do Zaire.

Fazendo jus às investigações realizadas durante quatro anos, em Mbanza Ngungu, região do Baixo Congo, na República Democrática Congo, onde reuniu todos os legados científicos que serviram de base ao seu trabalho, em potenciais bibliografias, José Calhau fez uma analogia histórica sobre a trajectória da vivência de Kimpa Vita e lembrou as reacções apresentadas pela senhora, a julgar pelas injustiças dos colonizadores, acto que lhe custou a vida muito cedo.

Para Zolana Avelino, sociólogo, falar de Kimpa Vita é fazer recurso a uma história de relevo, versada na cultura Congo. “Os contos dela espelham a profeta que era e que doutrinou e defendeu a revitalização das raízes mais profundas da cultura tradicional do Congo, através da religião “Bundu die Congo”. Era, também, considerada a líder que, na época, inspirou o lançamento, em Mbanza Congo, de um movimento de messianismo virado para a preservação da cultura tradicional africana, que teve uma adesão espectacular por parte dos fundadores da igreja kimbanguista de Simão Kimbangu, na República Democrática do Congo, Simão Gonçalves Toco, em Angola, Simão Mpidi, também na RDC, e André Matsowa, no Congo Brazzaville.

O objectivo central desse movimento de messianismo tradicional, acrescentou o sociólogo, tinha como base fulcral o resgate e o relançamento dos valores dos povos africanos, que na época ressentiam a invasão da acção colonizadora para melhor implantar o cristianismo em África. Após a sua morte, tal como referiu o sociólogo, o movimento do messianismo tradicional perdeu expressão e acção de continuidade. Assim, os colonizadores galvanizaram-se de “pedra e cal” e conseguiram impor o cristianismo até aos dias de hoje.

Depoimentos

Zolana Avelino prosseguiu dizendo que até ao momento a igreja kimbanguista, que tem como líder espiritual o neto do fundador Simão Kimbangu, Kiangani, reconheceu perante o governador do Zaire, Pedro Sebastião, durante a visita que este efectuou recentemente à sede central daquela congregação religiosa, na localidade do Nkamba, na RDC, que o município de Mbanza Congo é tido como sendo a terra das origens de grande parte dos povos de África. O líder espiritual da igreja kimbanguista manifestou a vontade de se deslocar a Mbanza Congo para visitar o local onde repousam os restos mortais de Dona Beatriz Kimpa Vita, para uma homenagem em prol da doutrina e valioso legado que deixou profetizado.

Para Celestina Paixão, estudante universitária, Kimpa Vita desmistificou todas as agruras impostas contra a cultura Congo. Desempenhou importante papel na luta pela pacificação dos espíritos. Prova eloquente disso, sublinhou a estudante, como símbolo de reconhecimento, o seu nome é valorizado. O valor é justificado por ser defensora confessa da paz e do fim da escravidão em Angola. Hoje, o seu nome é atribuído a várias instituições de ensino no país e em Mbanza Congo as autoridades deram o seu nome a uma avenida.
Segundo Celestina Paixão, além de ser, naquela época, uma profeta tradicional, Kimpa Vita, ao que se diz, foi uma jovem mulher temida pelos colonos pela forma frontal e aberta como se dirigia sempre que constatasse actos de violação de direitos humanos contra os seus compatriotas. Abordado pelo Jornal de Angola, o director da Escola Superior Politécnica de Mbanza Congo, Duku de Tshiangolo, defendeu a necessidade da preservação da figura de Kimpa Vita, por tudo aquilo que fez. Explicou que Dona Beatriz Kimpa Vita deixou um legado histórico ao país, revolucionou o pensamento da liberdade do homem angolano e declarou a luta contra a escravidão, a opressão e o divisionismo para pôr cobro às sevícias que o colonialismo português impunha aos povos de Angola.

Igreja

De acordo com o filósofo José Calhau, “foi uma pena enorme porque, após a morte de Kimpa Vita, a região Congo esteve sujeita a abusos redobrados e há quem tenha utilizado a igreja como meio de exploração e opressão, para melhor reinar e causar prejuízos nefastos e perseguições aos fiéis que professavam, às escondidas, a linha de Kimpa Vita, ao passo que outros portugueses revolucionavam a religião como fonte de poder e dominação das pessoas negras de competência rara”.

José Calhau, explicou que “em nome da religião, na época, foram também articuladas guerras injustificáveis para poder abafar a liberdade e a honra do homem angolano, e da etnia Congo em particular, por apresentarem forte resistência às humilhações.”

Profeta tradicional

Kimpa Vita, segundo o professor Calhau, era tida como líder incontestada nas suas posições. “Aquela mulher histórica angolana já escrevia livros que retratavam temas sociais em defesa dos aborígenes da região. Manifestava total indignação nas suas obras literárias contra o espírito católico, que reinava na sua cidade natal, Mbanza Congo, a respeito da continuidade do obscurantismo no seio dos povos da sua região e do tráfico de seres humanos que na altura era prática corrente”.

Ainda muito jovem, aos 18 anos de idade, segundo José Calhau, Kimpa Vita, que nasceu em 1684, já exprimia sentimentos de repulsa contra os sofrimentos e privações dos seus compatriotas submetidos a trabalhos forçados e maus-tratos, vítimas de escravidão. Sobressaía nela a vontade de dirigir uma frente declarada de luta contra o regime colonial, devido à onda de injustiças vividas. Dona Beatriz Kimpa Vita contestava o fanatismo abraçado por alguns compatriotas atraídos por receios e medo. “Os seus ensinamentos continuam patentes na memória dos povos”, disse o professor José Calhau.



Retirado de MRFPress

13 de março de 2014

ONDE O VENTO PASSA



A minha pátria é onde o vento passa
onde o vento manso ou furioso traça
serpentes de mar sobre o areal e a duna.
A rosa-dos-ventos florindo, afortuna
o chão árido, ouro do sul inteiro
silvando um grito hirto, certeiro
para na minha sede a saudade matar
nesse grito alto: meu Namibe,
eterno deserto que ainda não sei cantar.

   

Namibiano Ferreira



Baía do Namibe - fotos Portal de Angola

7 de março de 2014

TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL MEDE A CORRUPÇÃO DO GLOBO



A Transparency International Corruption Perceptions Index para 2013, coloca Angola na 153 posição, num total de 177 países e territórios, com 23 pontos. A pontuação vai de zero (altamente corrupto) até 100 (ausência de corrupção). Segundo a Transparência Internacional, que publica este relatório, nenhum país está isento de corrupção, o que nos diz que ela, a famigerada corrupção, é uma actividade humana universal.  Mas quando comparamos a corrupção que existe na Dinamarca ou na Nova Zelândia, os menos corruptos do planeta, com a pontuação de 91 pontos, verificamos o quanto é catastrófica e altamente poluente a corrupção em Angola. Compare-se outros países africanos, veja-se o caso do Botswana (30 lugar com 62 pontos)  e Cabo Verde (41 lugar com 58 pontos), os dois países menos corruptos em África, Angola está a léguas de distância e o Botswana é o maior produtor de diamantes em África...
Os países da CPLP, estão assim colocados, no total dos 177:

Portugal (33 - 66 pts) 
Cabo Verde (41 - 58pts) 
Brasil e S. Tomé e Príncipe (72 - 42 pts)                        
Moçambique e Timor-Leste (119 - 30 pts) 
Angola (153 - 23 pts) 
Guiné-Bissau (163 -19 pts).

No link abaixo pode verificar estas mesmas classificações:

5 de março de 2014

POLÍCIA LIBERTA REGEDOR CAPENDA-CAMULEMBA

Polícia Liberta Regedor Capenda-Camulemba
Por cwhommes - 28 de Fevereiro, 2014
Por Lusa
O ativista de direitos humanos angolano Rafael Marques afirmou à Lusa que foi libertado o chefe tradicional angolano sua testemunha no processo Diamantes de Sangue, que tinha sido detido hoje de manhã em Angola.

“Mwana Capenda acabou de ser libertado mas está sob termo de identidade e residência e não pode ausentar-se da localidade onde vive, em Angola, sem autorização policial”, disse à Lusa Rafael Marques, jornalista e ativista de direitos humanos que chamou o soba das Lundas, zona diamantífera angolana, como testemunha no caso que está a ser julgado em Portugal.

Nove generais angolanos recorreram à justiça portuguesa para processarem por difamação Rafael Marques, autor de “Diamantes de Sangue”, um trabalho de investigação sobre as Lundas.

De acordo com Rafael Marques, a polícia disse ao soba Mwana Capenda que a detenção está relacionada com um caso que envolveu uma arma de fogo, pouco antes da deslocação do chefe tradicional a Lisboa, este mês.

O caso foi mencionado em Portugal por Mwanda Capenda, que acusou um polícia de o ter ameaçado com uma pistola, numa tentativa de o intimidar para não prestar depoimento como testemunha de Rafael Marques.

O polícia acabou por ser desarmado pelos acompanhantes do soba, que entregaram de imediato a pistola na comissaria da polícia.

Segundo Rafael Marques, durante a detenção, que ocorreu hoje às 09:00 (08:00 em Lisboa) Mwana Capenda foi também questionado sobre a deslocação a Lisboa, onde prestou testemunho em tribunal.

O chefe tradicional angolano esteve presente também num colóquio sobre direitos humanos em Angola que decorreu no dia 07 de fevereiro no Gabinete do Parlamento Europeu, em Lisboa, organizado pela eurodeputada socialista Ana Gomes.

“É muito feio e uma desonra para o país que estas testemunhas estejam a ser estejam a ser perseguidas de forma vil e que a polícia tenha tido a coragem de os questionar sobre o que vieram fazer a Portugal”, disse ainda Rafael Marques, que relatou também hoje alegadas ameaças contra Linda Moisés da Rosa, outra testemunha sua no mesmo caso.

Retirado de Maka Angola (http://makaangola.org/2014/02/28/policia-liberta-regedor-capenda-camulemba/), com a permissao dos autores do site.

4 de março de 2014

SOU UM PÁSSARO...


 

Sou um pássaro
na infinidade do azul claro
na infinidade do azul infinito
meu grito
ecoa a liberdade
das infinidades da infinidade.

Sou vida marinha vida aquática
navego as profundezas
e encantos dos oceanos
revoltos e serenos
navego a força mítica
da força das correntezas.

Sou astro no Universo imensurável
vivo a explosão da vida
no além insondável
das galáxias escondidas
vivo a vida no além empoeirado
do cosmos distanciado.

Sou vulcão sou lava
em fervuras nas entranhas da terra
grito a essência
grito a efervescência
da bravura na rocha viva
grito a explosão da vida na rocha viva.

Sou as ondas do mar
em altas braçadas, Atlântico
Pacífico, Índico
sou a sinuosidade do curso
da imensidão do Universo
em braçadas de expansão, a amar!

Sou um pássaro
na infinidade das infinidades do azul claro!


Décio Bettencourt Mateus

In Gente de Mulher


Luanda, 25 de Novembro de 2005.
 http://mulembeira.blogspot.co.uk/ 

DOIS POEMAS DE COSTA ANDRADE


Francisco Fernando da Costa Andrade ou simplesmente Costa Andrade, também conhecido por Ndunduma wé Lépi, nome de guerra adoptado nos tempos da guerrilha no Leste de Angola, durante os idos anos 60 e 70, é natural do Lépi, localidade situada na actual província Huambo, onde nasceu em 1936. Fez os estudos primários e liceais na cidade do Huambo e Lubango. 

AUTOBIOGRAFIA

Não existe mais
a casa onde nasci
nem meu Pai
nem a mulambeira
da primeira sombra.

Não existe o pátio
o forno a lenha
nem os vasos e a casota do leão.

Nada existe
nem sequer ruínas
entulho de adobes e telhas
calcinadas.

Alguém varreu o fogo
a minha infância
e na fogueira arderam todos os ancestres.


LIMOS DE LUME

conto ainda
e já o conto
ai nos zeros
dos biliões

um milhão trezentos mil
cinco milhões e prossigo
oito milhões
ou dez?
os números também falecem
com o seu tempo a contar
ainda agora há pouco tempo
e tanto tempo passou passa o tempo
passará
passaria doutro modo?

Passe o tempo temporão
somos tantos e tão poucos
vem a paz demora ainda?
Quem espera pela demora?

é tempo de caminha!



Francisco da Costa Andrade 

27 de fevereiro de 2014

PEQUENO HINO AO SOL


Reconheço-te, ò Sol,
és a minha matutina luminescência
que, partindo na véspera da noite,
voltas dourando a manhã
de vida, espanto, verdor e poesia.

Ò Sol, nesta luz sadia da manhã  
os poemas do Eugénio são bagos
matutinos de lume e romã:
ò Sol, também eu quero ficar cego
de tanta claridade e por isso,
ofereço-te as conchas de fogo
que trago no regaço de minhas mãos
trémulas e famintas de poesia.


Namibiano Ferreira

25 de fevereiro de 2014

OS MENINOS DO HUAMBO









Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos de Huambo fazem alegria
Do ceu puxando as cadentes mais bonitas

Com lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Com os nomes mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Juntam fapula com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar

Divide a chuva miudinha por o milho
Multiplicam o vento pelo poder popular

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
Que até já dizem que as estrelas são do povo
Porque meninos inventaram coisas novas
Que até já dizem que as estrelas são do povo

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Assim contentes à voltinha da fogueira
Soltam ao ceu as estrelas ja escritas
Novas palavras para fazer redaçoes
Escapando ao se esvadeio ao machado
Para os meninos tambem sao constelações
Constelações que brilham sempre sem parar

Palavras deste tempo sempre novo
Multiplicam o vento pelo poder popular
Porque meninos inventaram coisas novas
Que até já dizem que as estrelas são do povo
Porque meninos inventaram coisas novas
Que até já dizem que as estrelas são do povo

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade


Manuel Rui Monteiro