foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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11 de novembro de 2013

DIPANDA, UM BOM DIA PARA TODOS


1975 - 2013 - VIVA O 11 DE NOVEMBRO



REFLEXÃO PARA HOJE



Não é o poder que corrompe, mas o medo. O medo de perder o poder corrompe aqueles que  o exercem e o medo do açoite do poder corrompe aqueles que estão sujeitos a ele (...) em qualquer sociedade onde o medo é frequente, a corrupção grassa em todas as formas tornando-se profundamente enraizada.



Aung San Suu Kyi 

(Do discurso "Freedom from fear", proferido in 1991.)

5 de novembro de 2013

POEMA DE NOK NOGUEIRA


Se me vierem saudar à porta deixá-la-ei entreaberta
para que o vento a feche as mãos são por de mais
puras para que se fechem diante dos homens
não entendo como fora difícil decifrar que o tempo
é um extracto do que se considera como sendo um
preciso compor de velhos instantes
alguém me seguirá caso a porta se mantenha
entreaberta entre o corredor e o acesso dos degraus
das escadas cuja cor se confunde com o castanho
e o vermelho do barro e a secular pintura dos homens
inscritas em velhos jornais
se crescem plantas entre as avenidas é porque alguém
as jogou primeiro como vivas sementes em terreno
nacional e em praça municipal
se colho de tarde restos de brilhos do sol onde nasce
a lua continua o arquivar da luz para que as noites
nunca se esgotem em nós para que as palavras nunca
se nos pereçam e para que sejamos nós mesmos diante
de um acordeão em bailes de rebita
se me vierem saudar à porta deixá-la-ei entreaberta
para que o vento a feche pois as mãos são por demais
puras para que se fechem diante dos homens



Nok Nogueira, in Jardim de Estações.

29 de outubro de 2013

KIANDA


 
Imagem retirada de Malembe Malembe


Nua, vestida de vento e purpurina
a Kianda penteava o mar
nas tranças maresia do cabelo
e trazia pedacinhos de salsugem
no fogo pétala dos beijos.
Kianda nua, pele luzidia a cantaromar
a chuva mística do semba da lua
o meu corpo afagava e eu, quase a morrer,
desejava tocar seu corpo intocável e puro:

Kianda nua, vestida de vento e purpurina...


Namibiano Ferreira

24 de outubro de 2013

MUSANGOLA - TRIGO LIMPO

Para sacudir a poeira da bunda...





UM CAFUNÉ MÃEZINHA!


À memória de Luzia Bettencourt M., minha mãe.



Um cafuné mãezinha
Um cafuné na minha carapinha
Mimos e carícias nos meus cabelos
Numa brincadeira de assim
Meu cabelo ruim
E teu cafuné a embalar meus pesadelos!

Um cafuné na minha carapinha
Teus dedos mãezinha, rios
E estrelas nos receios
E caminhos dos meus cabelos
Teus dedos tranquilos
A me afagarem assim mãezinha!

Um cafuné a embalar meus medos
E o amor a brotar e a jorrar
Na minha carapinha
Que eu oiço a voz do luar
Mãezinha
Oiço o luar nos teus dedos!

Um cafuné e conta-me estórias
E sabedorias:
“Era uma vez, o coelho e o macaco…”
Uma estória de carapinha
A adormecer noitinha
E eu durmo o embalo do teu cântico!

Os caminhos do dia correm pantanosos
Os silêncios da noite misteriosos
Eu em medos e manias
À espera das tuas estórias
Teu cafuné mãezinha
A adormecer-me a carapinha!

Oh! A noite é dura
E eu durmo insónias na noite escura
A sonhar teu cafuné mãezinha
Minha carapinha castanha
Meu cabelo ruim
À espera mãezinha, num cafuné de assim!

Um cafuné mãezinha
Um cafuné na minha carapinha!

Luanda, 20 de Janeiro de 2007.

Décio Bettencourt Mateus

in Xé Candongueiro!




23 de outubro de 2013

MÚSICA DA DÉCADA DE 70 (TCHININA, PAULINO PINHEIRO, MILA-MELO & PRADO PAIM)




~



A MÃO DO VENTO NA SAVANA

Mais de três décadas depois de surgirem Vinte Canções para Ximinha, (1971) e Caderno dum Guerrilheiro, chegou a hora da republicação desta poesia de João-Maria Vilanova. Um acto de justiça elementar a um injustiçado poeta angolano da modernidade. A poesia de Vilanova pela mão de Luandino Vieira.

Poesia - João-Maria Vilanova
Edição/reimpressão: 2007
Editor: Editorial Caminho
ISBN: 9789722116220
10,90€




Que voz perpassa
em teu dorso quando
a noite
passos-de-onça
se aproxima?
Memória de areais
Negras falésias?
Se te escutando
paciente é o trabalhar
de onda.
Eflúvios frémito
um deus muíla que subisse
monandengue
só da raiz do sangue.


João-Maria Vilanova 

22 de outubro de 2013

QUEM MATOU SOFIA ROSA - ÁFRICA TENTACAO

Homenagem ao Sofia Rosa (assassinado em 1975, no Lobito) dos África Tentacao.



NO ÓVULO DAS CIDADES



Começaram as chuvas.
O dia caminha mole e cinzento
dentro da tromba do elefante.

Nosso rio estruturou no céu
seu caudal pleno de batuques e ferreiros.

Mais altas que o vento voam as mulheres
de seios sangrando o sono azul dos pássaros.

A cabeça da terra irriga os lábios da infância.
As madeiras suspensas da fala estão húmidas.

Amanhã vamos levar nossas enxadas e depor
uma lágrima de esperma no óvulo das cidades.


José Luís Mendonça