foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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31 de agosto de 2013

28 de agosto de 2013

ENGENHO E ARTE


Outro menino do Calai que Maria Vieira fotografou. Segundo a autora da foto, este menino cantava e tocava uma tábua com 2 ou 3 cordas de nylon. A "tabiola", como eu resolvi chamar ao instrumento improvisado, tocada pelas mãozitas do menino do Calai, libertava sonoridades agradáveis ao ouvido. Pena não haver vídeo porque seria muito interessante escutar o engenho e arte desta criança das Terras do Fim do Mundo, a província do Cuando-Cubango. 



Para o Menino do Calai que tocou e cantou para os participantes do 6 Raid TT Kwanza Sul. Ver vídeo na youtube http://youtu.be/yPLMFsMybLY ao minuto 33, aparece o menino a tocar, este texto foi também baseado nas fotos de Maria Vieira, aqui publicadas.

Os olhos dos teus olhos pedem a vastidão do mundo. A música que nos ofereces, límpida e pura, é rasgada à mudez de uma tábua com duas ou três cordas de nylon pregadas. Fazer música deste nada absoluto, é talento que nem todos podem e sabem executar. O teu engenho e arte, Menino do Calai, repercute na pele do tambor dos nossos ouvidos e as nossas almas vibram coloridos sorrisos como se fossem o sol, o rio, o vento e o mar que não conheces.
Para quem tem tão pouco ou mesmo nada, tu deste o melhor de ti: o teu talento! Não posso dar-te o mundo... mas gostaria muito de te oferecer uma viola. E ver-te sorrir.


Namibiano Ferreira



Fotos de Maria Vieira

Estas fotos de Maria Vieira foram tiradas no último Raid TT Kwanza Sul (2012)


Neste vídeo do Raid, de quase 1 hora e mais ou menos ao minuto 33, o nosso heroi aparce a cantar e a tocar.
Caso queiram ouvir, aqui está:


27 de agosto de 2013

FAZENDO OS SEUS PRÓPRIOS BRINQUEDOS...

 No Calai, Cuando-Cubango, em Angola, onde Maria Vieira tirou estas fotos, nao existe o "Toys R Us", nem é preciso porque os meninos do Calai, fazem os seus próprios brinquedos. Toys Made by us.


Fotos: Maria Vieira

21 de agosto de 2013

DIAMANTES DE SANGUE - LIVRO DE RAFAEL MARQUES

Na província angolana da Lunda­Norte, onde se concentram as principaiáreas de exploração aluvial diamantífera, grande parte dos habitantes vive em regime de quase escravatura. São impedidos de manter actividades de auto­subsistência, roubados, torturados, assassinados. As forças armadas e as empresas privadas de segurança protagonizam os crimes com total impunidade. As autoridades e o governo ignoram esses crimes.
Jornalista de investigação, Rafael Marques é um dos principais responsáveis por denunciar e divulgar os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam.
«Diamantes de Sangue» é uma investigação sobre personalidades, instituições e empresas envolvidas no negócio dos diamantes e inclui o testemunho de centenas de vítimas.

Editora Tinta da China (Portugal)

13 de agosto de 2013

AINDA A GUERRA NAS MINHAS MÃOS

Há uns anos escrevi o texto abaixo, inspirado sobre a foto que ilustra esta postagem. Na altura nao sabia quem era o autor da mesma e também nao havia a certeza absoluta mas adivinhava-se tratar-se da guerra na Serra Leoa. Volto a repor a postagem... também Angola tem os seus mutilados, as suas cicatrizes de guerra.

AINDA A GUERRA NAS MINHAS MÃOS


Construimos a paz subindo degrau a degrau a construção. E o homem vive ainda a guerra na encruzilhada perene dos dias que lhe faltam para que lhe cantem komba.


Acabou a guerra e, no entanto, ainda a guerra nestas minhas mãos que não vejo, nestas minhas mãos perdidas em vão numa guerra que nada vos custou, a vós. Para mim, o preço, foram as minhas mãos irremediavelmente perdidas e, o prémio ganho, a dependência às mãos e à vontade alheia.

Komba - cerimonias funebres.
NAMIBIANO FERREIRA


Yannis Kontos, Polaris Images.
O filho ajuda o pai a vestir-se, Serra Leoa



O pequeno Abu (7 anos) abotoa o colarinho do pai, no abrigo que partilham num campo para amputados, perto de Freetown, na Serra Leoa. Ambos os braços de Abu Bakarr Kargbo foram cortados por rebeldes da Frente Unida Revolucionária, durante a longa guerra civil da Serra Leoa. Após a celebração de um acordo de paz em 2004, combatentes de ambos os lados beneficiaram de programas de reinserção social, mas pouco se fez pelos amputados.

Foto e texto retirados do blog: http://artephotographica.blogspot.co.uk/

NOVO LIVRO DE GOCIANTE PATISSA

Novo livro do escritor e jornalista Gociante Patissa, lançado em Benguela e no Lobito, respectivamente, a 10 e 11 de Agosto corrente.
"Não Tem Pernas o Tempo" é o primeiro romance do jovem autor de Benguela. Na sua obra já editada constam os seguintes títulos: “Consulado do Vazio (poesia)” - 2008, “A Última Ouvinte (contos)” - 2010. Está para breve a edição de “Guardanapo de Papel”, um inédito de poesia com a chancela da editora Nóssomos, em Portugal.



28 de julho de 2013

COLAR DE MISSANGAS

 Tela de Neves e Sousa



naquela rua da praça…

foi ali que a encontrei
e conheci
e gostei
de a ver passar
com a quinda na cabeça…

não notei as cores dos panos,
não notei o que levava
para vender.
só reparei
e gostei
do seu colar de missangas.

soube depois
que era recordação
dum homem com quem vivera…

um dia
- quantos já passados –
estava ela na baía
quando o guerreiro,
fogueiro
ou marinheiro
de cabotagem,
apareceu por ali.

encontrou-a
convidou-a,
ela foi
e ofereceu-lhe o colar.

depois seguiu a viagem
e a vida seguiu também.

meses passados
nasceu-lhe o filho.
gostou,
ficou contente.
Depois
morreu-lhe o filho.
chorou,
enlouqueceu de repente.

e agora
todas as manhãs
quem quiser a vê passar
a caminho da quitanda
com a quinda na cabeça.

e conta os dias
passados á espera do filho,
pelas missangas
rubras, da cor das pitangas,
que vai pondo,
dia a dia,
no fio do seu colar.
ontem
quando a vi passar
o colar
tinha dez voltas…


Aires de Almeida Santos  

SUBPOESIA



Subsaarianos somos
sujeitos subentendidos
subespécies do submundo

subalimentados somos
surtos de subepidemias
sumariamente submortos

do subdólar somos
subdesenvolvidos assuntos
de um sul subserviente


José Luís Mendonça


(Chuva Novembrina)

MORINGUE




No silêncio-claridade
da manhã das noites
escrevo a luz da poesia
moldada em versos
vermelhos de terracota
como se fossem moringues
de água fresca e pura
e, no entanto, sabem
os deuses eu sou um filho
espúrio da terra que amo,
negra na raiz vermelha
do corpo e da alma
sangue molhado a gritar
na força kazumbi-kwanza.


Namibiano Ferreira

23 de julho de 2013

ALINE FRAZÃO - A VOZ




Primeiro Mundo

Eu não sei porquê
Hum incêndio dentro de cada janela e se vê
Eu não sei porquê
Este incêndio que arde dentro
Come o corpo todo e a gente finge que não vê

Mas por dentro arde,
como não vai arder?
Se na minha terra não tem pra comer
Já quase creio que não tenho o direito de ser alguém
E por isso arde
Ter de dizer adeus
Sem saber se o deserto me vai vencer
Juntar os últimos sonhos com a roupa do corpo
Partir por mim e pelos meus
E afinal... tem que haver algum deus.

Eu não sei porquê
Hum incêndio dentro de cada janela e se vê
Eu não sei porquê
Este incêndio que arde dentro
Come o corpo todo e a gente finge que não vê

Mas por dentro arde, como não vai arder?
Se chegando no primeiro mundo
me sinto mais esquecido do que era no segundo
Arde o carimbo de ilegal
Preconceito racial
Só por ter nascido mais ao sul

Xê, gente do primeiro mundo
Pais da civilização
Por não ter um papel acabei numa prisão
Xê gente da terra inteira
Queima o fogo da desilusão
Este primeiro mundo só de brincadeira

Tens que entender
Que não há diferença entre nós
É a mesma essência
E se a minha liberdade não existe
A tua é só aparência


 (Música e Letra: Aline Frazão)