foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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23 de julho de 2013

PARA ALDA LARA



Alda Lara - Poetisa 



Entardecer em Benguela


Em Benguela, ao entardecer,

quando o sol – pitanga rútila –

se suspende sobre o mar

e a praia morena

se espreguiça

ansiando o luar

Alda Lara vem,

coroada de buganvílias vermelhas,

semear múcuas de sonhos

sobre a terra tão amada...

sonhos que são veludo negro

pintados de estrelas:

olhos-diamantes-leopardos...



Namibiano Ferreira

21 de julho de 2013

A HORA DAS CIGARRAS de 28 Abr 2013 - RTP Play - RTP




A HORA DAS CIGARRAS de 28 Abr 2013 - RTP Play - RTP

A HORA DAS CIGARRAS

Poesia de Nok Nogueira. Música de Lilly Tchiumba, Teta lando, Carlos Burity, Banda Maravilha, Paulo Flores e Bonga.

20 de julho de 2013

O RIO



Quem ouve o silêncio de um mundo vazio ouve enfim a voz do vento. Lamentável fora a vida antes dela se tornar como tal, pois nunca a tivera visto como sendo um instante primeiro de que me devia ainda orgulhar. O que existe entre mim e o nada das coisas é exactamente este silêncio de que me detenho submisso desde que aqui me revejo como homem, como instante de vida humana. Antes de mim existira entre os homens um contíguo de pétalas róseas ao qual nunca se fizera comparação alguma. Hoje, o que restou de um milésimo de vida são apenas reflexos dos tempos que se não apagam, pois eles estarão sempre presentes, como as flores que hoje cravo nos lábios das mulheres que vejo passar em meus sonhos. Não vejo quantos ventos ainda hei-de de colher, vejo apenas a imagem de um rio que breve se me apresenta, fosse uma manifesta declaração de amor que a qualquer instante há-de chegar aos meus ouvidos.

Nok Nogueira


Rio, in. Pensamentos 

18 de julho de 2013

PARABÉNS PARA O MADIBA




Talvez pela última vez... volto a publicar neste dia, o poema:


HAPPY BIRTHDAY MR. MANDELA




Manda a Liberdade

que eu te cante

HOMEM entre os homens,

imortal!

Hoje, nos céus, riscaram os Deuses,

a Constelação da igualdade, paz,

perdão e liberdade:

Constelação Mandela

Constelação nova

do mundo que tu sonhas

bailando luz de savana

na brisa do teu riso…



Mandela, manda a Liberdade

que eu te cante…

mas perdoa a brandura do meu brado!



Mandela, na tua alma

ondula a savana loura;

na tua coragem

o rugido do leão;

nos teus olhos

a docilidade da gazela;

no teu sorriso

o sol da Igualdade.



Salvé, filho ungido da Liberdade!

Salvé, HOMEM entre homens,

imortal!

És o verdadeiro Prometeu africano!

Parabéns Mr. Mandela!

Hoje, nos céus, riscaram os Deuses

a Constelação nova

a Constelação Mandela

a única que viaja no céu dos Hemisférios…



King’s Lynn, 18/07/2008


Namibiano Ferreira

Amandla!

NGAWETHU!!

17 de julho de 2013

Ó ANGOLA MEU BERÇO DO INFINITO




Ó Angola meu berço do Infinito
meu rio da aurora
minha fonte do crepúsculo
Aprendi a angolar
pelas terras obedientes de Maquela
(onde nasci)
pelas árvores negras de Samba-Caju
pelos jardins perdidos de Ndalatandu
pelos cajueiros ardentes de Catete
pelos caminhos sinuosos de Sambizanga
pelos eucaliptos das Cacilhas
Angolei contigo nas sendas do incêndio
onde os teus filhos comeram balas
e
regurgitaram sangue torturado
onde os teus filhos transformaram a epiderme
em cinzas
onde das lágrimas de crianças crucificadas
nasceram raças de cantos de vitória
raças de perfumes de alegria
E hoje pelos ruídos das armas
que ainda não se calaram pergunto-me:
Eras tu que subias montanhas de exploração?
que a miséria aterrorizava?
que a ignorância acompanhava?
que inventariavas os mortos
nos campos e aldeias arruinados
hoje reconstituídos nos escombros?
A resposta está no meu olhar
e
nos meus braços cheios de sentidos

(Angola meu fragmento de esperança)
deixai-me beber nas minha mãos
a esperança dos teus passos
nos caminhos de amanhã
e
na sombra d´árvore esplendorosa.)



João Maimona
In “Traço de união”

16 de julho de 2013

TAMBOR

foto: povodearuanda.br


A alma do poeta é um tambor. Há alguém, do outro lado do muro, que desce as mãos sobre a minha pele de tambor e repercute a mais cardíaca das vibrações: POESIA!

Esta bênção e única verdade realmente acontecida.


Namibiano Ferreira

15 de julho de 2013

MOXICO

 fotos.portalangola.com - Moxico, rio Zambeze



Na aurora dos dedos trazias o sudário de Deus
ouro emprestado ao sol a espreguiçar-se matinal
nas franjas digitaliformes do céu aceso a sorrir
o poema do ritual quotidiano da terra Leste cardeal
a vibrar fulgente na percussao da ngoma batida.


Muximangoma muximangoma
taquicardia de vida a falar: Ixi-Yá-Ixi-Yá
Ixi-Yá-Mavuuuuuu...
Moxicongoma Moxicongoma
a viajar abraço Luena;
a beijar lábios Cameia;
a dedilhar kissanje Luau;
a crescer carinho Cazombo;
a cantar sorriso Lumeje
Moxico do Leste Moxico da vida
a bater na pele telúrica da ngoma
só a falar: Moxico Moxico
Moxicongoma Moxicongoma
ngoma de vida a falar: Ixi-Yá-Ixi-Yá
Ixi-Yá-Moxico Moxico-Mavuuuuu...
Terra do Leste – de onde vem o Sol –
terra do ventre terra  dos Deuses
umbigo de rio Ixi-Yá-Ixi-Yá... Ixi-Yá-Riooooo
Zambeze divino prece a correr nos lábios 
verdes e na pressa de um hino canta
clama África num grito de zagaia a zunir
e amor intenso a sorrir ao sol do Leste
taquicardia de vida a falar: muximangoma
Moxicongoma Áfricangoma Áfricangoma...



Namibiano Ferreira 


NÓSSOMOS - EDITORA DE LITERATURA ANGOLANA

Quem Nóssomos

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Somos, simplesmente, uma micro-editora. Ou, talvez melhor, uma reeditora para a literatura angolana e sobretudo para a sua poesia – elemento fundamental da definição da identidade cultural contemporânea de Angola.

ESPUMA DO MAR


Te sinto chegar como espuma
Do mar num domingo à tarde.

Despertas a intensidade do meu voo
Sobre as asas abertas do teu sexo.

Fracturas a humana equação
da intimidade do verão.

Me lambes como quem
Lambe um prato de feijão de óleo palma.

Boca a boca, semente a semente, laranja sem gomos
Plurimaturada a tua língua
Por detrás dos joelhos rói
A cartilagem da minha alma:
Viro ninguém numa paragem de candongueiro.

Boca sem gomos, laranja a laranja
O coaxar dos sapos nos teus olhos rasos de água
E o colidir da chuva contra o insecto
Branco »cor de vinho« da tua palavra
Bebem dessa construção.


José Luís Mendonça

14 de julho de 2013

BENGUELA

 foto por: mariamia / panoramio


"obrigado por me teres dado a "Mena", a Irmã que nunca tive


Numa das longas conversas,
Que tive com minha Avó
Perguntei-lhe se conhecia Benguela.
A minha Avó respondeu-me:
Conhecer eu não conheço,
Mas já ouvi falar dela.
Perguntei-lhe, se conseguia,
Num mapa localizar.
Ou por seus olhos cansados
Ou porque o mapa era velho.
Precorreu-o de alto a baixo
Não conseguiu encontrar.
Para eu não ficar triste,
Pediu-me lápis de cor,
E em seu estilo Naiff,
Sobre uma folha branca,
Com o castanho fez vários riscos, 
Com o vemelho fez bolinhas
Chamou-lhe Acácias em flor.
Dum lado e de outro de um morro,
Desenhou duas baías.
Que mais pareciam contorno,
De dois seios de mulata.
Com o azul pintou o mar, 
Com o amarelo fez um sol,
A uma chamou-lhe Azul.
A outra chamou-lhe Farta.
Três praias mais desenhou,
A uma chamou Caota...
E Caotinha à mais pequena.
Mais ao lado, para mim, 
A mais bonita...
Chamou-lhe praia Morena
Com o mesmo azul da praia,
Fez um rio.
A preto pintou um barco...
Com o amarelo bananas,
De resto tudo era verde...
Chamou-lhe rio Cavaco.
 


Segurou naquele desenho,
Como não sabia ao certo,
Em que lugar no mapa,
Deveria colocar!
Disse-me escuta meu neto.
Quando para o sul viajares
E chegares a uma cidade
Com praias maravilhosas,
Com acácias floridas,
E muitas mulheres bonitas,
Nas ruas ou à janela.
Pára...
Porque ou já é, ou estás perto
Dessa Cidade tão linda,
A que chamam de Benguela.



                        Olimpio C. Neves (Angola)