foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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1 de agosto de 2012

RECICLANDO...



Os meninos de Angola, exercitam a imaginação, o engenho e reciclam, fazem os seus próprios brinquedos...

28 de julho de 2012

AROMA


Para Dinah




Os bagos da romã

 – rubis escarlates, hialinos –

São moléculas de suco e açúcar;

São beijos dos teus lábios

Pétalas de amora

Pomar de ternura

E aroma de romã.

Namibiano Ferreira

19 de julho de 2012

PARABÉNS SR. MANDELA





Amandla!

NGAWETHU!!


HAPPY BIRTHDAY MR. MANDELA




Manda a Liberdade

que eu te cante

HOMEM entre os homens,

imortal!

Hoje, nos céus, riscaram os Deuses,

a Constelação da igualdade, paz,

perdão e liberdade:

Constelação Mandela

Constelação nova

do mundo que tu sonhas

bailando luz de savana

na brisa do teu riso…



Mandela, manda a Liberdade

que eu te cante…

mas perdoa a brandura do meu brado!



Mandela, na tua alma

ondula a savana loura;

na tua coragem

o rugido do leão;

nos teus olhos

a docilidade da gazela;

no teu sorriso

o sol da Igualdade.



Salvé, filho ungido da Liberdade!

Salvé, HOMEM entre homens,

imortal!

És o verdadeiro Prometeu africano!

Parabéns Mr. Mandela!

Hoje, nos céus, riscaram os Deuses

a Constelação nova

a Constelação Mandela

a única que viaja no céu dos Hemisférios…




King’s Lynn, 18/07/2008



Namibiano Ferreira

4 de julho de 2012

CONTRASTE






No burburinho ferroso
dos metais a tinir cinzas
lamúrias

guerras

ignorâncias

quotidianas

perdi os livros do Hesse
e isso foi um grito calado
e tão profundamente antagónico
como triste e cruel...

Namibiano Ferreira


12 de junho de 2012

POEMA NO VENTO E NO TEMPO


Lagoa do Arco - Namibe - Angola


Vivendo na nortada do vento
tempos-sul
persistem e florescem
lianas
entrançando a alma
com odores-vento
perfumes-tempo
desabrochando meninos
risos de welwitschias.


E aqui, neste corropio europeu,
vou fugindo
ousando, ainda, sonhar
o luando-prata
leve flutuando... carvão.


Namibiano Ferreira, in No Vento e no Tempo


Welwitschia/Tombua - Deserto do Namibe

29 de maio de 2012

UM LIVRO...

Um livro sobre Sita Valles e, de certa maneira,  sobre o 27 de Maio de 1977, essa nódoa negra na jovem História de Angola. "Honramos o passado e a nossa História", um simples verso do Hino Nacional que é preciso honrar também...









Sita Valles, nasceu em Cabinda, angolana de origem luso-goesa. Teve uma vida muito breve (1951-1977). Mas intensa. Desde que tomou consciência das injustiças do mundo, não mais deixou de ser um turbilhão político. Muito activa, quer na clandestinidade, quer em democracia, ela lutou por uma sociedade melhor.
Depois da independência optou pela nacionalidade angolana. No 25 de Abril de 1974 estudava Medicina em Lisboa, mas no Verão Quente regressou à que pensava ser a sua terra. Na República Popular de Angola defendeu a ortodoxia soviética em supostos tempos de democracia. Ali acabou por ser acusada, sem direito a contraditório, de ser um dos cérebros do alegado putsch, do 27 de Maio de 1977. E ali foi fuzilada, pensa-se, em Agosto desse ano.
Três décadas depois da sua execução - juntamente com José Van Dunem, Nito Alves e muitos outros -, a jornalista Leonor Figueiredo, autora de Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola (Alêtheia Editores, 2009), investigou, recolheu testemunhos, procurou memórias antigas de uma jovem mulher e da sua história brutal, que se tornou num mito de uma geração.




Excerto do livro:


Diz-se que Sita Valles foi fuzilada às cinco da manhã do dia 1 de Agosto de 1977. Um tiro em cada perna, um tiro em cada braço. O corpo caiu na vala previamente aberta, antes de desferido o disparo mortal. Ou o que restava de Sita, após as torturas e a orgia de violações pelos homens da Direcção de Informação e Segurança de Angola (DISA), a polícia política do regime. Um tractor aplainou o terreno. Diz-se também que a bela, elegante e inteligente comunista de origem goesa – uma portuguesa de coração africano – se manteve rebelde até ao último momento. Dizia que não tinha medo e que quanto mais depressa a matassem melhor. Ao recusar ser vendada, obrigou os atiradores do pelotão de fuzilamento, a enfrentarem o seu olhar, antes de apertarem o gatilho.




Sita Valles
Revolucionária, Comunista até à Morte (1951-1977)
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 250
Editor: Aletheia
ISBN: 9789896222949


28 de maio de 2012

27 de MAIO - 35 ANOS




(Na época, uma foto de nitistas publicada pelo Jornal de Angola e recordada pelo semanário Novo Jornal, em 2009**)

Decorrem hoje 35 anos que aconteceu uma das páginas mais negras da história político-social de Angola.



Há 35 anos ocorria, o nunca esclarecido, fratricídio do 27 de Maio entre militantes do MPLA, então MPLA-Partido dos Trabalhadores.

De um lado, apoiantes de Agostinho Neto, à época o presidente da então República Popular de Angola, e do então major José Eduardo dos Santos, relator do Processo movido a Nito Alves.

Do outro, precisamente Nito Alves - a quem se atribui a autoria da famosa carta que conteria as não menos famosas "13 Teses de Nito Alves", embora haja que as mesmas teriam sido escritas por um militante e comissário político em Cabinda de nome Pedro Santos(*) - e de outras personalidades que fomentariam o "fraccionismo", assim então foi descrito pelo apoiantes de Neto, como Zita Valles, Ademar Valles ou José Van-Dunem.

É certo que houveram, esses são pelo menos os diversos testemunhos, mais ou menos credíveis, imensos mortos e centenas de detidos, alguns dos quais continuam desaparecidos.

Oficialmente, só estão referenciados como "mortos oficiais" 7 angolanos entre apoiantes e adversários: os 4 acima citados do "fraccionismo", Saydi Mingas, Helder Neto e Eugénio Veríssimo da Costa "Nzaji".

Esta foi uma crise que ultrapassou a gamela do MPLA. nela intervieram directa e indirectamente soviéticos e cubanos. Com a particularidade de, cada um, apoiar uma das facções. segundo alguns autores e analistas terá sido aqui que começaram a esfriar as relações entre a antiga URSS e Cuba.

Há quem também adiante que foi aqui que Neto começou a perde a "simpatia" de Moscovo e...

35 anos depois ainda há famílias que gostariam de fazer o devido luto.

Só que as autoridades angolanas, ou melhor, as cúpulas do MPLA mantêm um absurdo mutismo sobre o 27M e as suas consequências.

É altura do MPLA abrir-se, de vez, à comunidade e criar, internamente ou mesmo através do Governo nacional, na linha do que fez, e muito bem, a África do Sul e, mais recentemente, o Brasil, uma Comissão de Verdade onde tudo pudesse ser transmitido à comunidade e libertar todos os fantasmas.

Não creio que isso viesse a criar engulhos ao partido maioritário. Pelo contrário. A transpar~encia é o melhor remédio e as famílias respirariam, finalmente, mais facilmente!

Enquanto isso, muitos angolanos vão continuando a olhar para o 27M e esperando...



* Esta matéria pode ser lida no meu livro "Angola, potência regional em emergência", que está - ou pelo menos já esteve - à venda na Livraria da Chá de Caxinde!
** Esta foto também pode ser vista no meu livro!


NOTA: Uma rectificação e uma clarificação. A companheira de Nito Alves é Sita e não Zita como aqui escrevi. As 13 teses de Nito foram reconhecidas como as "13 teses em minha defesa"!
O meu agradecimento a quem me chamou a atenção.



Créditos do texto: Eugénio Costa Almeida no seu blog: http://pululu.blogspot.co.uk/


Nota do Autor do blog:

Sita Valles, nao era, nem nunca foi companheira de Nito Alves mas sim de José Van Dúnem.

25 de maio de 2012

DIA DE ÁFRICA - 25/05/2012


ÁFRICA

Chego à boca de cena
e digo África:
Quando eu morrer
dá-me os teus olhos
 – anjos – de Kilimanjaro;

Monte Kilimanjaro

dá-me os teus beijos
– Tômbua – de Namibe;
dá-me os teus afagos
– sonhos – de Kalandula

Quedas da Kalandula (rio Lucala - Angola)

e deixa-me o dongo flutuar
Kwanza no caminho
verde de Kalunga...

Namibiano Ferreira