19 de maio de 2012
12 de maio de 2012
SONA: OS DESENHOS NA AREIA
Os sona (singular
lusona) são desenhos feitos na areia pelo povo Tchokwé que habitam o Nordeste e Leste
de Angola e países limítrofes (Rep. Democrática do Congo e Zâmbia). Outrora, os sona eram comuns a outras áreas
geográficas de Angola mas foram desaparecendo e também hoje os desenhos na
areia dos Tchokwé correm o mesmo destino. Há cada vez menos pessoas a
desenhá-los. O matemático Paulus Gerdes, descobriu neles propriedades matemáticas
notáveis, por exemplo no domínio da Análise Combinatória e editou um pequeno
livrinho que nos ensina a executar sona e também nos explica esta notável tradição
Tchokwé. Eu tenho um exemplar em língua inglesa “Drawings from Angola”, não sei
se existe em português mas creio que há uma versão brasileira.
Como se desenha
um lusona?
Depois de preparado e alisado o solo, o desenhador começa pela marcação de uma quadrícula de
pontos, marcados a espaços regulares com as pontas dos dedos. Em seguida, à volta
dos pontos, vai traçando linhas retas e curvas que se mantêm sempre
equidistantes dos pontos. As linhas são sempre fechadas, sendo cada uma delas
traçada sem levantar o dedo da areia e seguindo regras bem específicas, que são
impostas pela tradição. Enquanto vai traçando as linhas o desenhador narra a sua história. Um excelente desenhador tem a admiração e o respeito do seu povo.
Foto blog Angola Rising
Os sona são uma
forma de escrita. Nele o desenhador pode contar uma história ou uma outra
realidade da vida. Há tempos postei aqui no blogue um mito Tchokwé, para
apreciarem a força e a importância cultural dos sona volto a publicar o
mesmo mito, primeiro de forma escrita e, depois, utilizando desenhos sona.
O Mito Tchokwé:
Um dia o Sol foi
visitar Deus. Deus ofereceu ao Sol uma galinha e disse-lhe: “Regressa de manhã
antes de te ires embora”. De manhã a galinha cacarejou e acordou o Sol. Quando
o Sol revisitou Deus, ele disse-lhe: “Não comeste a galinha que te dei para o jantar.
Podes então ficar com a galinha mas deves regressar aqui todos os dias.” Daí a
razão porque o Sol circula a terra e nasce todas as manhãs.
A Lua também foi
um dia visitar Deus e também recebeu uma galinha como presente. De manhã a
galinha cacarejou e acordou a Lua e Deus voltou a dizer-lhe: “Não comeste a
galinha que te dei para o jantar. Podes então ficar com a galinha mas deves
regressar aqui em cada vinte e oito dias.” Daí a razão porque a circulação
total da Lua dura vinte e oito dias.
Um homem foi
visitar Deus recebendo também uma galinha como presente mas o homem estava com
fome depois de tão longa caminhada e comeu parte da galinha para o jantar. Na
próxima manhã já o Sol estava bem alto quando o homem acordou. Comeu o resto da
galinha, visitando Deus em seguida. Deus disse-lhe: “eu não ouvi a galinha
cacarejar esta manhã.” O homem com certo receio respondeu: “eu tive fome e
comi-a.” “Está bem,” disse Deus, “mas ouve, tu sabes que o Sol e a Lua
estiveram aqui e nenhum deles matou a galinha que lhes ofereci.” Essa é a razão
que nem o Sol nem a Lua morrerão um dia. Mas tu mataste a tua galinha e assim
deves morrer como ela. Porém, à tua morte, deves regressar aqui outra vez.”
"E assim é!"
No topo está Deus, no lado esquerdo o Sol, no direito a Lua e em baixo um ser humano. Este desenho conta a história do mito publicado acima.
Um outro desenho do mesmo mito:
Aqui, e segundo Mário Fontinha, a linha reta representa o caminho para Deus.
Encontrei
na net este blogue que apresenta uma extensa e valiosa ionformação sobre os sona, aconselho a visitá-lo, caso queiram
saber mais: http://amateriadotempo.blogspot.co.uk/2011/05/desenhos-na-areia-em-africa.html
Lusona da Amizade.
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Sona
8 de maio de 2012
ANGOLA VISTA: NAMIBE VASTO - VAST NAMIB
Foto maravilhosa da autoria do fotógrafo portugues Jorge Coelho Ferreira. Um grupo de Mucubais a sombra de uma árvore, observam dois homens jogando wela-na-kulilya (mancala).
"Namibe vasto é um belo livro de fotografias de Jorge Ferreira “sobre paisagens, gentes, animais e plantas da província do Namibe”, com texto e legendas de Cristina U. Rodrigues e design gráfico do João Ribeiro Soares. Trata-se do primeiro volume de um projecto deste autor sobre as dezoito províncias de ANGOLA, com a intenção de procurar o que é único em cada uma delas, o que permaneceu da história antiga e o sobretudo aquilo que permanece actual.
De salientar ainda o facto da imagem de Angola que o Jorge Ferreira nos parecer querer transmitir fugir do estereotipo dos safaris fotográficos e apostar numa visão da actualidade, das actividades, edifícios e diferentes formas de vida que, juntamente com as paisagens, vai encontrando no caminho. Este facto e a boa qualidade gráfica do livro fazem-nos esperar com expectativa os próximos volumes.
No prelo está já o livro sobre o Kwanza Sul com texto da Ana Paula Tavares e uma viagem pelo Cunene de preparação do livro seguinte. Parabéns e Boas Viagens!"
Texto retirado de Buala http://www.buala.org/pt/ruy-duarte-de-carvalho/namibe-vasto
24 de abril de 2012
MÚCUAS
múcuas - fruto do imbondeiro
O poema abaixo, Múcuas, encontra-se editado num livro de fotografias sobre Angola. Tratam-se de fotos da autoria de Maria Pernadas, fotógrafa amadora, natural do Lobito. O livro tem por título: ANGOLA TERRA MÃE. Se o quiser adquirir ou simplesmente admirar as belas fotos veja aqui: http://www.blurb.com/bookstore/detail/1422133
negras a escorrer de mãos digitais em desespero.
Múcua:
fruto mácula
veludo a pingar
mágoa negra
lágrima seca a chorar
escorrendo nos braços
mãos-imbondeiro
abertas aos céus
anunciando a crescer
desespero da terra
povo inteiro
múcua, mákua, mágoa
lágrima negra imbondeiro
a chorar.
Namibiano Ferreira
Múcua - Fruto do imbondeiro (baobá)
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15 de abril de 2012
12 de abril de 2012
BUALA
A Associação BUALA actua na criação e fortalecimento de pontes culturais entre África, Portugal e Brasil. Criámos uma rede de trabalho que se materializa num portal online de reflexão, crítica e documentação das culturas africanas contemporâneas, com produção de textos sobretudo em língua portuguesa e traduções em francês e inglês, de abordagem multissectorial e interdisciplinar – www.buala.org. Do significado de BUALA (casa, aldeia, comunidade na língua quimbundo) retemos esse ponto de encontro entre várias geografias e contribuições, de todos os países de língua portuguesa, celebrada na sua diversidade. O conceito de África é aqui entendido no diálogo com o mundo, e vai do Rio de Janeiro a Lisboa, com várias bases no continente africano e nas ilhas.
Em Portugues: http://www.buala.org/pt
In English: http://www.buala.org/en
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Associação Buala
11 de abril de 2012
MONANGAMBA - POEMA & MÚSICA -
António Jacinto, (1924 - 1991) nasceu em Luanda, entre outros cargos foi Ministro da Cultura. O poeta é autor deste belo poema cantado e musicado por Ruy Mingas, um outro grande senhor da cultura angolana.
Naquela roça grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações:
Naquela roça grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.
O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!
Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:
Quem se levanta cedo? quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?
Quem?
Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer
- Quem?
Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?
Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande - ter dinheiro?
- Quem?
E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:
- "Monangambééé..."
Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído nas minhas bebedeiras
- "Monangambééé..."
ANTÓNIO JACINTO, in Poemas
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5 de abril de 2012
DÉCADA DE PAZ 4 de Abril de 2002/2012
Na asa branca do
ndele a PAZ anda voando década e, no entanto, nem todas as pazes foram feitas. Ainda
há muitas reconciliações por fazer... Vamos fazer essas nossas pazes, reabilitar a memória de Viriato da Cruz e esclarecer o 27 de Maio de 1977, por exemplo.
PARA NUNCA MAIS A GUERRA
Viajando pelo vento dos tamarindeiros
procuro o secreto caminho
que há-de conduzir nossos passos
trôpegos e cansados
à glória de um Futuro brilhante.
Mas, ainda à sola dos nossos pés,
sujos e gretados
gruda-se o lodo informe dos mortos,
um lodo fétido gruda-se
também às nossas almas
rotas e cansadas.
Inda se ouvem os gritos
dos meninos amputados
das mulheres desventradas
e o lodo traz os tanques fantasmas,
cicatrizes disformes,
abandonados e queimados.
Caminhamos... devagar ainda
e os cemitérios de guerra
florescendo no altar dos nossos olhos
bordados de cruzes
no calcanhar triste da picada.
Vamos, irmão, esquecer o passado triste
mas num grito que não se cale nunca
para não fazer esquecer:
PARA NUNCA MAIS A GUERRA!
Namibiano Ferreira
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Paz
2 de abril de 2012
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