2 de abril de 2012
21 de março de 2012
PAULO FLORES & CARLOS BURITY - POEMA DO SEMBA -
POEMA DO SEMBA
Hum... HumO semba semba é canto de AvenidaÉ chuva de primavera!!Semba é morte semba é vida
Hum... Hum
O semba semba é meu choro dolenteOlhar nossa vida de frenteSemba é suor semba é gente
O canto do sembaO canto do semba ele é nobreO canto do semba ele rico O canto do semba ele pobreO canto do semba ele rico O canto do semba ele pobre
O semba no morro O semba no morro é fogueiraO semba que trás liberdadeO semba da nossa bandeiraO semba que trás liberdadeO semba da nossa bandeira
Hum.. Hum...
O semba semba é canuco de ruaNa escola da vida ele cresceDe tanto apanhar se habituaNa escola da vida ele cresceDe tanto apanhar se habitua
A voz do meu semba A voz do meu semba urbano É a voz que me faz suportarOrgulho em ser angolanoÉ a voz que me faz suportarOrgulho em ser angolano
O semba é nossa alegria PauloO semba é a nossa bandeiraÉ esperança é amor
O Semba à tua maneira mucotaSemba é nossa bandeiraNossa forma de cantar
O Semba à tua maneira mucotaSemba é nossa bandeiraNossa forma de cantar
O semba semba é nossa alegria PauloO semba é a nossa bandeiraÉ esperança é amor
Hum... Hum
O semba semba é meu choro dolenteOlhar nossa vida de frenteSemba é suor semba é gente
O canto do sembaO canto do semba ele é nobreO canto do semba ele rico O canto do semba ele pobreO canto do semba ele rico O canto do semba ele pobre
O semba no morro O semba no morro é fogueiraO semba que trás liberdadeO semba da nossa bandeiraO semba que trás liberdadeO semba da nossa bandeira
Hum.. Hum...
O semba semba é canuco de ruaNa escola da vida ele cresceDe tanto apanhar se habituaNa escola da vida ele cresceDe tanto apanhar se habitua
A voz do meu semba A voz do meu semba urbano É a voz que me faz suportarOrgulho em ser angolanoÉ a voz que me faz suportarOrgulho em ser angolano
O semba é nossa alegria PauloO semba é a nossa bandeiraÉ esperança é amor
O Semba à tua maneira mucotaSemba é nossa bandeiraNossa forma de cantar
O Semba à tua maneira mucotaSemba é nossa bandeiraNossa forma de cantar
O semba semba é nossa alegria PauloO semba é a nossa bandeiraÉ esperança é amor
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Carlos Burity,
Paulo Flores
20 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA - 21 DE MARÇO
Aos dez anos de idade li o poema A Mulemba Secou da autoria do poeta angolano, Aires de Almeida Santos. Foi o descobrir da Poesia de temática e raiz angolanas. Uma poesia que ecoava pela alma as vozes da terra. Mais tarde vieram Viriato da Cruz e Agostinho Neto, marcos importantes no meu “escrevinhar” poesia mas nunca consegui esquecer o dia primeiro em que li A Mulemba Secou. Quando mais tarde comecei a escrever, Aires de Almeida Santos estava, consciente e incosncientemente presente. Ele foi a minha fonte primária, a minha mais directa influência. Neste Dia Mundial da Poesia deixo aqui o poema que há mais de 40 anos me abriu o caminho da Luz e da Poesia:
Aires de Almeida Santos
No barro da rua,
Pisadas
Por toda a gente,
Ficaram as folhas
Secas, amareladas
A estalar sob os pés de quem passava.
Depois o vento as levou...
Como as folhas da mulemba
Foram-se os sonhos gaiatos
Dos miúdos do meu bairro.
(De dia,
Espalhavam visgo nos ramos
E apanhavam catituis,
Viúvas, siripipis
Que o Chiquito da Mulemba
Ia vender no Palácio
Numa gaiola de bimba.
De noite,
Faziam roda, sentados,
A ouvir,
De olhos esbugalhados
A velha Jaja a contar
Histórias de arrepiar
Do feiticeiro Catimba.)
Mas a mulemba secou
E com ela,
Secou também a alegria
Da miudagem do bairro:
O Macuto da Ximinha
Que cantava todo o dia
Já não canta.
O Zé Camilo, coitado,
Passa o dia deitado
A pensar em muitas coisas.
E o velhote Camalundo,
Quando passa por ali,
Já ninguém o arrelia,
Já mais ninguém lhe assobia,
Já faz a vida em sossego.
Como o meu bairro mudou,
Como o meu bairro está triste
Porque a mulemba secou...
Só o velho Camalundo
Sorri ao passar por lá!...
Aires de Almeida Santos
(Meu Amor da Rua Onze)
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5 de março de 2012
O PERFUME DAS CHUVAS
Para Midori, a minha netinha!
Quase no final das chuvas e eu choro os desbarulhos da saudade das chuvas futuras que hão-de vir depois do comprido cacimbo.
Em África, as chuvas recriam a vida como se caissem no primeiro dia do Génesis. A cada ano, quando tamborilam as primeiras chuvas, há uma musicalidade mística que habita a alma das gentes. As chuvas trazem um sentido virgem e puro como se o Mundo acabasse de ser inventado.
Aqui, na Europa, as chuvas são simplesmente chuvas, água sem alma, caindo morta e sem um sentido profético de renovação. Não há aquele odor vivo, incaracterístico das chuvas a beijar o chão seco e quente no início de cada estação. A chuva não casa com a terra.
Em África, quando o sémen dos Deuses chove sobre a terra, liberta-se um perfume fresco e telúrico de fartura cozinhada que se come, que se bebe e se respira como se cada pessoa fosse moldada no barro húmido da terra.
Namibiano Ferreira
Março 2012
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Namibiano Ferreira-Poesia
26 de fevereiro de 2012
22 de fevereiro de 2012
HOUVE UM TEMPO NA BAIXA DE KASSANJE
Na Baixa de Kassanje...
Houve um tempo
na Baixa de Kassanje
em que o algodão
branco
era roxo de fome
e sangue...
houve um tempo
de morte e revolta
na Baixa de Kassanje
as lavras
as lavras
- dizem os mais-velhos -
cheiravam a kimbos queimados
e napalm....
Namibiano Ferreira
e napalm....
Namibiano Ferreira
Colheita do algodao
Uma breve palavra sobre o que foi a Revolta da Baixa de Kassanje (província de Malanje - Angola):
A 4 de Janeiro de 1961, mais de mil camponeses da ex-Companhia de Algodão de Angola (Cotonang), foram barbaramente assassinados pelo exército colonial português ao exigirem a isenção de pagamento de impostos e a abolição do trabalho forçado.
Os acontecimentos, que se estenderam a toda a região da Baixa de Kassanje até Março do mesmo ano, envolveram milhares de tropas e policias, que chegaram a utilizar a aviação para reprimir os manifestantes. Dizem também que napalm...
Os acontecimentos, que se estenderam a toda a região da Baixa de Kassanje até Março do mesmo ano, envolveram milhares de tropas e policias, que chegaram a utilizar a aviação para reprimir os manifestantes. Dizem também que napalm...
15 de fevereiro de 2012
29 de janeiro de 2012
OS NYANEKA-HUMBI
Os Nyaneka-Humbi
Essencialmente criadores e pastores de gado mas também agricultores, os nyaneka-humbi encontram-se confinados à província da Huíla. Embora ligados aos Ovimbundu, contrariamente a estes, os Nyaneka-Humbi são fechados e pouco flexíveis. O tipo de alimentação destas populações pastoris é a base de leite e de farinha duma variedade de cereal designada massango. Tal como os agricultores do norte do país, os terrenos de cultivo não constituem propriedade individual. “O mesmo, aliás, se observa nos restantes povos criadores. Também os pastos são comuns. Averiguamos, no entanto, entre os Humbes, uma organização do espaço verdadeiramente notável”, diz-nos José Redinha.
Segundo Fernando Neves, em 1960, os Nyaneka-Humbi aproximavam-se dos 129 mil habitantes, dos quais 100 mil eram Nyaneka. Considera-se que os Nyaneka sejam dos mais antigos ocupantes da região, seguindo-se os Humbi. “A região dos Humbes foi atingida pela invasão dos Hotentotes do Sudoeste Africano (actual Namíbia), que levou as suas incursões até às margens do Cunene, a partir do ano de 1881”. O esquema sociopolítico dos Humbi apresenta um tipo de autoridade difundida no grupo que é orientada pelos chefes simples ou por alguns seculo (mais idosos) e ainda por criadores de gado mais importantes, segundo o princípio do primus inter pares.
Redinha refere também que “no plano cultural expressam, à semelhança dos Ambos e dos Hereros, influências da cultura camita oriental, levada até ao Cunene pelas migrações dos pastores camíticos do Nordeste Africano. A essa tradição se liga a instituição do ‘gado sagrado’ nela incluída o cortejo do “boi sagrado”, tido como reminiscência do culto do boi Ápis dos velhos altares do Nilo, anualmente praticado entre Nhanhecas”.
Do ponto de vista artístico, os Humbi cultivam o adorno do corpo e curiosos penteados, produzindo vestuários e ornatos de natureza diversa, incluindo a confecção de pulseiras metálicas cuidadosamente gravadas.
Na vida social dos Nyaneka-Humbi realizam-se ritos de puberdade feminina e nos actos divinatórios praticam o aruspício. “Os arúspices eram sacerdotes romanos que faziam prognósticos consultando as entranhas das vítimas”. Ainda de acordo com José Redinha, na sua obra de investigação intitulada “Etnias e Culturas de Angola”, editada, em Luanda, em 1974, “os Humbes revelam ao observador a existência de uma elite de tipo evoluído que se mostra dotada duma notável inteligência prática”.
Os belos penteados das senhoras Nyaneka-Humbi
Variantes Linguísticas
Vatomene Kukanda refere-se a nove variantes linguísticas, que abrangem, sobretudo, a província da Huíla e também uma parte da província do Cunene. Na província da Huíla: o mwila, o ngambo, o humbi, o huanda (mupa), o handa (cipungu), o cipungu, o cilenge-humbi e o cilenge-muso. Na província do Cunene: o humbi, o ndongwela, o hinga e o konkwa.
Filipe Zau, Ph.D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais
Retirado de Jornal de Angola (02 Fev. 2010)
25 de janeiro de 2012
MARCELA COSTA - PINTORA
Marcela Costa
Tecelã e pintora, Marcela Martins Costa nasceu em Setembro de 1957, em Golungo Alto, na província do Kwanza Norte, em Angola.
Depois de concluir o curso de Artes Visuais na Escola Industrial de Luanda, foi convidada por um dos seus professores, o pintor Viteix (Vítor Teixeira), para integrar um projecto de desenvolvimento cultural, que se encontrava a cargo do Conselho Nacional da Cultura. Posteriormente, trabalhou como desenhadora no Departamento Nacional de Museus e Monumentos e, em seguida, fez diversos cursos de tecelagem artística e de serigrafia na Suécia e no Brasil. Em1995, criou o Atelier de Artes Marcela Costa.
Realizou várias exposições, a nível individual e colectivo, em países como Reino Unido, Brasil, França, Zimbabwe, Estados Unidos, Zâmbia, África do Sul, entre outros. Em 2002, inaugurou uma exposição, cujo tema foi "Arte Mulher-Angola 25 anos". Nesse mesmo ano, recebeu o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Artes Plásticas.
Marcela Costa utiliza, nas suas criações, materiais como tecido, areia, estampas aplicadas, texturas naturais, em formas preferencialmente curvas que traduzem uma expressão no feminino e uma proximidade à terra.
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Marcela Costa,
pintores angolanos
24 de janeiro de 2012
POEMAS DE AGOSTINHO NETO (LINK)
Siga este link: http://www.agostinhoneto.org/index.php?option=com_content&view=section&id=14&Itemid=202 e terá acesso a toda a poesia do grande poeta e pai da pátria angolana, Dr. Agostinho Neto.
– Eis as nossas mãos
Abertas para a fraternidade do mundo
Pelo futuro do mundo
Unidas na certeza
Pelo direito pela concórdia pela Paz.
Agostinho Neto, in Sagrada Esperança
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