26 de fevereiro de 2012
22 de fevereiro de 2012
HOUVE UM TEMPO NA BAIXA DE KASSANJE
Na Baixa de Kassanje...
Houve um tempo
na Baixa de Kassanje
em que o algodão
branco
era roxo de fome
e sangue...
houve um tempo
de morte e revolta
na Baixa de Kassanje
as lavras
as lavras
- dizem os mais-velhos -
cheiravam a kimbos queimados
e napalm....
Namibiano Ferreira
e napalm....
Namibiano Ferreira
Colheita do algodao
Uma breve palavra sobre o que foi a Revolta da Baixa de Kassanje (província de Malanje - Angola):
A 4 de Janeiro de 1961, mais de mil camponeses da ex-Companhia de Algodão de Angola (Cotonang), foram barbaramente assassinados pelo exército colonial português ao exigirem a isenção de pagamento de impostos e a abolição do trabalho forçado.
Os acontecimentos, que se estenderam a toda a região da Baixa de Kassanje até Março do mesmo ano, envolveram milhares de tropas e policias, que chegaram a utilizar a aviação para reprimir os manifestantes. Dizem também que napalm...
Os acontecimentos, que se estenderam a toda a região da Baixa de Kassanje até Março do mesmo ano, envolveram milhares de tropas e policias, que chegaram a utilizar a aviação para reprimir os manifestantes. Dizem também que napalm...
15 de fevereiro de 2012
29 de janeiro de 2012
OS NYANEKA-HUMBI
Os Nyaneka-Humbi
Essencialmente criadores e pastores de gado mas também agricultores, os nyaneka-humbi encontram-se confinados à província da Huíla. Embora ligados aos Ovimbundu, contrariamente a estes, os Nyaneka-Humbi são fechados e pouco flexíveis. O tipo de alimentação destas populações pastoris é a base de leite e de farinha duma variedade de cereal designada massango. Tal como os agricultores do norte do país, os terrenos de cultivo não constituem propriedade individual. “O mesmo, aliás, se observa nos restantes povos criadores. Também os pastos são comuns. Averiguamos, no entanto, entre os Humbes, uma organização do espaço verdadeiramente notável”, diz-nos José Redinha.
Segundo Fernando Neves, em 1960, os Nyaneka-Humbi aproximavam-se dos 129 mil habitantes, dos quais 100 mil eram Nyaneka. Considera-se que os Nyaneka sejam dos mais antigos ocupantes da região, seguindo-se os Humbi. “A região dos Humbes foi atingida pela invasão dos Hotentotes do Sudoeste Africano (actual Namíbia), que levou as suas incursões até às margens do Cunene, a partir do ano de 1881”. O esquema sociopolítico dos Humbi apresenta um tipo de autoridade difundida no grupo que é orientada pelos chefes simples ou por alguns seculo (mais idosos) e ainda por criadores de gado mais importantes, segundo o princípio do primus inter pares.
Redinha refere também que “no plano cultural expressam, à semelhança dos Ambos e dos Hereros, influências da cultura camita oriental, levada até ao Cunene pelas migrações dos pastores camíticos do Nordeste Africano. A essa tradição se liga a instituição do ‘gado sagrado’ nela incluída o cortejo do “boi sagrado”, tido como reminiscência do culto do boi Ápis dos velhos altares do Nilo, anualmente praticado entre Nhanhecas”.
Do ponto de vista artístico, os Humbi cultivam o adorno do corpo e curiosos penteados, produzindo vestuários e ornatos de natureza diversa, incluindo a confecção de pulseiras metálicas cuidadosamente gravadas.
Na vida social dos Nyaneka-Humbi realizam-se ritos de puberdade feminina e nos actos divinatórios praticam o aruspício. “Os arúspices eram sacerdotes romanos que faziam prognósticos consultando as entranhas das vítimas”. Ainda de acordo com José Redinha, na sua obra de investigação intitulada “Etnias e Culturas de Angola”, editada, em Luanda, em 1974, “os Humbes revelam ao observador a existência de uma elite de tipo evoluído que se mostra dotada duma notável inteligência prática”.
Os belos penteados das senhoras Nyaneka-Humbi
Variantes Linguísticas
Vatomene Kukanda refere-se a nove variantes linguísticas, que abrangem, sobretudo, a província da Huíla e também uma parte da província do Cunene. Na província da Huíla: o mwila, o ngambo, o humbi, o huanda (mupa), o handa (cipungu), o cipungu, o cilenge-humbi e o cilenge-muso. Na província do Cunene: o humbi, o ndongwela, o hinga e o konkwa.
Filipe Zau, Ph.D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais
Retirado de Jornal de Angola (02 Fev. 2010)
25 de janeiro de 2012
MARCELA COSTA - PINTORA
Marcela Costa
Tecelã e pintora, Marcela Martins Costa nasceu em Setembro de 1957, em Golungo Alto, na província do Kwanza Norte, em Angola.
Depois de concluir o curso de Artes Visuais na Escola Industrial de Luanda, foi convidada por um dos seus professores, o pintor Viteix (Vítor Teixeira), para integrar um projecto de desenvolvimento cultural, que se encontrava a cargo do Conselho Nacional da Cultura. Posteriormente, trabalhou como desenhadora no Departamento Nacional de Museus e Monumentos e, em seguida, fez diversos cursos de tecelagem artística e de serigrafia na Suécia e no Brasil. Em1995, criou o Atelier de Artes Marcela Costa.
Realizou várias exposições, a nível individual e colectivo, em países como Reino Unido, Brasil, França, Zimbabwe, Estados Unidos, Zâmbia, África do Sul, entre outros. Em 2002, inaugurou uma exposição, cujo tema foi "Arte Mulher-Angola 25 anos". Nesse mesmo ano, recebeu o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Artes Plásticas.
Marcela Costa utiliza, nas suas criações, materiais como tecido, areia, estampas aplicadas, texturas naturais, em formas preferencialmente curvas que traduzem uma expressão no feminino e uma proximidade à terra.
Labels:
Marcela Costa,
pintores angolanos
24 de janeiro de 2012
POEMAS DE AGOSTINHO NETO (LINK)
Siga este link: http://www.agostinhoneto.org/index.php?option=com_content&view=section&id=14&Itemid=202 e terá acesso a toda a poesia do grande poeta e pai da pátria angolana, Dr. Agostinho Neto.
– Eis as nossas mãos
Abertas para a fraternidade do mundo
Pelo futuro do mundo
Unidas na certeza
Pelo direito pela concórdia pela Paz.
Agostinho Neto, in Sagrada Esperança
LONG WALK TO FREEDOM - Nelson Mandela
Quase como uma Bíblia, eu diria, e sem blasfemar, retorno várias vezes ao ano a este livro: LONG WALK TO FREEDOM (Longo Caminho para a Liberdade) de Nelson Mandela que devia ser de leitura obrigatória nas escolas do mundo inteiro. Do original em inglês eis algumas citações, ao acaso:
Labels:
Livros,
Nelson Mandela
12 de janeiro de 2012
10 de janeiro de 2012
3 de janeiro de 2012
MAKEZU - ANDRÉ MINGAS
Relembrando aqui uma das perdas da cultura angolana em 2011. André Mingas cantando um poema de Viriato da Cruz.
Makèsú
- "Kuakié!... Makèzú..."
...............................................
O pregão da avó Ximinha
É mesmo como os seus panos
Já não tem a cor berrante
Que tinha nos outros anos.
Avó Xima está velhinha
Mas de manhã, manhãzinha,
Pede licença ao reumático
E num passo nada prático
Rasga estradinhas na areia...
Lá vai para um cajueiro
Que se levanta altaneiro
No cruzeiro dos caminhos
Das gentes que vão p´ra Baixa.
Nem criados, nem pedreiros
Nem alegres lavadeiras
Dessa nova geração
Das "venidas de alcatrão"
Ouvem o fraco pregão
Da velhinha quitandeira.
- "Kuakié!... Makèzú, Makèzú..."
- "Antão, véia, hoje nada?"
- "Nada, mano Filisberto...
Hoje os tempo tá mudado..."
- "Mas tá passá gente perto...
Como é aqui tá fazendo isso?"
- "Não sabe?! Todo esse povo
Pegô num costume novo
Qui diz qué civrização:
Come só pão com chouriço
Ou toma café com pão...
E diz ainda pru cima
(Hum... mbundu Kene muxima...)
Qui o nosso bom makèzú
É pra véios como tu."
- "Eles não sabe o que diz...
Pru qué Qui vivi filiz
E tem cem ano eu e tu?"
- "É pruquê nossas raiz
Tem força do makèzú!..."
Viriato da Cruz
Labels:
André Mingas,
Viriato da Cruz
Subscrever:
Mensagens (Atom)








