foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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9 de junho de 2010

QUINTO RAID TT KWANZA SUL

Uma edição da Pangeia Editora (Portugal) e Chá de Caxinde (Angola)



Mais um Raid TT Kwanza Sul, trata-se da sua quinta edição e como já vem sendo hábito nas duas últimas edições sai, antes do raid ter início, o livro que vai dar a conhecer o trajecto que os entusiatas do TT vão ter que percorrer. Este ano intitulado: “Rumo às Terras que brilham: Lundas”. Não se trata de um mero roteiro de estradas e picadas. Ele é, antes de tudo, um excelente veiculador de informações históricas, económicas, culturais e humanas. Um excelente manual para quem quiser saber estórias da História e também outros textos de índole literária.
Segundo me informaram da organização vou, mais uma vez, participar com um poema.
O Raid vai ter início no dia 24 de Junho e prolonga-se até 4 de Julho do corrente, bem na época do cacimbo para fugir às chuvas.

8 de junho de 2010

DOIS LIVROS INTERESSANTES...

"A History of Postcolonial Lusophone Africa" e "The Postcolonial Literature of Lusophone Africa", são dois livros de muito interesse para quem quiser se inteirar da História e Literatura dos PALOP's (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).
Vários são os autores, mas os livros são orientados por Patrick Chabal que é professor de Estudos Lusófonos Africanos na Universidade de Londres e dirigente máximo do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros no King's College, prestigiadíssima instituição universitária londrina. Infelizmente os livros não estão, que eu saiba, traduzidos em português mas são duas obras que vivamente aconselho aos que forem capazes de os ler em inglês.
No que se relaciona com Angola, os responsáveis são, no volume de História, David Birmingham (eminente professor de História da Universidade de Kent em Canterbury) e na Literatura, Ana Mafalda Leite (professora de Literaturas Africanas da Universidade de Lisboa).
Namibiano Ferreira





NOTA: Os livros podem ser adquiridos aqui http://www.amazon.co.uk/ ou http://www.amazon.com/

2 de junho de 2010

ANIMAIS EM IDIOMA KWANHAMA

O idioma Kwanyama (leia-se cuanhama) é uma língua Bantu* usada pelo povo Ovakwanyama que vive no sul de Angola, província do Cunene (420.000 pessoas) e no norte da Namíbia, região de Ovamboland (240.000 pessoas). É conhecida também pelos nomes: cuanhama , otchikwanyama, ovambo, owambo, ambó.


Zona sombreada, área do povo kwanyama.


Os Kwanyamas:

O povo cuanhama pertence ao grupo étnico-linguístico dos Ambós (Ovambo).
Os Cuanhamas constituem, dentro do baixo Cunene, o grupo mais importante. São exímios na arte de fundir o ferro. A sua economia assenta na pecuária e na agricultura. É lendária a resistência dos seus reis contra o colonialismo europeu, nomeadamente o último rei Mandume Ya Ndemufayo, preferiu suicidar-se a render-se aos portugueses.

A origem do nome:

Segundo a tradição, vieram do sul (Ondonga). Um soba da tribo donga teria enviado alguns elementos para o norte em busca de alimentos. Esta gente, apesar do soba o haver ordenado, não regressou, por ter encontrado uma região muito rica em caça. Então o soba acabou por dizer: deixai-os lá com a carne (carne = nhama). Assim surgiu o nome Cuanhama, ova-kwa-nyama, (literalmente os da carne).


Alguns animais em Kwanyama:

Leão – Onghoxi

Leopardo – Ongwe

Elefante – Ondjaba

Avestruz – Omha

Boi – Ongobe

Cão – Ombwa

Ovelha – Oxikapa

Crocodilo – Ongadu

Coelho/Lebre – Ondiba

Escorpião – Ondje

Gato – Okambixi

Mosca – Odi

Grilo – Osenhe

– Efuma

Girafa – Onduli

Aranha – Eluviluvi

Rato – Omuku

Termita/Salalé - Ehedi

Porco – Oxingulu

Zebra – Ongolo

Marimbondo/Vespa – Omambodwe



Notas: Não me preocupei com a ortografia oficial da língua kwanhama porque preferi aproximar-me da fonética portuguesa para que todos possam reter o mais possível da língua tal como ela é falada.
Como todas as línguas, o kwanhama nao é uniforme e é possível que hajam outras formas de pronunciar e até outras palavras para designar o mesmo animal. Como em portugues, por exemplo: cordeiro, anho, borrego ou ainda cão e cachorro. Por outro lado pode haver erros de minha parte pois já não ouço falar kwanhama há muitos anos. Estes são os que me lembro.

*A principal característica das línguas Bantu é o facto do feminino, masculino, singular e plural serem feitos por meio de prefixos (em vez de sufixos, como acontece nas línguas europeias.) A letra h deve ser levemente aspirada.

1 de junho de 2010

BEIJOS

O Beijo, Rodin (foto net)
                                             
  Para Dinah


O meu corpo anda caiado de luz
pelo carinho de beijos luzidios
dos teus lábios fogo carmesim
incendiado a labaredas e lírios.


O meu corpo anda caiado de luz
como se fosse um templo imaculado
onde guardo as pétalas dos teus lábios
fogo bendito carnal e sagrado...

Namibiano Ferreira

28 de maio de 2010

ENTREVISTA COM JÚLIO MENDES LOPES



Júlio Mendes Lopes lecciona História de África no ISCED em Luanda.


"Elites africanas preservam processos da administração colonial"


A pré-história é um conceito que ainda faz sentido?

É ainda um conceito que faz sentido, sim. Porque é o período em que ocorreram, em África, os processos de hominização. É no continente africano que se encontram os estádios do desenvolvimento humano de maneira continuada, desde os australopitecos até ao homo sapiens, que se vai encontrar desde o corredor que vai de Manke Makdap, na África do Sul, até ao vale do rio Omo na Etiópia.
É neste vale onde investigadores franceses, britânicos e norteamericanos trabalharam e deram com muitos achados ósseos que dão uma ideia sobre a evolução da humanidade.
Os australopitecos, por exemplo, não foram encontrados em nenhum outro continente que não no africano.
Aliás, é também em África que se deram os primeiros sinais da escrita cursiva, nomeadamente no Egipto antigo, e é também em África onde muitos dos grandes sábios da Grécia antiga estudaram. Há até trabalhos publicados por um grego, Ptolomeu Cláudio, que chegava ao ponto de afirmar que um livro de mil páginas não chega para enumerar os sábios da Grécia que estudaram no Egipto antigo, nas mais diferentes áreas: medicina, agronomia, astronomia, filosofia, etc. Como o caso de Pitágoras, por exemplo, o sábio grego que criou a teoria dos catetos, estudou matemática durante 22 anos no Egipto. Isso é prova evidente de que África é o continente que deu os primeiros fundamentos do desenvolvimento da humanidade.

O País On Line http://www.opais.co.ao/pt/opais/home.asp

27 de maio de 2010

MÚSICA DOS HEREROS DO SUL DE ANGOLA

Alguma propaganda foi feita sobre o luxuoso livro de fotografias do povo herero, do sul de Angola [e norte da Namíbia], de autoria do publicitário pernambucano Sérgio Guerra (Hereros, editora Maianga, R$ 190*), que trabalha para o governo angolano desde 1999. Seu lançamento foi há um mês, no dia 27 de abril, na Livraria Cultura da faustuosa Villa Daslu, de São Paulo. Mas os resenhistas do material não chegaram a comentar sobre uma pequena relíquia que vem contida no álbum: é o disco das músicas daquele povo seminômade e irredento que passou um tanto ao largo do colonialismo português (embora tenha sofrido durante as campanhas europeias de "pacificação"). Trata-se de uma preciosidade para aqueles que se interessam pelos cânticos tradicionais angolanos em particular, e africanos em geral. O som, naturalmente, assim como o resultado geral do trabalho, de ótima qualidade.

[Comentários pontuais sobre os hereros e outros povos da região, ler o antropólogo angolano Ruy Duarte de Carvalho. Com mais tempo, ler o ótimo Vou lá visitar pastores.]


Nota: Por falar em Villa Daslu, vai uma dica para os bebericadores de café. Quem algum dia passar ali por perto (avenida Chedid Jafet), aproveite para saborear gratuitamente o café da cafeteria Octavio, uma das melhores e mais luxuosas da capital paulista (há pelo menos dois balcões lá dentro). Pergunte pelo café turco. E leve o caderno de campo: as tribos que passeiam pelo local à procura de adornos e dádivas são muito, digamos assim, peculiares.
 
Créditos:  Lusofonia Horizontal: http://lusofoniahorizontal.blogspot.com/


E veja mais este link, sobre o livro:
Hereros (OvaHimba), foto de Sérgio Guerra

* 190 reais = 70 libras e 81 euros

27 DE MAIO DE 1977 - O QUE FOI?

Nito Alves


José Van Dúnen



Sita Valles





Hoje, é 27 de Maio. Em 1977 aconteceu História em Luanda. O que foi o 27 de Maio de 1977? O vídeo esclarece.



Link Associacao 27 de Maio: http://27maio.com/



25 de maio de 2010

25 DE MAIO - DIA DE ÁFRICA - PINTORES ANGOLANOS

Valentim


Carla Peairo



Rui Samuel



Lino Damiao


António Olé

Neves e Sousa



Thó Simoes


Mário Tendinha


13 de maio de 2010

A AVÓ MAYAMBA

Interessantíssima matéria publicada no jornal angolano on-line O País, em março de 2010, retirei do blog Lusofonia Horizontal:
http://lusofoniahorizontal.blogspot.com/ 

O evento que acontecerá hoje a partir das 18 horas na sede da UEA é, na verdade, um duplo momento, pois para lá do livro “Um Ano de Vida”, vai ser também a apresentação pública de uma nova casa editora, que acaba de ser fundada pelo jornalista e editor literário Arlindo Isabel.
Avó Mayamba

Baptizada com o nome de Mayamba Editora, a entidade surge como a nova aposta do ex-director da Nzila, conhecida editora que criou há dez anos e de que se afastou, de maneira voluntária, nos finais de 2009.
“Um Ano de Vida” é, assim, o livro de estreia da Mayamba Editora, que muito em breve trará outros autores nas suas variadas colecções, que se estendem da ficção narrativa (colecção Nzadi, que significa rio em língua kikongo) a uma dezena de outros géneros (literatura infanto-juvenil, ensaio histórico, pesquisa em ciências médicas, texto de ciências sociais, dicionários, etc).



Preito de homenagem

O nome Mayamba, que passa a conferir identidade à nova casa editora, pertence à avó materna de Arlindo Isabel, e constitui uma homenagem à mulher que considera “o pilar” da sua educação e formação.
Hoje, com mais de noventa anos, e a residir num bairro de Luanda, a matriarca é iletrada e não fala português, exprimindo-se exclusivamente em kikongo. Nenhum destes factos a impediu, contudo, de compreender desde cedo a importância da escola e tem o seu passado ligado profundamente a essa visão progressista do mundo, que a levou a fazer da oferta sistemática de livros a filhos e netos uma rotina. A sua aposta firme na educação dos descendentes permite que hoje tenha na família mais de uma dezena de licenciados, entre eles o próprio Arlindo Isabel, formado em jornalismo e a irmã deste, médica especialista em oncologia.
A homenageada criou os seus filhos e netos numa aldeia do município da Damba (província do Uíge) e é lembrada pelo seu estoicismo e capacidade de fazer acontecer, que a tornou criadora de gado caprino, suíno e galinhas; produtora de ginguba, mandioca, gergelim e inhame e dextra no domínio das plantas medicinais locais para curar os seus do paludismo e outras doenças. Mas filhos e netos recordam-na com mais emoção ainda pelas suas viagens de mais de 30 km, a pé, da aldeia até à sede comunal, para vender fuba de bombó, ginguba, milho, batata-doce e outros produtos do campo, e assim conseguir os trocados tão necessários à sobrevivência da prole sob sua exclusiva responsabilidade, uma vez que tios e irmãos tinham abalado como refugiados para o vizinho Congo ex-Belga (actual RDC) para escapar da repressão do colonizador português.


http://www.opais.net/pt/opais/?id=1787&det=10548&mid=293

11 de maio de 2010

CARLA PEAIRO - PINTORA ANGOLANA


Carla Peairo nasceu em Angola, Benguela, cidade das acácias rubras, em 1961.
Viveu uma grande parte da sua infância, à beira-mar: Praia Morena, Baía Farta,
Chamume, Macaca.
O seu interesse pelo desenho e pintura começou quando tinha 13-14 anos e, até hoje a sua paixão. A sua paleta de cores quentes, transmite África e levou-a a realizar mais de quarenta exposições.
Viveu em Angola 22 anos onde seguiu uma formação artística de desenho, pintura e
decoraçãona Escola Industrial de Benguela e frequentou o Instituto Superior de Ciências da Educação na cidade de Lubango.
Foi membro da Brigada Jovem de Literatura da Huíla e participou, com o Trio Mensagem, em vários espectáculos musicais apresentados no cinema Arco-Íris e no ISCED.
Adquiriu experiência profissional como decoradora, assistente social, professora de
inglês e de desenho no ensino secundário.
Em 1983 parte para Lisboa onde exerce em desenho publicitário, criação e confecção de modelos na indústria têxtil.


Admitida no Centro de Arte e Comunicação Visual - ARCO em Lisboa, frequenta os
ateliers de desenho , artes gráficas, modelagem assim como o atelier de pintura da
Sociedade Nacional de Belas Artes.
Actualmente vive em Neuchâtel – Suíça, e continua a dar asa à sua imaginação.
As suas obras estão representadas em várias colecções privadas e públicas
internacionais: Angola, Senegal, Portugal, Brasil, Suíça, Dinamarca, Noruega, Inglaterra, Alemanha, Nova Iorque.
É membro da UNAP e da ArtAfriksuisse, sociedade dos artistas africanos na Suíça.
As sua obras orientam-se essencialmente para uma temática de expressão africana
representando aspectos da vida dos africanos: a fecundidade e a continuidade, como
símbolos atribuídos ao universo feminino, os momentos de lazer e de reflexão sobre a
vida, os rituais...
Concilia e integra na sua criação o real e o imaginário, a mitologia negra, o seu
fantástico e a poesia assim como as disposições inerentes à sua condição de mulher-pintora africana.
O seu desejo e esperança são que as suas obras transmitam o amor da vida, a
solidariedade humana, a coesão.



As 3 telas sao de Carla Peairo (Angola)