foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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10 de dezembro de 2009

BUGANVÍLIAS EM FLOR

No dia 8 de dezembro foi um dia especial. Foi a formatura da minha filha na London Metropolitan University. Londres é sempre um lugar especial a visitar mas teve mais encanto, neste dia. Reparto com vocês esta pequena homenagem.





Para a minha filha Rafaela, no dia da sua formatura.




Rasgam o sol as buganvílias em flor
roxas lilases vermelhas num beijo...


E tu és um vento, brisa branda,
anunciando a Primavera
onírica que não havia
no saguão iluminado,
dias da minha juventude.


És uma pequena garroa
teimosa mas doce soprando
tua alma de Namibe também;
és a calema forte e audaz
na força do mar que te vem do sul
lutador e forte sobre a praia
da arte xávega que te vem d’Ovar.


No teu nome bailam as pérgolas
roxa-lilás e vida-carmim
das buganvílias a derramar
inebriantes garridas cabeleiras
pela varanda acesa ao sol
do sapalalo velho da minha infância.


Talvez não saibas... mas tu és
a buganvília mística em flor
a brotar dentro de mim num grito
algures perdido na terra quente
onde eu nasci coração-welwitschia
para, ao luar da diáspora, ser ulungo
a vijar no mistério platina deste bailado
que é a vida e ser, orgulhoso, teu pai
e tu, minha eterna buganvília rendada,
a desabrochar beleza acetinada na prata
enluarada do teu solário sorriso.




Sapalalo – casa de madeira
Arte xávega – técnica artesanal de pesca na costa portuguesa, entre Espinho e Mira. Ovar, fica pelo meio e é a terra de minha esposa.
Ulungo – canoa.


Namibiano Ferreira
08/12/2009

Buganvílias do Namibe - Av. Bonfim (foto Alex. Correia)

3 de dezembro de 2009

ÍCONE

Poema escrito em 1998 e que faz parte de um poemário intitulado “Fragmensias”, isto é fragmentos mensais. Ícone, está inserido na fragmensia vali (2), fevereiro 1998. Face a alguns acontecimentos ocorridos em Luanda, durante o ano em curso, este poema tornou-se uma espécie de previsão. Faça clique sobre a imagem, para ler a notícia.
Foto do blog morrodamaianga

Esta noite sonhei com Viriato da Cruz. Não conheci o poeta, é evidente,
Porquê sonhar com ele? No sonho, por trás de seus óculos ansiosos, entrou e
me falou dizendo: – Parece é proibido conhecer Viriato da Cruz!


Acordei e não liguei. Só agora, horas volvidas,
me interrogo e tento perceber o enigma:
 – Quem foi o poeta, homem eternamente vivo, Viriato da Cruz?
– Quem foi o nacionalista, forjador da Liberdade, Viriato da Cruz?
– Quem foi?  E quem, quem não nos deixa saber e conhecer porquê?


Namibiano Ferreira
 
 
 
Estamos em PAZ, vamos fazer todas as pazes...
 

1 de dezembro de 2009

A TRAIÇÃO DE PSIQUÊ

Eis mais uma Antologia em que participo, esta é a última deste ano. São textos do amor e erotismo. Participo com três poemas. Publico o convite para quem estiver perto de Gondomar, cidade que se localiza nos arredores do Porto.



O Lançamento da Colectânea A TRAIÇÃO DE PSIQUÊ  terá lugar no próximo
sábado, dia 5 de Dezembro, às 16 HORAS, na Biblioteca Municipal de
Gondomar (Avenida 25 de Abril, GDM).
Decorrerá no âmbito de uma Tertúlia de Amor e do Erotismo, promovida pela
Argo, em parceria com a Lugar da Palavra.
Apareça e, como diz o cantor, traga um amigo também!

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30 de novembro de 2009

O IMBONDEIRO (BAOBÁ)

Apresento-vos o IMBONDEIRO, uma árvore que simboliza a africanidade. O imbondeiro é uma árvore mítica e mística, um verdadeiro símbolo de Angola e tantas vezes mencionada neste blogue e na minha poesia.


Imbondeiros ao por-do-sol

O imbondeiro é considerado uma árvore sagrada, inspirando poesias, ritos e lendas. Segundo uma antiga lenda africana, por exemplo, uma vez que um morto seja sepultado dentro de um imbondeiro, a sua alma irá viver enquanto a planta existir. Também se diz que a alma dos mortos se penduram nos seus ramos. Curiosamente, essa árvore tem uma vida muito longa, podendo chegar até seis mil anos. Só a sequóia e o cedro japonês podem competir com a longevidade do imbondeiro. Cabe salientar que esta planta foi amplamente divulgada no século XX, através da obra O Pequeno Príncipe, do escritor francês Antoine de Saint-Éxupery.


Tela de Neves e Sousa (Angola)

O seu nome científico é Adansonia Digitata, mas é também conhecida como Baobá Africano. O imbondeiro possui um tronco muito espesso na base, chegando a atingir até nove metros de diâmetro. O seu tronco vai-se estreitando em forma de cone e apresenta grandes protuberâncias. As folhas brotam entre os meses de julho e janeiro. Em geral, o imbondeiro floresce durante uma única noite, apenas, no período de maio a agosto. Durante as poucas horas da abertura das flores, os consumidores de néctares nocturnos - particularmente os morcegos -, procuram assegurar a polinização da planta.

Tudo no imbondeiro serve para a sobrevivência do ser humano. Vale ressaltar que esta árvore também se constitui em uma fonte preciosa de medicamentos. As suas folhas são ricas em cálcio, ferro, proteínas e lipídios, para além de serem usadas como um poderoso anti-diarreico e para combater febres e inflamações. Um pó feito de folhas secas vem sendo utilizado para combater a anemia, o raquitismo, a disenteria, o reumatismo, a asma, e é usado, ainda, como um tónico.


Flor do imbondeiro, com duas jovens múcuas.

O seu fruto é denominado múcua. A casca do fruto, é utilizada pelas pessoas como tigelas. A polpa e a fibra de seus frutos são capazes de combater a diarreia, a disenteria e o sarampo. O cerne da fruta combate a febre e inflamações no tubo digestivo; as sementes estão repletas de óleo vegetal, podendo ser assadas, moídas e consumidas como uma bebida que pode substituir o café.

Derrubar um imbondeiro é um sacrilégio em Angola. No que diz respeito à construção e carpintaria, ele só é utilizado quando não há um outro material mais adequado. A sua madeira serve para a construção de instrumentos musicais e o seu cerne rende uma fibra forte usada no fabrico de cordas e linhas.

Múcua, fruto do imbondeiro (aberto ao meio)
 
 
No tempo das chuvas
 
 
Nota: Há quem escreva embondeiro, mas em Angola é geralmente escrito imbondeiro. Etimologicamente, tem origem na palavra mbondo, do idioma Kimbundu.



MÚCUAS



As múcuas sempre me fizeram lembrar lágrimas
negras a escorrer de mãos digitais em desespero.


Múcua:
fruto mácula
veludo a pingar
mágoa negra
lágrima seca a chorar
escorrendo nos braços
mãos-imbondeiro
abertas aos céus
anunciando a crescer
desespero da terra
povo inteiro
múcua, mákua, mágoa
lágrima negra imbondeiro
a chorar.


Namibiano Ferreira

As múcuas, parecendo ratos pendurados pelo rabo.
 


25 de novembro de 2009

DOIS MIL ESPERANCA - SEXTA ANTOLOGIA

Dois Mil e Esperança é mais uma antologia em que irei participar. Como a anterior (Pangeia) tem a chancela da Editora Abrali de Curitiba no estado brasileiro do Paraná.

Era suposto ser apresentada ao público, conjuntamente com Pangeia, no dia 21 deste mês mas até agora não sei qual a data certa. O número limite de textos por participante são dois e desta feita os textos são inéditos.
Os livros da Abrali encontram-se à venda em: http://www.abrali.com/loja/  


Eis um dos poemas:




TEMPO SIDERAL


Sideral e luminoso o Tempo
é uma mulher de cabelos-vento soprando
brisas
        tormentos
               garroas...


E no colo do Tempo
repousam, por fecundar,
os fragores de futuras revoluções.




                    –Quem vem fecundar o ventre do Tempo?


Namibiano Ferreira

No entanto, a próxima Antologia já está a caminho, A TRAIÇÃO DE PSIQUÊ, onde participo com tres poemas de amor. Será apresentada ao público no dia 5 de Dezembro em Gondomar, Portugal. 

23 de novembro de 2009

OUTONAL







Imbondeiro - Angola


A falange fusca dos favos outonais
são espúrios ao bailado do kissanje
e os dias arrastam-se azedos,
uma kissângua que não fermenta...




Sobre a paisagem verde do Norfolk
uma demência alienada de vento
frio, húmido de cinzenta tristeza
sopra alvoraçando os laivos de ferrugem
correndo sobre a relva, musgo carnudo,
como pequenos animais endiabrados
e quase lembrando as folhas mortas
da mulembeira no princípio do cacimbo
mas sem a alma e a força do bafo tropical.




Os carvalhos, pulmões descarnados,
perdem-se nas ramificações solitárias
de brônquios, bronquíolos e alvéolos.
São árvores despidas do místico sentido
das chuvas frementes que hão-de vir,
são pálidas imitações dos imbondeiros...

Namibiano Ferreira

Carvalho - Inglaterra

22 de novembro de 2009

CAN 2010 - ANGOLA


Palancas Negras - Selecção Nacional de Angola

Início 10 de Janeiro de 2010 em Luanda.


A Selecção Nacional de futebol, estreia-se no CAN - Angola 2010, diante da sua congénere do Mali, no dia de abertura da competição, 10 de Janeiro de 2010, de acordo com o sorteio ditado, Sexta – feira, 20/11, em Luanda.



Estádio de Luanda - Grupo A
ANGOLA
MALI
MALAWI
ARGÉLIA


Estádio de Cabinda - Grupo B

COTE D'IVOIRE
BURKINA FASO
GANA
TOGO


Estádio de Benguela - Grupo C

EGIPTO
NIGÉRIA
MOCAMBIQUE
BENIM


Estádio do Lubango - Grupo D

CAMAROES
GABAO
ZAMBIA
TUNÍSIA




Mascote Oficial - Palanquinha

19 de novembro de 2009

HOSPITALIDADE

Tela de Neves e Sousa (Angola)


Irmão,
a noite cai no caminho
da tua viagem.
Ofereço-te meu fogo
e meu lar.
Longa é a noite
na ronda de mabecos
e chacais.
Entra, chega-te
à fogueira
trazendo a paz
no pó dos teus pés
sendeiros
e abraça a paz
da minha oferta.
Sobre o luando
a partilha
do que nos dão
os Deuses:
fundji bombó
feijão d’óleo de palma
kissângua
de refrescar a alma
frutas suculentas
coloridas
sape-sape gajajas
mangas
maboques pitangas.
Depois...
dançaremos roda
nos olhos quentes
da noite
à fogueira
do ritmo muxima
dos tambores
e das palmas cadentes
das mulheres
a dançar
o semba desejo
do corpo másculo
homem sendeiro
a desejar
o mistério quente
sumaúma do amor
e do corpo húmido
de uma mulher...


Namibiano Ferreira
Tela de Ducho (Angola)

17 de novembro de 2009

UMA LENDA TCHOKWÉ - Nordeste de Angola -

Tela de Eleutério Sanches (Angola)

Um dia o Sol foi visitar Deus. Deus ofereceu ao Sol uma galinha e disse-lhe: “Regressa de manhã antes de te ires embora”. De manhã a galinha cacarejou e acordou o Sol. Quando o Sol revisitou Deus, ele disse-lhe: “Não comeste a galinha que te dei para o jantar. Podes então ficar com a galinha mas deves regressar aqui todos os dias.” Daí a razão porque o Sol circula a terra e nasce todas as manhãs.

A Lua também foi um dia visitar Deus e também recebeu uma galinha como presente. De manhã a galinha cacarejou e acordou a Lua e Deus voltou a dizer-lhe: “Não comeste a galinha que te dei para o jantar. Podes então ficar com a galinha mas deves regressar aqui em cada vinte e oito dias.” Daí a razão porque a circulação total da Lua dura vinte e oito dias.

Um homem foi visitar Deus recebendo também uma galinha como presente mas o homem estava com fome depois de tão longa caminhada e comeu parte da galinha para o jantar. Na próxima manhã já o Sol estava bem alto quando o homem acordou. Comeu o resto da galinha, visitando Deus em seguida. Deus disse-lhe: “eu não ouvi a galinha cacarejar esta manhã.” O homem com certo receio respondeu: “eu tive fome e comi-a.” “Está bem,” disse Deus, “mas ouve, tu sabes que o Sol e a Lua estiveram aqui e nenhum deles matou a galinha que lhes ofereci.” Essa é a razão que nem o Sol nem a Lua morrerão um dia. Mas tu mataste a tua galinha e assim deves morrer como ela. Porém, à tua morte, deves regressar aqui outra vez.”

E assim foi.

Máscara Tchokwé

12 de novembro de 2009

LINO DAMIÃO – PINTOR ANGOLANO

As cores, o talento de um jovem pintor angolano. A pintura angolana promete e recomenda-se.






Nasceu em Luanda em fevereiro de 1977, trabalha sobretudo em pintura e gravura.

Muito cedo começou a desenhar e pintar, tendo frequentado o curso de desenho no Ex-Barracao o curso de pintura na UNAP e a primeira oficina de gravura também na UNAP.
Frequentou o atelier do grande mestre VICTOR TEXEIRA (VITEIX). E membro Fundador da cooperativa Pro-Memoria dos Nacionalistas e membro da União nacional dos artistas Plásticos. Participou em diversas exposições das quais se destaca a primeira bienal de jovens criadores da CPLP na cidade da Praia cabo-verde, 1999,a bienal de jovens criadores da CPLP, Porto 2001 Portugal, No projecto ArteModa-2002, oficina de criação com Kotas e Kandengues, no projecto Galarte no elinga teatro entre 2000 a 2006, trienal de Luanda etc.




Exposições Individuais



“Cores Cómicos e Contrastes” no Lebistrot Luanda-1999,
“Manchas o contornos “ Galeria Cenarius-2000
”Liberdade” No laboratório Nacional de Cinema Luanda-2002
Participa com mais dois artistas na exposição (Ritmos Coloridos) na galeria Humbiumbi no âmbito do programa na cidade jazz-2006
Reflexões na Associação 25 de Abril-2007
Recebeu o prémio de pintura de UNAP -1998, e mensao honrosa do Prémio Ensarte-1996
Participou como aderecista na peça teatral (Quem me dera ser onda) de autoria do escritor Manuel Rui-1999
Participou no workshop de arte moderna orientado pelo artista Hard Berge
Participou na pintura Mural da CUCA BGI, Banco Nacional de Angola e na baixa de Luanda sobre o eclipse total do Sol
Tem obras em colecções particulares em Luanda e no estrangeiro




Outras Actividades:


Organizou as seguintes exposições: Ritmos coloridos, no programa na cidade jazz na galeria Humbiumbi-2006
Organiza a exposição Shades of blues no centro cultural português ainda no âmbito do programa na cidade jazz-2005
Organiza Emoções do jazz da fotógrafa portuguesa Rita Reis na galeria Humbiumbi-2006
2007-Dentro do programa na cidade jazz, Exposição de pintura e fotografia das artistas Judy Ann Seidman e Rita Reis, Na galeria celamar 2007
Tem uma participação activa nos concertos de jazz que se realizam na cidade de Luanda uma vez fazer assistência da produtora de j.j.jazz desde 1990 com o critico de jazz Jerónimo Belo.

Texto retirado do blogue do pintor: http://linodamiao.blogspot.com/  onde também podem encontrar mais obras do autor.


Lino Damião