foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
Click na imagem!

19 de maio de 2009

CACIMBOS


Nos meus braços
tem cacimbos velhos
petrificados
sobre a pele da opressão
e na alma
-escrita a carvão-
o apego à terra
presa nas picadas
beijadas de verde,
no deserto quente
da welwitschia gretando
amor
nas manhãs em fumo
de junhos-cacimbos
infantis.



Namibiano Ferreira

12 de maio de 2009

POEMA PARA A MINHA AMADA




Para o aniversário de Dinah, a mulher da minha vida!!



Como se fosse uma geografia
quântica
o teu corpo é o porto
tempo onde floresço
açucenas
loiras acetinadas brandas
no templo da raiz dos teus lábios
carne
desejo carmim a sorrir.



Namibiano Ferreira

11 de maio de 2009

MAIOS...

Angola ( Namibe - Av. Bonfim) creditos foto: http://asviagensdealex.blogspot.com/
Esta avenida da cidade do Namibe foi a inspiracao para este poema.




Buganvílias



Maios quentes de flores de pinho e giesta...


Ah! Quem me dera outros maios...
maios de rosas-de-porcelana,
de buganvílias em flor bordejando a avenida.
Maios de calores tépidos, anunciando cacimbos de junho.
Ah! Quem dera outros maios, outras rosas, outros cheiros,
outro tempo-areal-vento,
outro mar, outro sol, um grande girassol florido
numa sangrenta verbena amarela
derramada pela avenida em espreguiçado declínio...




Namibiano Ferreira

Rosa-de-porcelana










6 de maio de 2009

CANÇÃO DE OMBERA

Tela retirada do blog http://casadeluanda.blogspot.com/




É no renascer do imbondeiro
que espero a chuva radiosa
aconchegando meu passos
sobre a nudez dos dias ouroverde
que hão-de pintar as telas de sonhos
e risos amenos de crianças felizes.
É no despertar da prata tamborilando
que hão-de soar múcuas ao sabor do suor
da chuva nova a cantar as canções de Ombera.

E, o arco-íris prometido, anda tatuado
nos dentes pútridos e gelados do cometa da desgraça...



Namibiano Ferreira



Imbondeiro – baobá.
Múcua – fruto do imbondeiro.
Ombera – chuva.

30 de abril de 2009

UMA BANDEIRA PARA TOMBWA







Para o III encontro e reencontro de alexandrenses




Uma bandeira para TombuAlexandre
a espargir azul mar no azul celeste do sul
beijo saudade sem fim a crepitar;
da clara luz de TombuAlexandre
alva tecedura rendilhada de espuma
desenhar a calema e a cor da duna
duNamibe sonho crescendo garroa
no sopro metáfora insustentável do vento
e para terminar, o toque final traçar
no vigor protector da mãe casuarina
dedicada bailarina dançando ao vento
ao cacimbo e ao verde do tempo a espreguiçar
verduras pelos lábios graciosos do Curoca
beijo de março na fartura da terra e do mar.


Namibiano Ferreira


26 de abril de 2009

UM DOS 5 POEMAS EDITADOS NA II ANTOLOGIA POETAS LUSÓFONOS


Kuíto - Angola



Este é um dos cinco poemas, de Namibiano Ferreira, editados na II Antologia de Poetas Lusófonos. Os outros sao: Olombera, Rosto, Névoas e Fala de Mama Zefa.



*


PÁGINA DE UM DIÁRIO QUE O VENTO (CHEIRANDO A CADÁVER E PÓLVORA) TROUXE ATÉ MIM


Olha tanta paz a pingar do cajueiro
como pingos gordos de sangue.
Olha tanta fartura de paz a escorrer das varandas
buganvílias de minha mocidade...
Olha tanta PAZ, meu Deus, tanta PAZ!


E uma menina -criança ainda-
chorando no Kuíto - Bié, hoje em mais um dia
de guerra em que fomos bombardeados
pelos mig's das FAPLA; e obuseados
pelos mísseis das FALA.


Na mata, onde fugimos, fingindo nos esconder,
um menino está para nascer: talvez ele seja
Jesus Candengue, nossa promessa de PAZ...


-É véspera de Natal, algures no Bié!


(Dezembro 1998)


Namibiano Ferreira

23 de abril de 2009

ROSA CANDIDA




Para Dinah



Baloiçam rosas na candura
astralina dos teus passos
rasto cauda de cometa
de plumas místicas prateadas
ao vento alado do vogar dos anjos
velando cautelosos teu sono
na madrugada púrpura dos astros.



Namibiano Ferreira

CANÇÃO DE ABRIL

Tela de Arlete Marques


Nos bolsos vazios dos calções do tempo
perdi-te na roda gigante da vida a girar...
encontrei-te Poesia na esquina esquecida
da rua ao passar pelo vento dos dias
–Pérola de Ombera– no abrir inconsciente do livro
de pétalas florindo anil no azul manso de abril.




Namibiano Ferreira

4 de abril de 2009

SABOR



Bebo kissângua...

E cheira-me a frutas maduras:

mangas goiabas

abacaxis pitangas

perfumes escondidos

enchendo quindas de quitandeiras

apregoando.



Bebo kissângua...

............................ e cheira-me a Luanda!


Namibiano Ferreira



Kissangua - bebida tradicional angolana.
Quinda - cesto
Quitandeira - vendedoura fruta ou peixe.

23 de março de 2009

POEMARÇO



Mussulo (Luanda)




Poema do mar

flutuando Namibe

luando sonho.

Poema de março

flutuando sonho

luando Namibe.

Poemar

poemarço.







Março aragem do mar

sopro e sol e fartura

no sabor da fogueira-luar.







No afago deste março

seja pois o sopro marinho

um beijo-mar e vida e safra na xitaca

e consequentemente

NÃO um beijo-morte e guerra e mina na terra.













Namibiano Ferreira