foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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23 de abril de 2009

CANÇÃO DE ABRIL

Tela de Arlete Marques


Nos bolsos vazios dos calções do tempo
perdi-te na roda gigante da vida a girar...
encontrei-te Poesia na esquina esquecida
da rua ao passar pelo vento dos dias
–Pérola de Ombera– no abrir inconsciente do livro
de pétalas florindo anil no azul manso de abril.




Namibiano Ferreira

4 de abril de 2009

SABOR



Bebo kissângua...

E cheira-me a frutas maduras:

mangas goiabas

abacaxis pitangas

perfumes escondidos

enchendo quindas de quitandeiras

apregoando.



Bebo kissângua...

............................ e cheira-me a Luanda!


Namibiano Ferreira



Kissangua - bebida tradicional angolana.
Quinda - cesto
Quitandeira - vendedoura fruta ou peixe.

23 de março de 2009

POEMARÇO



Mussulo (Luanda)




Poema do mar

flutuando Namibe

luando sonho.

Poema de março

flutuando sonho

luando Namibe.

Poemar

poemarço.







Março aragem do mar

sopro e sol e fartura

no sabor da fogueira-luar.







No afago deste março

seja pois o sopro marinho

um beijo-mar e vida e safra na xitaca

e consequentemente

NÃO um beijo-morte e guerra e mina na terra.













Namibiano Ferreira


17 de março de 2009

II ANTOLOGIA DE POETAS LUSÓFONOS (CONVITE)





A Folheto Edições & Design, o Director do Mosteiro da Batalha e o Município da Batalha têm a honra de convidar V. Exa. e família para o lançamento do livro:

II Antologia de Poetas Lusófonos

a realizar no próximo dia 5 de Abril de 2009, no Mosteiro Santa Maria da Vitória, na Vila da Batalha, Leiria, Portugal.
A cerimónia terá início às 15h30, nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro, com a actuação da Orquestra Filarmonia das Beiras, seguindo-se, pelas 16h30, a apresentação da II Antologia de Poetas Lusófonos, no Auditório do Mosteiro da Batalha.
Haverá um momento de poesia com a participação de vários poetas.
Entrada Livre





Namibiano Ferreira participa nesta Antologia com 5 poemas.



10 de março de 2009

DISPERSÃO




As sólidas âncoras recolhidas

e zarpar...

largar

à liberdade as asas doridas

estendidas hialinas

sobre as rotas de turquesas

deixando a vida escorrer

pelos sulcos do Azul inteiro

vaguear...

navegar

ao sabor infinito do mar,

e amar

ao sul de todas as latitudes

vestindo no corpo o som de cacimbos

prateados, distintos e distantes

sobre as anharas

xaxualhando semba e maresia...


Namibiano Ferreira


14 de fevereiro de 2009

SER





Flor do Imbondeiro


Pois tu amor bem sabes,

ignorando teu aviso, teu oráculo

tentei os versos de liras e guitarras

mas quão baixo fui e sem ardor!


É junto aos ventos do kissanje

que sei poemas e caminho meus passos

sobre ondas ao luar e às estrelas de mil mares.

É junto à fogueira do fúnji e das estórias

que faço poemas ansiando mais ao longe

os perfumes telúricos da Poesia

oculta algures na copa mística

dos imbendeiros em flor.



Namibiano Ferreira

5 de fevereiro de 2009

BAILADO

Tela de Pascoal Manuel Duango (Angola)





Nos versículos claros da manhã


escrevo os versos proféticos


dos braços verdes de Ombera:


massango


mandioca


milho


massambala.


E depois, venho pela tardinha,


com o peito cheio de versos


pendurar múcuas negras de vida


nos braços alucinados dos imbondeiros...



Namibiano Ferreira

4 de fevereiro de 2009

FRAGMENTOS DE QUATRO POEMAS PERDIDOS EM FEVEREIRO







Monumento aos Heróis do 4 de Fevereiro 



1

...nos muros corroídos das cidades novas

– toldando pesadelos antigos –

alguém escreveu:

Onde está o Sonho Prometido?



2

Viva a Utopia!

Só é pena ela um dia virar Poder...

Abaixo o Poder!

E eu nem sou anarquista...



3

Na manhã de Fevereiro

os areais da cidade

– nos lugares onde há areia –

ainda são

o campo dos proscritos

dos malditos dos deserdados...

ah! Como tenho raiva das injustiças

continuamente

iguais e permanentes.



4

As janelas que se abriram

para o quintal da Utopia

subitamente fecharam-se...

e uma rosa-de-porcelana

– pálido cetim – murcha

sobre meu corpo inerme

enquanto lá fora tem esperas

no verdadeiro raiar do âmbar de amanhã.


Namibiano Ferreira

3 de fevereiro de 2009

CREPÚSCULO





Pitanga madura suspensa no ar


âmbar cristal a brilhar


sobre o mar suave


vitral


laranja hialino a vibrar...




Namibiano Ferreira

AVE MARINHA




Gaivotas gaivinas garajaus



são as aves dos poetas.


Abrasão alada dos céus sobre o mar


trazendo a prata, o ouro e o diamante


com que os poetas se enfeitam

em noites sublimadas de prazer.



Namibiano Ferreira