foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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7 de julho de 2008

JARDIM VIRADO PARA O MAR


Baia Azul (Benguela - Angola)




Para Dinah


És o pólen vento de fusas e colcheias,
brisa de sedas suaves chamando
a abelha zumbindo voando
beijando os dedos carinhosos
acariciando corolas de carne em flor
incendiadas no jardim do meu desejo.


A mantilha solar, organza de luz,
desperta o néctar de um beijo
no regaço perfumado da manhã
chamando a abelha zumbindo
voando sobre o leito do nosso amor
zumbido alado no mel das rosas
onde repouso asas de voar-te
meu pólen vento de pétalas e corolas
bailando sobre meu corpo,
jardim, chao onde prendes racimos
do teu corpo no meu ventre
húmus quente e vivo de prender-te
no afago ouro e luar do nosso jardim
virado para o mar das turmalinas.





Namibiano Ferreira



4 de julho de 2008

PRÉMIO DARDOS






Recebi a indicação do Prémio Dardos de minha amiga Adriana Costa do Blog Versos Bárbaros
http://versosbarbaros.blogspot.com/ Muito obrigado Adriana.


“Con el Premio Dardos se reconocen los valores que cada blogger muestra cada día en su empeño por transmitir valores culturales, éticos, literarios, personales, etc.., que en suma, demuestran su creatividad através del pensamiento vivo que está y permanece intacto entre sus letras, entre sus palabras rotas.” Pandora






Como uma das regras passo a nomear os seguintes Blogs para o "Prémio Dardos":

Poesia Lilaz Carmim (Dinah Raphaellus)


Gritos Verticais (Andre Luis)


Malambas (Eugenio Costa Almeida)


Hariapoiesis (Admario Lindo)



Kitanda (Kotodianguako)



Mulembeira (Decio B. Mateus)


Ondaka Usongo! (Carlos Patacolo)




Pululu (Eugenio Costa Almeida)

Falar e Pensar Angola (Carranca)




Maria Muadie

Jornal de Letras

Canto de Espumas (Tania)


Don't Give Up (Anna Mathaya)


Galeria de Tho Simoes


Galeria de Lino Damiao




26 de junho de 2008

LAVRA DE MORTE


Tela de Eleuterio Sanches


Lá em baixo
na margem do Cubango
p’rós lados do Cuangar
Karungu João
foi na lavra.
Filho na cacunda
quinda na cabeça
foi na lavra
Karungu João
no Cuando-Cubango
p’rós lados do Cuangar
Karungu João
foi na lavra
procurar mandioca
filho na cacunda
quinda na cabeça
que fome é bicho
roendo, mordendo...
foi na lavra
Karungu João
só encontrou mina
debaixo do pé
as pernas perdeu
e o filho morreu
pequeno, pequenino
na cacunda
de Karungu João
Aiuê, Suku ianguê!












Cacunda - costas.
Aiue, Suku iangue! - ai meu Deus!










NAMIBIANO FERREIRA





NO TO LANDMINES!

NAO AS MINAS ANTIPESSOAIS!

RAÇA: HOMO SAPIENS!

Primeira foto creditos: http://paradoxosdoedu.blogspot.com/










Não creio em raças.

Não há raças!



O que há, o que realmente existe, são culturas, culturas humanas, mais ou menos tecnológicas

mas TODAS são uma resposta humana em relação ao meio ambiente que as rodeiam.


-A minha RAÇA?

elementar meu caro racista, como voce e todos os outros homens,

eu sou, nos somos homo sapiens sapiens...


Namibiano Ferreira






OLOMBERA


Quedas da Kalandula - Malanje - Angola




Ombera, a chuva que nos há-de lavar
a alma roída de balas e sofrimento
é a mesma que nos há-de sarar
o corpo amputado e gretado de feridas
fundas e sentidas de sangue vertido
escorrendo em vão, como acácias rubras
assassinadas, pelo chão macerado de nossa Casa.


Essa é Ombera, a chuva bela
que a Paz, enfim, há-de fazer Olombera!




Namibiano Ferreira

12 de junho de 2008

A ROSITA DE MALANJE


Um velho texto de 1998, depois de ver as notícias da Guerra Civil em Angola. Uma imagem ainda presente de três meninas da cidade de Malanje...




A ROSITA DE MALANJE

Os olhos tristes da Rosita de Malanje, menina e já mulher.
Na verdura dos seus nove anos, mais parecendo cinco ou seis, anda brutalmente arremessada aos deveres e responsabilidades da maternidade não parida.


A imagem fere a televisão: a Rosita, na tristeza dos seus olhos, dá a mão à irmã do meio e no colo transporta a outra irmã, filha caçula: encomenda à espera da morte...






Namibiano Ferreira




Uma pequena nota, a foto que acompanha o poema não retrata, de maneira nenhuma, as imagens que então passaram no noticiário televisivo.

1 de junho de 2008

AINDA A GUERRA NAS MINHAS MÃOS




(Origem nao identificada - parece tratar-se da Serra Leoa - mas infelizmente tambem se aplica a Angola. Esta image dramatica originou este poema.)

*


Construimos a Paz subindo degrau a degrau a construção. E o homem vive ainda a guerra na encruzilhada perene dos dias que lhe faltam para que lhe cantem komba. Acabou a guerra e no entanto, ainda a guerra nestas minhas mãos que não vejo, nestas minhas mãos perdidas em vão numa guerra que nada vos custou, a vós, a não ser as minhas mãos irremediavelmente perdidas e, o prémio ganho, a dependência às mãos e à vontade alheias.




Namibiano Ferreira

Komba - Cerimonias funebres

25 de maio de 2008

25 MAIO - DIA DE AFRICA



I dream of an Africa which is in peace with itself.
**
Sonho com uma Africa em paz consigo propria.
Nelson Mandela


14 de maio de 2008

SEGUNDA COLECTÂNEA DE POESIA (NAMIBIANO FERREIRA – 2000)





RESIST(IR) ASSIM – Poesia a Doze, é uma colectânea de vários autores publicada pela Editorial Minerva de Lisboa em Janeiro de 2000. Como facilmente se depreende do título dela fazem parte doze poetas que dividem o livro entre si. Cada autor teve direito a oito páginas e a uma breve autobiografia.


Autores:

Ana Soares
Germano Sousa
Luís Filipe Mendes
Maria José G. De Mascarenhas
Namibiano Ferreira
Helena Faria Monteiro
João Matos
Maria Martins
Delfim Dias
Paulo Jorge A. Ferreira
Angelino Pereira
Mário Rafael Beirão


Coordenação de Ângelo Rodrigues
ISBN: 972 – 591 – 391 – 4

As minhas oito páginas (página 45 e seguintes) são ocupadas por seis poemas e um desenho (Mulemba no Tempo da Seca) da autoria de Anamélia Duarte.

Dos meus seis poemas publicados nesta colectânea, eis um deles:





9 de maio de 2008

PRIMEIRA COLECTANEA DE POESIA (Namibiano Ferreira - 1999)


Esta foi a primeira colectanea de varios autores em que participei. Encontrei, por acaso, este site na net. Nao e' que estivesse esquecida simplesmente nao tenho nenhum exemplar. A segunda colectanea foi no ano seguinte e oportunamente falarei dela.

Namibiano Ferreira

Exposição em Movimento

by colectânea de vários autores participantes na EISPOESIA 99
Publicação resultante do evento "EISPOESIA" realizado pela Associação Cultural 'Gérmen' de Vila do Conde em 16, 17,18 e 22 de Abril de 1999 para assinalar os 30 anos da morte do poeta vilacondense José Régio.

A selecção resulta das opiniões concertadas de Elsa Ligeiro, Inês Lourenço e Paulo José Miranda de entre cerca de quatrocentos poemas e cento e cinquenta poetas participantes, os quais submeteram , cada um até três poemas.

O livro foi publicado pela editora "A Mar Arte" Apartado 5044 - 3040 Coimbra

autores:

-alexandre cardoso
-antónio de campos
-barros pinho
-carlos barros
-carlos filipe moisés
-chico agonia
-cristiane neder

-fernando campos de castro
-fernando correia pina
-joão valeiro
-joão ulisses-juscelini vieira mendes
-lau siqueira
-namibiano ferreira
-paulo azevedo
-pedro manuel silva cena
-régis bonviciano
-sónia alves dias


EISPOESIA articulou leituras, conversas, feira do livro, dramatizações, vídeo (sobre o poeta vilacondense Joaquim Moreira da Silva o 'poeta-carpinteiro') uma grande exposição, e a publicação deste livro.

book rating: 4 out of 10