foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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1 de junho de 2008

AINDA A GUERRA NAS MINHAS MÃOS




(Origem nao identificada - parece tratar-se da Serra Leoa - mas infelizmente tambem se aplica a Angola. Esta image dramatica originou este poema.)

*


Construimos a Paz subindo degrau a degrau a construção. E o homem vive ainda a guerra na encruzilhada perene dos dias que lhe faltam para que lhe cantem komba. Acabou a guerra e no entanto, ainda a guerra nestas minhas mãos que não vejo, nestas minhas mãos perdidas em vão numa guerra que nada vos custou, a vós, a não ser as minhas mãos irremediavelmente perdidas e, o prémio ganho, a dependência às mãos e à vontade alheias.




Namibiano Ferreira

Komba - Cerimonias funebres

25 de maio de 2008

25 MAIO - DIA DE AFRICA



I dream of an Africa which is in peace with itself.
**
Sonho com uma Africa em paz consigo propria.
Nelson Mandela


14 de maio de 2008

SEGUNDA COLECTÂNEA DE POESIA (NAMIBIANO FERREIRA – 2000)





RESIST(IR) ASSIM – Poesia a Doze, é uma colectânea de vários autores publicada pela Editorial Minerva de Lisboa em Janeiro de 2000. Como facilmente se depreende do título dela fazem parte doze poetas que dividem o livro entre si. Cada autor teve direito a oito páginas e a uma breve autobiografia.


Autores:

Ana Soares
Germano Sousa
Luís Filipe Mendes
Maria José G. De Mascarenhas
Namibiano Ferreira
Helena Faria Monteiro
João Matos
Maria Martins
Delfim Dias
Paulo Jorge A. Ferreira
Angelino Pereira
Mário Rafael Beirão


Coordenação de Ângelo Rodrigues
ISBN: 972 – 591 – 391 – 4

As minhas oito páginas (página 45 e seguintes) são ocupadas por seis poemas e um desenho (Mulemba no Tempo da Seca) da autoria de Anamélia Duarte.

Dos meus seis poemas publicados nesta colectânea, eis um deles:





9 de maio de 2008

PRIMEIRA COLECTANEA DE POESIA (Namibiano Ferreira - 1999)


Esta foi a primeira colectanea de varios autores em que participei. Encontrei, por acaso, este site na net. Nao e' que estivesse esquecida simplesmente nao tenho nenhum exemplar. A segunda colectanea foi no ano seguinte e oportunamente falarei dela.

Namibiano Ferreira

Exposição em Movimento

by colectânea de vários autores participantes na EISPOESIA 99
Publicação resultante do evento "EISPOESIA" realizado pela Associação Cultural 'Gérmen' de Vila do Conde em 16, 17,18 e 22 de Abril de 1999 para assinalar os 30 anos da morte do poeta vilacondense José Régio.

A selecção resulta das opiniões concertadas de Elsa Ligeiro, Inês Lourenço e Paulo José Miranda de entre cerca de quatrocentos poemas e cento e cinquenta poetas participantes, os quais submeteram , cada um até três poemas.

O livro foi publicado pela editora "A Mar Arte" Apartado 5044 - 3040 Coimbra

autores:

-alexandre cardoso
-antónio de campos
-barros pinho
-carlos barros
-carlos filipe moisés
-chico agonia
-cristiane neder

-fernando campos de castro
-fernando correia pina
-joão valeiro
-joão ulisses-juscelini vieira mendes
-lau siqueira
-namibiano ferreira
-paulo azevedo
-pedro manuel silva cena
-régis bonviciano
-sónia alves dias


EISPOESIA articulou leituras, conversas, feira do livro, dramatizações, vídeo (sobre o poeta vilacondense Joaquim Moreira da Silva o 'poeta-carpinteiro') uma grande exposição, e a publicação deste livro.

book rating: 4 out of 10

30 de abril de 2008

O KUROKA AGORA VAI SECO...

Leito seco do Rio Kuroka.






O Kuroka agora vai seco.
Não admira, é Setembro...


Um pouco mais a Sul
há ventos de areia
cercando a cidade de cabeleiras protectoras,
por todo o lado corre um cheiro intenso a peixe.
Esta é a terra dos cabeças-de-pungo!
Entre cacimbo que passa e vento que sopra
o tempo espreguiça-se sobre dunas.
Há peixe seco e cheiro intenso de peixe
secando escalado ao sol e ao sal do deserto.
Sobre as eiras longas estendidas solarengas
secam farinhas de peixe e guano.
O tempo em Tombwa, mangonheiro sem igual,
corre, assim, ao sabor,
ao odor de peixe-mar-vida.

E sobre as eiras vazias mangonheiras
- estendidas nos frios do entardecer -
um vento cruel atira às pernas nuas dos miúdos
pequenos grãos de tempo-nada que magoam.






Kuroka - Rio da província do Namibe, só leva água no período das chuvas.
Cabeças-de-pungo - o mesmo que cabeças-de-peixe, nome que se dá aos naturais da cidade de Tombwa (Porto Alexandre) mas também aos da cidade do Namibe (Moçâmedes).
Mangonheiro - Preguiçoso.




Namibiano Ferreira

26 de abril de 2008

AFRO – DITE

Tela de Tho Simoes





I

Teu corpo
suavidade
carnal
cantando
escondida
nas ondas
do mar.


II

Teu rosto
negra
textura
proliferando
entranhada
nesses lagos
marinhos.










Namibiano Ferreira

15 de abril de 2008

PROVÉRBIO






Quem pesca bagre
mano
não faz a lama bailar
no fundo das águas
poisada.
Assim é Paz
também.
Vem malembelembe
que seja
mas para ficar como todos os dias
o sol espreitando no Leste.



Namibiano Ferreira





Malembelembe - devagar, devagarinho.

GÉNESIS




Homem Vitruviano" - Leonardo da Vinci


A Natureza é a poesia lírica de Deus;

o Homem é a Sua epopeia...


e às vezes, as epopeias, são belezas irracionais...


Namibiano Ferreira

12 de abril de 2008

BULUNGA/KALUNGA


Kissângua
ou
tchissângua
breve diferença de som
mas o sabor
é sempre bom.


Em Tombwa cacimbo-vento
diz-se mesmo é só bulunga
nome feio a rimar
até parece kalunga
mar só nada mais
sabor-saber a mar
maresia
no escorrer da corrente fria.



Namibiano Ferreira


Kissangua, tchissangua ou bulunga - bebida caseira angolana.
Kalunga - mar.
Cacimbo - estacao seca.




Gosto muito de kissangua, ja agora, aqui fica uma receita:



KISSANGUA DE ANANÁS


INGREDIENTES:

CASCAS DE ANANÁS, AINDA COM ALGUMA POLPA
ÁGUA
AÇÚCAR


PREPARAÇÃO:

Passamos as cascas do ananás por água a ferver, para limpar.
Seguidamente, deitamos as cascas num vasilhame com água e açúcar a gosto.
Deixamos repousar 2 dias para fermentar bem, e depois passamos por um coador.
A bebida está pronta e bebe-se fresca.
Se quisermos Kissamgua de milho, primeiro cozemos o milho e depois o processo é igual.

15 de março de 2008

ROSALÁBIOS





Para a Dinah


De rosas mil são
feitos os teus lábios.
Perfume, anilina de abril,
desejo sob um céu
promessa de chuva
e abraçado de sol
no riso arco-íris
cristal debruando
a aura colorida de nosso amor.



Namibiano Ferreira