foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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9 de maio de 2008

PRIMEIRA COLECTANEA DE POESIA (Namibiano Ferreira - 1999)


Esta foi a primeira colectanea de varios autores em que participei. Encontrei, por acaso, este site na net. Nao e' que estivesse esquecida simplesmente nao tenho nenhum exemplar. A segunda colectanea foi no ano seguinte e oportunamente falarei dela.

Namibiano Ferreira

Exposição em Movimento

by colectânea de vários autores participantes na EISPOESIA 99
Publicação resultante do evento "EISPOESIA" realizado pela Associação Cultural 'Gérmen' de Vila do Conde em 16, 17,18 e 22 de Abril de 1999 para assinalar os 30 anos da morte do poeta vilacondense José Régio.

A selecção resulta das opiniões concertadas de Elsa Ligeiro, Inês Lourenço e Paulo José Miranda de entre cerca de quatrocentos poemas e cento e cinquenta poetas participantes, os quais submeteram , cada um até três poemas.

O livro foi publicado pela editora "A Mar Arte" Apartado 5044 - 3040 Coimbra

autores:

-alexandre cardoso
-antónio de campos
-barros pinho
-carlos barros
-carlos filipe moisés
-chico agonia
-cristiane neder

-fernando campos de castro
-fernando correia pina
-joão valeiro
-joão ulisses-juscelini vieira mendes
-lau siqueira
-namibiano ferreira
-paulo azevedo
-pedro manuel silva cena
-régis bonviciano
-sónia alves dias


EISPOESIA articulou leituras, conversas, feira do livro, dramatizações, vídeo (sobre o poeta vilacondense Joaquim Moreira da Silva o 'poeta-carpinteiro') uma grande exposição, e a publicação deste livro.

book rating: 4 out of 10

30 de abril de 2008

O KUROKA AGORA VAI SECO...

Leito seco do Rio Kuroka.






O Kuroka agora vai seco.
Não admira, é Setembro...


Um pouco mais a Sul
há ventos de areia
cercando a cidade de cabeleiras protectoras,
por todo o lado corre um cheiro intenso a peixe.
Esta é a terra dos cabeças-de-pungo!
Entre cacimbo que passa e vento que sopra
o tempo espreguiça-se sobre dunas.
Há peixe seco e cheiro intenso de peixe
secando escalado ao sol e ao sal do deserto.
Sobre as eiras longas estendidas solarengas
secam farinhas de peixe e guano.
O tempo em Tombwa, mangonheiro sem igual,
corre, assim, ao sabor,
ao odor de peixe-mar-vida.

E sobre as eiras vazias mangonheiras
- estendidas nos frios do entardecer -
um vento cruel atira às pernas nuas dos miúdos
pequenos grãos de tempo-nada que magoam.






Kuroka - Rio da província do Namibe, só leva água no período das chuvas.
Cabeças-de-pungo - o mesmo que cabeças-de-peixe, nome que se dá aos naturais da cidade de Tombwa (Porto Alexandre) mas também aos da cidade do Namibe (Moçâmedes).
Mangonheiro - Preguiçoso.




Namibiano Ferreira

26 de abril de 2008

AFRO – DITE

Tela de Tho Simoes





I

Teu corpo
suavidade
carnal
cantando
escondida
nas ondas
do mar.


II

Teu rosto
negra
textura
proliferando
entranhada
nesses lagos
marinhos.










Namibiano Ferreira

15 de abril de 2008

PROVÉRBIO






Quem pesca bagre
mano
não faz a lama bailar
no fundo das águas
poisada.
Assim é Paz
também.
Vem malembelembe
que seja
mas para ficar como todos os dias
o sol espreitando no Leste.



Namibiano Ferreira





Malembelembe - devagar, devagarinho.

GÉNESIS




Homem Vitruviano" - Leonardo da Vinci


A Natureza é a poesia lírica de Deus;

o Homem é a Sua epopeia...


e às vezes, as epopeias, são belezas irracionais...


Namibiano Ferreira

12 de abril de 2008

BULUNGA/KALUNGA


Kissângua
ou
tchissângua
breve diferença de som
mas o sabor
é sempre bom.


Em Tombwa cacimbo-vento
diz-se mesmo é só bulunga
nome feio a rimar
até parece kalunga
mar só nada mais
sabor-saber a mar
maresia
no escorrer da corrente fria.



Namibiano Ferreira


Kissangua, tchissangua ou bulunga - bebida caseira angolana.
Kalunga - mar.
Cacimbo - estacao seca.




Gosto muito de kissangua, ja agora, aqui fica uma receita:



KISSANGUA DE ANANÁS


INGREDIENTES:

CASCAS DE ANANÁS, AINDA COM ALGUMA POLPA
ÁGUA
AÇÚCAR


PREPARAÇÃO:

Passamos as cascas do ananás por água a ferver, para limpar.
Seguidamente, deitamos as cascas num vasilhame com água e açúcar a gosto.
Deixamos repousar 2 dias para fermentar bem, e depois passamos por um coador.
A bebida está pronta e bebe-se fresca.
Se quisermos Kissamgua de milho, primeiro cozemos o milho e depois o processo é igual.

15 de março de 2008

ROSALÁBIOS





Para a Dinah


De rosas mil são
feitos os teus lábios.
Perfume, anilina de abril,
desejo sob um céu
promessa de chuva
e abraçado de sol
no riso arco-íris
cristal debruando
a aura colorida de nosso amor.



Namibiano Ferreira

20 de fevereiro de 2008

O TEMPO O VENTO E A CHANA...
























O homem é só mesmo um grão de nada
no meio da chana
.

Pensamento de Sekulu do Moxico.


Não anda em círculos
ou espiral, o tempo.

Avança! Avança sempre
como espada recta crescendo.


É uma chana sem fim
o tempo,
sem floresta para cercá-lo
e como todas as chanas
tem vento
vestindo brisa ou garroa
levantando calemas de muxitos.





Namibiano Ferreira










11 de fevereiro de 2008

À VARANDA...




À varanda de teus olhos
debrucei-me
mordendo as cores latentes da manhã
e o tempo inteiro flamejou
lânguido de prazeres
emaranhados no novelo crespo de teu corpo
preso suavemente
na concha de minha mão
onde estão cantando toninhas e kiandas.







Namibiano Ferreira








29 de janeiro de 2008

LEOPARDO























na noite
do leopardo
só se vê os olhos

A. Barbeitos


A noite da escuridão
tem os olhos do leopardo
faiscando diamantes.
Leopardo: fere o meu coração;
aguça os meus sentidos;
crava, usa tuas garras;

não deixes o sal
arrefecer o sangue da poesia;
não deixes a rocha
tecer o casulo da ignorância;
não deixes o cacimbo
cristalizar a alma do poeta.

Viverei eu, assim, eternamente cantando
estes e outros versos insanos e selvagens
torcidando meus sentidos,
dispersando a alma nos teus olhos leopardo,
no fulgor suave das noites
e na fúria brava das calemas.




Namibiano Ferreira