foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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12 de abril de 2008

BULUNGA/KALUNGA


Kissângua
ou
tchissângua
breve diferença de som
mas o sabor
é sempre bom.


Em Tombwa cacimbo-vento
diz-se mesmo é só bulunga
nome feio a rimar
até parece kalunga
mar só nada mais
sabor-saber a mar
maresia
no escorrer da corrente fria.



Namibiano Ferreira


Kissangua, tchissangua ou bulunga - bebida caseira angolana.
Kalunga - mar.
Cacimbo - estacao seca.




Gosto muito de kissangua, ja agora, aqui fica uma receita:



KISSANGUA DE ANANÁS


INGREDIENTES:

CASCAS DE ANANÁS, AINDA COM ALGUMA POLPA
ÁGUA
AÇÚCAR


PREPARAÇÃO:

Passamos as cascas do ananás por água a ferver, para limpar.
Seguidamente, deitamos as cascas num vasilhame com água e açúcar a gosto.
Deixamos repousar 2 dias para fermentar bem, e depois passamos por um coador.
A bebida está pronta e bebe-se fresca.
Se quisermos Kissamgua de milho, primeiro cozemos o milho e depois o processo é igual.

15 de março de 2008

ROSALÁBIOS





Para a Dinah


De rosas mil são
feitos os teus lábios.
Perfume, anilina de abril,
desejo sob um céu
promessa de chuva
e abraçado de sol
no riso arco-íris
cristal debruando
a aura colorida de nosso amor.



Namibiano Ferreira

20 de fevereiro de 2008

O TEMPO O VENTO E A CHANA...
























O homem é só mesmo um grão de nada
no meio da chana
.

Pensamento de Sekulu do Moxico.


Não anda em círculos
ou espiral, o tempo.

Avança! Avança sempre
como espada recta crescendo.


É uma chana sem fim
o tempo,
sem floresta para cercá-lo
e como todas as chanas
tem vento
vestindo brisa ou garroa
levantando calemas de muxitos.





Namibiano Ferreira










11 de fevereiro de 2008

À VARANDA...




À varanda de teus olhos
debrucei-me
mordendo as cores latentes da manhã
e o tempo inteiro flamejou
lânguido de prazeres
emaranhados no novelo crespo de teu corpo
preso suavemente
na concha de minha mão
onde estão cantando toninhas e kiandas.







Namibiano Ferreira








29 de janeiro de 2008

LEOPARDO























na noite
do leopardo
só se vê os olhos

A. Barbeitos


A noite da escuridão
tem os olhos do leopardo
faiscando diamantes.
Leopardo: fere o meu coração;
aguça os meus sentidos;
crava, usa tuas garras;

não deixes o sal
arrefecer o sangue da poesia;
não deixes a rocha
tecer o casulo da ignorância;
não deixes o cacimbo
cristalizar a alma do poeta.

Viverei eu, assim, eternamente cantando
estes e outros versos insanos e selvagens
torcidando meus sentidos,
dispersando a alma nos teus olhos leopardo,
no fulgor suave das noites
e na fúria brava das calemas.




Namibiano Ferreira

11 de dezembro de 2007

CHANA DA CAMEIA

( Pesca da toqueia - creditos NossosKimbos)







Água, muxito, planíce do céu mordendo a vista.
Todo o tempo é nosso, ao sabor de todo o vento-alma
transparência voando apoteose de espaço.

Chana da Cameia!

Visão do tempo – umbigo de Deus
florescendo toqueia
como olhos de fartura e futuro.


Namibiano Ferreira


Chana da Cameia – Extensa planíce, savana com águas pouco profundas, localizam-se na província do Moxico, Angola.
Toqueia – Pequeno peixe comestível que se pesca na Chana da Cameia, fonte de proteína das populações locais.

23 de novembro de 2007

ROSTO




Para a Dinah



No rasto dos olhos da noite

dos astros

tem o teu rosto

brisa-riso

girassol aquecendo a nudez

da minha praia

mar sem rumo

mastro sem velames

ansiando o astrolábio

rasto de cometa

preso

no marulhar de teus lábios

beijo

carícia de Kianda.




Namibiano Ferreira





Kianda - Divindade das aguas, mitologia Ambundo (Angola).

21 de novembro de 2007

FLORESCÊNCIA

Rosa-de-porcelana (etlingera elatior)


Uma rosa
floresceu no jardim
do meu quintal...


Não é ainda a rosa-de-porcelana
prometida.
Olho para ela: cor indefinida,
pálida e serena.
Lembra-me o desabrochar de um Milénio...
E todos os dias são milénios
porque o Tempo é terno.


Namibiano Ferreira

19 de novembro de 2007

NOME


Nascemos quando nascemos

da água inchada no ventre

e depois,

pelo nome que nos dão

ou pelo nome que havemos de ter,

voltamos novamente a nascer.




Qual o meu nome?

Indelével lençol,

duna suave ondulando

semba.

E os ritmos presos no desejo

vagueante de querer o mar

mas, no entretanto,

na garupa de muitas patas

continuamente fugindo

levantando no ar

poeira.



Namibiano Ferreira

1 de novembro de 2007

AÇUCENAS PARA NOVEMBRO



Açucenas luzidias
zumbindo
encrespam os jardins de espuma.


É novembro!
Isto era em novembro
quando capim de muitas esperanças...
.....................................................................


-Quando vêm as açucenas ser a flor
branca de paz
luzindo Novembro de ano inteiro?




Namibiano Ferreira