foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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29 de janeiro de 2012

OS NYANEKA-HUMBI



Os Nyaneka-Humbi  

Essencialmente criadores e pastores de gado mas também agricultores, os nyaneka-humbi encontram-se confinados à província da Huíla. Embora ligados aos Ovimbundu, contrariamente a estes, os Nyaneka-Humbi são fechados e pouco flexíveis. O tipo de alimentação destas populações pastoris é a base de leite e de farinha duma variedade de cereal designada massango. Tal como os agricultores do norte do país, os terrenos de cultivo não constituem propriedade individual. “O mesmo, aliás, se observa nos restantes povos criadores. Também os pastos são comuns. Averiguamos, no entanto, entre os Humbes, uma organização do espaço verdadeiramente notável”, diz-nos José Redinha.
Segundo Fernando Neves, em 1960, os Nyaneka-Humbi aproximavam-se dos 129 mil habitantes, dos quais 100 mil eram Nyaneka. Considera-se que os Nyaneka sejam dos mais antigos ocupantes da região, seguindo-se os Humbi. “A região dos Humbes foi atingida pela invasão dos Hotentotes do Sudoeste Africano (actual Namíbia), que levou as suas incursões até às margens do Cunene, a partir do ano de 1881”.  O esquema sociopolítico dos Humbi apresenta um tipo de autoridade difundida no grupo que é orientada pelos chefes simples ou por alguns seculo (mais idosos) e ainda por criadores de gado mais importantes, segundo o princípio do primus inter pares. 
Redinha refere também que “no plano cultural expressam, à semelhança dos Ambos e dos Hereros, influências da cultura camita oriental, levada até ao Cunene pelas migrações dos pastores camíticos do Nordeste Africano. A essa tradição se liga a instituição do ‘gado sagrado’ nela incluída o cortejo do “boi sagrado”, tido como reminiscência do culto do boi Ápis dos velhos altares do Nilo, anualmente praticado entre Nhanhecas”. 
Do ponto de vista artístico, os Humbi cultivam o adorno do corpo e curiosos penteados, produzindo vestuários e ornatos de natureza diversa, incluindo a confecção de pulseiras metálicas cuidadosamente gravadas.
Na vida social dos Nyaneka-Humbi realizam-se ritos de puberdade feminina e nos actos divinatórios praticam o aruspício. “Os arúspices eram sacerdotes romanos que faziam prognósticos consultando as entranhas das vítimas”. Ainda de acordo com José Redinha, na sua obra de investigação intitulada “Etnias e Culturas de Angola”, editada, em Luanda, em 1974, “os Humbes revelam ao observador a existência de uma elite de tipo evoluído que se mostra dotada duma notável inteligência prática”.
Os belos penteados das senhoras Nyaneka-Humbi

Variantes Linguísticas

Vatomene Kukanda refere-se a nove variantes linguísticas, que abrangem, sobretudo, a província da Huíla e também uma parte da província do Cunene. Na província da Huíla: o mwila, o ngambo, o humbi, o huanda (mupa), o handa (cipungu), o cipungu, o cilenge-humbi e o cilenge-muso. Na província do Cunene: o humbi, o ndongwela, o hinga e o konkwa. 

Filipe Zau, Ph.D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais
Retirado de Jornal de Angola (02 Fev. 2010)



25 de janeiro de 2012

MARCELA COSTA - PINTORA






Marcela Costa

Tecelã e pintora, Marcela Martins Costa nasceu em Setembro de 1957, em Golungo Alto, na província do Kwanza Norte, em Angola.
Depois de concluir o curso de Artes Visuais na Escola Industrial de Luanda, foi convidada por um dos seus professores, o pintor Viteix (Vítor Teixeira), para integrar um projecto de desenvolvimento cultural, que se encontrava a cargo do Conselho Nacional da Cultura. Posteriormente, trabalhou como desenhadora no Departamento Nacional de Museus e Monumentos e, em seguida, fez diversos cursos de tecelagem artística e de serigrafia na Suécia e no Brasil. Em1995, criou o Atelier de Artes Marcela Costa.
Realizou várias exposições, a nível individual e colectivo, em países como Reino Unido, Brasil, França, Zimbabwe, Estados Unidos, Zâmbia, África do Sul, entre outros. Em 2002, inaugurou uma exposição, cujo tema foi "Arte Mulher-Angola 25 anos". Nesse mesmo ano, recebeu o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Artes Plásticas.
Marcela Costa utiliza, nas suas criações, materiais como tecido, areia, estampas aplicadas, texturas naturais, em formas preferencialmente curvas que traduzem uma expressão no feminino e uma proximidade à terra.

24 de janeiro de 2012

POEMAS DE AGOSTINHO NETO (LINK)


Siga este link: http://www.agostinhoneto.org/index.php?option=com_content&view=section&id=14&Itemid=202 e terá acesso a toda a poesia do grande poeta e pai da pátria angolana, Dr. Agostinho Neto.

– Eis as nossas mãos
Abertas para a fraternidade do mundo
Pelo futuro do mundo
Unidas na certeza
Pelo direito pela concórdia pela Paz.

Agostinho Neto, in Sagrada Esperança


LONG WALK TO FREEDOM - Nelson Mandela


Quase como uma Bíblia, eu diria, e sem blasfemar, retorno várias vezes ao ano a este livro: LONG WALK TO FREEDOM (Longo Caminho para a Liberdade) de  Nelson Mandela que devia ser de leitura obrigatória nas escolas do mundo inteiro. Do original em inglês eis algumas citações, ao acaso:
File:Long Walk to Freedom.jpg
No one is born hating another person because of the colour of his skin, or his background, or his religion. People must learn to hate, and if they can learn to hate, they can be taught to love, for love comes more naturally to the human heart than its opposite.
"Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido à cor da sua pele, ao seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, também podem ser ensinadas a amar, porque o amor é mais natural no coração humano do que o seu oposto."

No one truly knows a nation until one has been inside its jails. A nation should not be judged by how it treats its highest citizens but its lowest ones.
"Ninguém verdadeiramente conhece uma nação até estar dentro das suas prisões. Uma nação não deve ser julgada como trata os seus cidadãos mais respeitados mas os de mais baixa condição."

I detest racialism because I regard it as a barbaric thing, whether it comes from a black man or a white man.
"Detesto o racialismo porque o vejo como uma coisa bárbara, venha ele de um homem negro ou de um homem branco."

A man who takes away another man’s freedom is a prisoner of hatred, he is locked behind the bars of prejudice and narrow-mindedness. I am not truly free if I am taking away someone else’s freedom, just as surely as I am not free when my freedom is taken from me. The oppressed and the oppressor alike are robbed of their humanity…. For to be free is not merely to cast off one’s chains, but to live in a way that respects and enhances the freedom of others.
"O homem que tira a liberdade de outro homem, é um prisioneiro do ódio, está aprisionado atrás das barras do preconceito e da estreiteza de espírito. Não sou completamente livre se tirar a liberdade de outrém e, concerteza, também não sou livre quando a minha liberdade me é retirada. Tanto o oprimido quanto o opressor são roubados da sua humanidade... Para ser livre não basta apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que se respeite e melhore a liberdade dos outros."

The curious beauty of African music is that it uplifts even as it tells a sad tale. You may be poor, you may have only a ramshackle house, you may have lost your job, but that song gives you hope… [African music] can ignite the political resolve of those who might otherwise be indifferent to politics.
"A curiosa beleza da música africana é que ela dignifica e ainda nos conta uma história triste. Podes ser pobre, podes viver num casebre, podes estar desempregado, contudo, essa canção dá-te esperança... [a música africana] pode inflamar a vontade política daqueles que poderiam ser indiferentes à política."


Long Walk to Freedom by Nelson Mandela, O Madiba.

10 de janeiro de 2012

POEMA: CANSAÇOS


Deserto do Namibe - Angola


CANSAÇOS


Não é o vento que me cansa
baloiçando
o verde louro da savana
mas o tempo...
o tempo espreguiçando
sem depressas
a louca eternidade
assobiando macerados
e dolentes cansaços.


Namibiano |Ferreira

3 de janeiro de 2012

MAKEZU - ANDRÉ MINGAS




Relembrando aqui uma das perdas da cultura angolana em 2011. André Mingas cantando um poema de Viriato da Cruz. 



Makèsú

- "Kuakié!... Makèzú..."
...............................................
O pregão da avó Ximinha
É mesmo como os seus panos
Já não tem a cor berrante
Que tinha nos outros anos.

Avó Xima está velhinha
Mas de manhã, manhãzinha,
Pede licença ao reumático
E num passo nada prático
Rasga estradinhas na areia...

Lá vai para um cajueiro
Que se levanta altaneiro
No cruzeiro dos caminhos
Das gentes que vão p´ra Baixa.

Nem criados, nem pedreiros
Nem alegres lavadeiras
Dessa nova geração
Das "venidas de alcatrão"
Ouvem o fraco pregão
Da velhinha quitandeira.

- "Kuakié!... Makèzú, Makèzú..."
- "Antão, véia, hoje nada?"
- "Nada, mano Filisberto...
Hoje os tempo tá mudado..."

- "Mas tá passá gente perto...
Como é aqui tá fazendo isso?"

- "Não sabe?! Todo esse povo
Pegô num costume novo
Qui diz qué civrização:
Come só pão com chouriço
Ou toma café com pão...

E diz ainda pru cima
(Hum... mbundu Kene muxima...)
Qui o nosso bom makèzú
É pra véios como tu."

- "Eles não sabe o que diz...
Pru qué Qui vivi filiz
E tem cem ano eu e tu?"

- "É pruquê nossas raiz
Tem força do makèzú!..." 


Viriato da Cruz