foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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28 de maio de 2010

ENTREVISTA COM JÚLIO MENDES LOPES



Júlio Mendes Lopes lecciona História de África no ISCED em Luanda.


"Elites africanas preservam processos da administração colonial"


A pré-história é um conceito que ainda faz sentido?

É ainda um conceito que faz sentido, sim. Porque é o período em que ocorreram, em África, os processos de hominização. É no continente africano que se encontram os estádios do desenvolvimento humano de maneira continuada, desde os australopitecos até ao homo sapiens, que se vai encontrar desde o corredor que vai de Manke Makdap, na África do Sul, até ao vale do rio Omo na Etiópia.
É neste vale onde investigadores franceses, britânicos e norteamericanos trabalharam e deram com muitos achados ósseos que dão uma ideia sobre a evolução da humanidade.
Os australopitecos, por exemplo, não foram encontrados em nenhum outro continente que não no africano.
Aliás, é também em África que se deram os primeiros sinais da escrita cursiva, nomeadamente no Egipto antigo, e é também em África onde muitos dos grandes sábios da Grécia antiga estudaram. Há até trabalhos publicados por um grego, Ptolomeu Cláudio, que chegava ao ponto de afirmar que um livro de mil páginas não chega para enumerar os sábios da Grécia que estudaram no Egipto antigo, nas mais diferentes áreas: medicina, agronomia, astronomia, filosofia, etc. Como o caso de Pitágoras, por exemplo, o sábio grego que criou a teoria dos catetos, estudou matemática durante 22 anos no Egipto. Isso é prova evidente de que África é o continente que deu os primeiros fundamentos do desenvolvimento da humanidade.

O País On Line http://www.opais.co.ao/pt/opais/home.asp

27 de maio de 2010

MÚSICA DOS HEREROS DO SUL DE ANGOLA

Alguma propaganda foi feita sobre o luxuoso livro de fotografias do povo herero, do sul de Angola [e norte da Namíbia], de autoria do publicitário pernambucano Sérgio Guerra (Hereros, editora Maianga, R$ 190*), que trabalha para o governo angolano desde 1999. Seu lançamento foi há um mês, no dia 27 de abril, na Livraria Cultura da faustuosa Villa Daslu, de São Paulo. Mas os resenhistas do material não chegaram a comentar sobre uma pequena relíquia que vem contida no álbum: é o disco das músicas daquele povo seminômade e irredento que passou um tanto ao largo do colonialismo português (embora tenha sofrido durante as campanhas europeias de "pacificação"). Trata-se de uma preciosidade para aqueles que se interessam pelos cânticos tradicionais angolanos em particular, e africanos em geral. O som, naturalmente, assim como o resultado geral do trabalho, de ótima qualidade.

[Comentários pontuais sobre os hereros e outros povos da região, ler o antropólogo angolano Ruy Duarte de Carvalho. Com mais tempo, ler o ótimo Vou lá visitar pastores.]


Nota: Por falar em Villa Daslu, vai uma dica para os bebericadores de café. Quem algum dia passar ali por perto (avenida Chedid Jafet), aproveite para saborear gratuitamente o café da cafeteria Octavio, uma das melhores e mais luxuosas da capital paulista (há pelo menos dois balcões lá dentro). Pergunte pelo café turco. E leve o caderno de campo: as tribos que passeiam pelo local à procura de adornos e dádivas são muito, digamos assim, peculiares.
 
Créditos:  Lusofonia Horizontal: http://lusofoniahorizontal.blogspot.com/


E veja mais este link, sobre o livro:
Hereros (OvaHimba), foto de Sérgio Guerra

* 190 reais = 70 libras e 81 euros

27 DE MAIO DE 1977 - O QUE FOI?

Nito Alves


José Van Dúnen



Sita Valles





Hoje, é 27 de Maio. Em 1977 aconteceu História em Luanda. O que foi o 27 de Maio de 1977? O vídeo esclarece.



Link Associacao 27 de Maio: http://27maio.com/



25 de maio de 2010

25 DE MAIO - DIA DE ÁFRICA - PINTORES ANGOLANOS

Valentim


Carla Peairo



Rui Samuel



Lino Damiao


António Olé

Neves e Sousa



Thó Simoes


Mário Tendinha


13 de maio de 2010

A AVÓ MAYAMBA

Interessantíssima matéria publicada no jornal angolano on-line O País, em março de 2010, retirei do blog Lusofonia Horizontal:
http://lusofoniahorizontal.blogspot.com/ 

O evento que acontecerá hoje a partir das 18 horas na sede da UEA é, na verdade, um duplo momento, pois para lá do livro “Um Ano de Vida”, vai ser também a apresentação pública de uma nova casa editora, que acaba de ser fundada pelo jornalista e editor literário Arlindo Isabel.
Avó Mayamba

Baptizada com o nome de Mayamba Editora, a entidade surge como a nova aposta do ex-director da Nzila, conhecida editora que criou há dez anos e de que se afastou, de maneira voluntária, nos finais de 2009.
“Um Ano de Vida” é, assim, o livro de estreia da Mayamba Editora, que muito em breve trará outros autores nas suas variadas colecções, que se estendem da ficção narrativa (colecção Nzadi, que significa rio em língua kikongo) a uma dezena de outros géneros (literatura infanto-juvenil, ensaio histórico, pesquisa em ciências médicas, texto de ciências sociais, dicionários, etc).



Preito de homenagem

O nome Mayamba, que passa a conferir identidade à nova casa editora, pertence à avó materna de Arlindo Isabel, e constitui uma homenagem à mulher que considera “o pilar” da sua educação e formação.
Hoje, com mais de noventa anos, e a residir num bairro de Luanda, a matriarca é iletrada e não fala português, exprimindo-se exclusivamente em kikongo. Nenhum destes factos a impediu, contudo, de compreender desde cedo a importância da escola e tem o seu passado ligado profundamente a essa visão progressista do mundo, que a levou a fazer da oferta sistemática de livros a filhos e netos uma rotina. A sua aposta firme na educação dos descendentes permite que hoje tenha na família mais de uma dezena de licenciados, entre eles o próprio Arlindo Isabel, formado em jornalismo e a irmã deste, médica especialista em oncologia.
A homenageada criou os seus filhos e netos numa aldeia do município da Damba (província do Uíge) e é lembrada pelo seu estoicismo e capacidade de fazer acontecer, que a tornou criadora de gado caprino, suíno e galinhas; produtora de ginguba, mandioca, gergelim e inhame e dextra no domínio das plantas medicinais locais para curar os seus do paludismo e outras doenças. Mas filhos e netos recordam-na com mais emoção ainda pelas suas viagens de mais de 30 km, a pé, da aldeia até à sede comunal, para vender fuba de bombó, ginguba, milho, batata-doce e outros produtos do campo, e assim conseguir os trocados tão necessários à sobrevivência da prole sob sua exclusiva responsabilidade, uma vez que tios e irmãos tinham abalado como refugiados para o vizinho Congo ex-Belga (actual RDC) para escapar da repressão do colonizador português.


http://www.opais.net/pt/opais/?id=1787&det=10548&mid=293

11 de maio de 2010

CARLA PEAIRO - PINTORA ANGOLANA


Carla Peairo nasceu em Angola, Benguela, cidade das acácias rubras, em 1961.
Viveu uma grande parte da sua infância, à beira-mar: Praia Morena, Baía Farta,
Chamume, Macaca.
O seu interesse pelo desenho e pintura começou quando tinha 13-14 anos e, até hoje a sua paixão. A sua paleta de cores quentes, transmite África e levou-a a realizar mais de quarenta exposições.
Viveu em Angola 22 anos onde seguiu uma formação artística de desenho, pintura e
decoraçãona Escola Industrial de Benguela e frequentou o Instituto Superior de Ciências da Educação na cidade de Lubango.
Foi membro da Brigada Jovem de Literatura da Huíla e participou, com o Trio Mensagem, em vários espectáculos musicais apresentados no cinema Arco-Íris e no ISCED.
Adquiriu experiência profissional como decoradora, assistente social, professora de
inglês e de desenho no ensino secundário.
Em 1983 parte para Lisboa onde exerce em desenho publicitário, criação e confecção de modelos na indústria têxtil.


Admitida no Centro de Arte e Comunicação Visual - ARCO em Lisboa, frequenta os
ateliers de desenho , artes gráficas, modelagem assim como o atelier de pintura da
Sociedade Nacional de Belas Artes.
Actualmente vive em Neuchâtel – Suíça, e continua a dar asa à sua imaginação.
As suas obras estão representadas em várias colecções privadas e públicas
internacionais: Angola, Senegal, Portugal, Brasil, Suíça, Dinamarca, Noruega, Inglaterra, Alemanha, Nova Iorque.
É membro da UNAP e da ArtAfriksuisse, sociedade dos artistas africanos na Suíça.
As sua obras orientam-se essencialmente para uma temática de expressão africana
representando aspectos da vida dos africanos: a fecundidade e a continuidade, como
símbolos atribuídos ao universo feminino, os momentos de lazer e de reflexão sobre a
vida, os rituais...
Concilia e integra na sua criação o real e o imaginário, a mitologia negra, o seu
fantástico e a poesia assim como as disposições inerentes à sua condição de mulher-pintora africana.
O seu desejo e esperança são que as suas obras transmitam o amor da vida, a
solidariedade humana, a coesão.



As 3 telas sao de Carla Peairo (Angola)

10 de maio de 2010

Angola participa no 9º Festival Africano da Grécia




O Pensador 


Angola vai participar, nos dias 15 e 16 deste mês, em Atenas, no 9º Festival Africano da Grécia, inserido nas celebrações do Dia de África (25 de Maio), onde serão apresentados diversos aspectos da cultura nacional.
Segundo uma nota da embaixada angolana na Grécia, o país vai exibir danças, culinária, moda, artesanato, bijutaria e música, cujo certame se realiza há nove anos.
O Festival Africano da Grécia realiza-se numa iniciativa das missões diplomáticas do continente africano acreditadas naquele país europeu. O objectivo é promover as potencialidades sócio-culturais dos estados participantes.
O embaixador angolano na Grécia, Jaime Vilinga, promoveu quarta-feira, na residência oficial do diplomata angolano, um encontro de trabalho com os seus homólogos africanos, no qual foram analisados e discutidos aspectos ligados à organização do festival.
A organização do festival estima que cerca de 10 mil pessoas visitarão a residência oficial do embaixador da África do Sul, local onde vai decorrer o evento.

Texto retirado de http://www.angoladigital.net/artecultura/

7 de maio de 2010

COSTUMES NYANEKA-HUMBI - PENTEADOS -

Os Muílas são um povo que pertence à nação Nyaneka-Humbi. Habitam a província da Huíla no Sul de Angola. No século XVI os Nyaneka-Humbi repartiam-se por dois importantes e poderosos reinos: Reino da Huíla e Reino do Humbi e que fizeram parte do célebre “Ciclo de Mataman” que compreende a história de todos os povos angolanos que habitavam o que são hoje as províncias da Huíla e do Namibe.





OS PENTEADOS


As mulheres usam penteados de demorada e difícil execução, mas de grande duração, muitas vezes artisticamente ornamentados de missangas. O formato desses penteados é variável, estando em conformidade com a fase da vida que a mulher atravessa. Podem, assim, distinguir-se pelo menos seis formatos, que correspondem às seguintes fases: até à idade de doze anos; dos treze aos catorze, sendo este um autêntico monumento; quando está prestes a casar; quando casa; passado algum tempo depois de casar e, finalmente, depois de ter filhos. Nesta última fase, a mulher usa pedaços de caniço no penteado, consoante o número de filhos, pois cada pedaço de caniço representa um.

Pelo penteado pode, pois, distinguir-se se a rapariga é impúbere, púbere, se está para casar ou se já casou e, neste último caso, se tem filhos e quantos tem.

Nas cerimónias tradicionais as mulheres devem apresentar-se com os penteados próprios e devidamente compostos. Por vezes a arte dos penteados é melhorada através do uso de ornamentadas perucas.


Peruca

3 de maio de 2010

A REBITA

Para o meu avô, que foi um grande rebitista.


Rebita

A rebita é um género de música e dança de salão angolana que demonstra a vaidade dos cavalheiros e o adorno das damas. Dançada em pares em coreografias coordenadas pelo chefe da roda, executam gestos de generosidades gesticulando a leveza das suas damas, marcando o compasso do passo do semba. O charme dos cavalheiros e a vaidade das damas são notórios; enquanto dança se vai desenvolvendo no salão as trocas de olhares e os sorrisos entre o par são frequentes. É dançada em marcação de dois tempos, através da melodia da música e o ritmo dos instrumentos.



A rebita tem a sua origem mais directa na dança angolana que se chama semba (umbigada). Ao introduzirem o acordeão no semba surgiu a rebita, como explica Óscar Ribas, o ambiente campestre foi trocado pelo salão.
Segundo a opinião do músico angolano Liceu Vieira Dias, as origens da rebita remontam ao período das invasões francesas em Portugal quando um grande número de nobres portugueses se auto-exilaram em Luanda sem as suas mulheres e habituados a uma vida social influenciada pela cultura francesa, influenciaram os naturais do país. Por essa altura fundaram-se associações onde se organizavam bailes, tendo como base um tipo de movimentação coreográfica que é exactamente a do cotillon francês.
“Algumas figuras no desenvolvimento da dança que era colectiva eram comandadas (...) em francês: changer la dame, tourner a droite, tourner a gauche. Além disso, havia outras expressões francesas testemunhando a sua influência”. Ora, como bem sabemos, a nossa rebita possui este tipo de comandos.
Na rebita que se dançava no século XIX em Luanda, de acordo com documentos dessa época, as senhoras eram vistoriadas por uma “mais velha” do grupo. O objectivo era verificar se as damas não vinham só bonitas e luxuosas por fora, com panos garridos, mas certificar se a roupa interior também era digna de uma pessoa que frequentava um local de elite, como era a rebita.
Os cavalheiros também eram vistoriados por um “mais velho” do grupo, que observava se as peúgas dos cavalheiros estavam de facto em condições, se a camisola interior e outros utensílios de uso interno estavam em conformidade.

ESTA PALAVRA ANGOLA

A palavra Angola provém da palavra Kimbundu ngola, cujo plural é jingola. Ngola é um pedaço de ferro que a maioria das linhagens Mbundu detinham como insígnia de autoridade. Daí também a mesma palavra (ngola) utilizada para designar o detentor dessa autoridade, ou seja, o rei. Como exemplos temos: Ngola Kiluanji, Ngola Kiluanji Kya Samba ou Nzinga Mbandi Ngola. Nesta acepção, nos primeiros tempos, o vocábulo Ngola (aportuguesamento Angola) significaria as terras governadas pelos Jingola, (nacionalidade Ambundo) em oposição ao Reino do Congo, a Norte ( nacionalidade Bakongo) e ao chamado Reino de Benguela, a Sul (nacionalidade Ovimbundu). Posteriormente o nome Angola passou a designar todo o território administrado pelas autoridades coloniais portuguesas, dando assim origem ao nome do país.