foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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29 de dezembro de 2009

FELIZ ANO NOVO & UM POEMA...

Para os seguidores, visitantes e habituais comentadores desta Ondjira Sul*, aos meus leitores em geral, os meus sinceros votos de uma boa passagem de ano e um excelente 2010, espero continuar a merecer as vossas leituras no próximo ano, VIVA A POESIA! Deixo-vos um poema, aquilo que vos posso oferecer...


* Alguns leitores já perguntaram o significado de Ondjira, dei a resposta na devida altura mas agora deixo tradução para todos: Ondjira, significa caminho, é uma palavra em idioma Tchiherero, falada pelos Mukubais (Ovakuvale) e Himbas (Ovahimba) do deserto do Namibe, Sul de Angola, onde já sabem, eu nasci.



Cantico - Tela de Valentim (Angola)

AD INITIUM

O vento soprava pelo simples prazer de soprar...


.............................................................................

Era no tempo em que não tinhamos tribo.
Andávamos na nudez aurora do tempo
recolhendo bagas doces de vento e rocio
caçando e pescando o pão nosso quotidiano
no espreguiçar matinal de cada dia de sol
partilhando os bens e os alimentos e nada era meu
porque essa foi a última palavra a ser inventada.


Era o tempo em que dávamos o nome primeiro
a todas as coisas e cada nome era um poema maduro
de símbolos e perfumado de metáforas luzidias.
Era, na verdade, o tempo sem os fardos preocupados
das filogéneses e ontogéneses, sem conceitos e preconceitos.
Era o tempo em que andávamos nus pintando
símbolos e riscando gravuras sobre as paredes
pedra útero das cavernas pelo mágico prazer de criar
sem estéticas e as frias racionalidades
simplesmente pintar riscar poetar e nada mais...


Namibiano Ferreira
 
Desenhos tradicionais Tchokwé (Angola)


PROJECTOS DA FUTURA CONSTITUIÇÃO (LINK)

No link abaixo terá acesso aos vários PROJECTOS DA FUTURA CONSTITUIÇÃO da República de Angola.

28 de dezembro de 2009

PORQUE HÁ COISAS QUE NÃO PODEMOS CALAR...

Este artigo foi retirado do blogue Alto Hama, http://altohama.blogspot.com/  com a devida permição do autor do texto e do blogue, o jornalista luso-angolano, Orlando Castro.

Ele há coisas que um homem não pode calar... porque há dias que o poeta não é um fingidor e, muito menos, quando esse homem canta a sua terra e se diz porta-voz do seu povo. Não me interessa se o poeta é, literáriamente falando, bom ou ruim, o que me interessa é esta verdade que todos vêem e ninguém fala por medo, por interesse ou por outra coisa qualquer.
Perder a futura publicação de um livro lá na minha Banda? Bem, a minha consciência é mais importante... pelos que sofrem e por tudo que lhes foi prometido! O que é preciso é mais pão, mais saúde, habitação, educação e não tanta torre na marginal, tanta obra faraónica...


Musseque Boavista (Luanda) - Foto http://caribou-angola.blogspot.com/


Enquanto os angolanos morrem à fome portugueses endeusam Isabel dos Santos

 Segundo o português Jornal de Negócios, “Portugal tem muitas mulheres importantes, algumas são ricas, poucas são poderosas. Uma é as três coisas. Tem 36 anos e não é portuguesa. É a angolana Isabel dos Santos.”
E acrescenta: “Isabel e José Eduardo construíram um poder tão ramificado em empresas portuguesas que só o Estado e Grupo Espírito Santo os ultrapassarão. Tanta concentração de poder é mais ameaçadora do que uma nacionalidade”.


O que os jornais, este como (quase) todos os outros portugueses, não dizem é que 68% (68 em cada 100) dos angolanos são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome.


Não dizem que 45% das crianças angolanas sofrem de má nutrição crónica, que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos, ou que no “ranking” que analisa a corrupção em 180 países, Angola está na posição 158.


Não dizem que em Angola a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, e que o silêncio de muitos, ou omissão, deve-se à coação e às ameaças do partido que está no poder desde 1975.


Não dizem que em Angola, a corrupção política e económica é, hoje como ontem e certamente amanhã, utilizada contra todos os que querem ser livres.

Não dizem que Angola disponibiliza apenas 3 a 6% do seu orçamento para a saúde dos seus cidadãos, e que este dinheiro não chega sequer para atender 20% da população, o que torna o Serviço Nacional de Saúde inoperante e presa fácil de interesses particulares.

Não dizem que em Angola 76% da população vive em 27% do território, que mais de 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população de cerca de 18 milhões de angolanos.

Não dizem que em Angola o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Não dizem que enquanto a maioria (68%) dos angolanos nem fuba ou peixe seco tem, Isabel dos Santos e os restantes membros do clã adoram trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba, queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas, e vinhos do tipo Château-Grillet 2005.

Texto reproduzido na íntegra daqui: http://altohama.blogspot.com/search?updated-max=2009-12-22T19%3A37%3A00Z&max-results=10  , da autoria do jornalista luso-angolano, Orlando Castro.
Musseque (bairro-de-lata, favela) de Luanda, visto de satélite. A Luanda real, dos pobres, dos famintos, dos que não vêem os benefícios do petróleo, dos diamantes e das muitas outras riquezas...

A Luanda do futuro, dos dólares, euros, dos lucros dos petróleos, dos diamantes e das outras muitas riquezas... a Luanda dos poderosos vestindo seus obesos fatos engomados e gravatas de luxo. Projecto do futuro Shopping Kinaxixi, onde o povo dos musseques irá fazer suas compras de luxo.

E para terminar um poema do autor desta Ondjira:

LUUANDA


Mu’xi ietu iá Luuanda mubita ima ikuata sonhi...*
(de um conto popular)
In Luuanda – Luandino Vieira


O vento de Luandino
deu berrida nas nuvens
e as folhas secas
todas da mulembeira
rodopiaram diásporas
pelo chão do musseque...


O vento assobiou acordando
a insustentável leveza do algodão
que trouxe a prata líquida
a cantar bagos de chuva
sobre o quotidiano pobre e sujo
das areias e vielas do musseque.
A água do céu e a lama da terra
conjugaram o vazio de políticas
amassando a pobreza esquálida
que se gruda aos olhos de quem passa:
homens, mulheres e crianças
são como seus casebres feitos de lama,
lama suja, lama triste do musseque
e a chuva-prata a cantar nos zincos
ghetto ghetto ghetto... denunciando
e a chuva gota após gota
cai sem lavar esta distância
sem purgar esta doença social
e a chuva gota após gota
cai raivosa sobre os zincos velhos
ghetto ghetto ghetto... chovendo
e a chuva passando com pressa
tem vergonha de chover aqui
cantando no seu gotejar:
ghetto gota ghetto gota ghetto!


Namibiano Ferreira


* Nesta nossa terra de Luanda, passam coisas de envergonhar...
(tradução livre de Namibiano Ferreira)


26 de dezembro de 2009

BANDA DESENHADA ANGOLANA

Para saber mais sobre a BD (histórias em quadrinhos) angolana, sua história e seus autores siga este link: http://www.netangola.com/mankiko/bd_angolana.asp




 



Mankiko & Fatita












Finório & Joaquinito














Estas são algumas personagens da BD angolana, da autoria de Sérgio Piçarra.

21 de dezembro de 2009

SOBRE O NATAL...


Algumas pessoas têm perguntado se se festeja o Natal em Angola ou se eu comemoro o Natal. Vai daí, resolvi fazer esta postagem.
Sim, eu comemoro o Natal, sou católico. O Natal é amplamente festejado em Angola. A maioria da população é cristã. Mas não se festeja um Natal consumista, como aqui na Europa pois a maioria da nossa gente vive, infelizmente, com muito pouco, muito pouco mesmo.
Durante o regime marxista era feriado também, com o nome de Festa da Família. Segundo dados da Embaixada de Angola a religião encontra-se assim distribuída: Católicos 51%; Protestantes 17%; Tradicional (Animista) 30%; Outras 2%.
Há que referir aqui uma Igreja Protestante de cariz essencialmente nacional, a Igreja Tocoísta, fundada por Simão Toco e que actualmente está em expansão fora de Angola. Nesta postagem vou dar-vos mais informações sobre Simão Toco, um profeta angolano, um homem de paz, ele viveu em Tômbwa, com residência fixa, no Farol da Ponta Albina.
Em Angola, em casa dos meus avós em Tômbwa, era hábito celebrarmos o Natal da seguinte forma: na véspera celebrávamos na tradição católica portuguesa, bacalhau de consoada e missa do galo. Já o dia de Natal era celebrado com uma fausta muamba de galinha acompanhada por fúndji de fuba bombó e como lá, em dezembro, é calor, comíamos a muambada debaixo de uma parreira de videiras. Para os que não sabem, no Namibe, as culturas mediterrânicas dão-se muito bem, é como se estivessem em casa, nomeadamente as videiras e oliveiras.
Actualmente, embora católico, tenho uma visão independente em relação à religião, não só sobre o catolicismo mas a religião em geral. Acredito em Deus, mas não acredito na religião. Deixo-vos um poema:





PAGANUS



Adoraria o Sol o Mar
e o murmúrio da Natureza.
O correr infinito dos rios
e toda a fremente beleza
da Vida e do luar beijando
prata nos lábios azeviche da Noite.



Morreria pagão, assim,
sem nenhum deus por definição
não fosse este acreditar
num Deus do perdão...
mas hoje, morto, assassinado
no altar profano da religião.



Namibiano Ferreira





Simão Toco, o Profeta Angolano


Simao Toco



Simão Toco nasceu em Fevereiro de 1918, no norte de Angola, em Quisadi Quibango e é considerado um profeta africano. Iniciado muito jovem no culto baptista, numa linha de pensamento próxima de Simão Kimbangu. Ele funda um movimento religioso inicialmente denominado “Kitawala” e que persegui-a sobretudo o poder colonial Belga no Congo, onde vivia pouco antes da independência deste.
Fundação da igreja tocoísta, ocorre em 25 de julho de 1949 e o que assinala o nascimento deste movimento, é a narrativa da descida do Espírito Santo sobre Simão Toco e seus companheiros, numa noite de oração, quando estes começaram a tremer, falar em línguas desconhecidas e citar passagem da Bíblia, notadamente Actos I e II.
Uma vez presos e deportados pelo regime belga e entregues ao governo Português, em 1950, o movimento tocoísta adquiriu uma nova dimensão. Simão Toco e seus aderentes foram espalhados por diversas partes do território angolano, no intuito português de enfraquecer o movimento. Todavia, este espalhamento (que incluiu sucessivas transferências de Simão Toco para várias regiões do país) resultou na disseminação da doutrina tocoísta, tornando o movimento trans-étnico e nacional e não apenas de carácter bakongo/angolano.
As características da doutrina tocoísta eram basicamente a da recusa do regime colonial, sem no entanto estabelecer uma ruptura a nível político com este regime, adoptando uma postura de obediência às autoridades e de dedicação ao trabalho e aos estudos, com ênfase no aprendizagem da língua portuguesa. A separação (espiritual) operada pelo grupo religioso do “mundo dos brancos” foi acompanhada do rompimento com alguns valores tradicionais, sobretudo relacionados às autoridades tradicionais.
Esta atitude indica a vontade de alheamento do grupo religioso tanto do sistema burocrático colonial (mundo dos brancos) como do sistema “costumeiro” (poder tradicional).
Neste caso, a importância dada às mulheres na hierarquia da igreja, a proibição da poligamia e a adopção de algumas regras de vestimenta (à ocidental), corte de cabelo e uso de símbolos de identificação indicam esta posição refractária ao sistema tradicional e de criação de um grupo à parte.
De acordo com alguns relatos, Simão Toco, seria portador de alguns poderes sobrenaturais, o que teria motivado o Papa João XXIII a enviar um emissário para se encontrar com ele em 1962. Outro facto referido, seria a afirmação nos anos 80 de João Paulo II, de que “Cristo é Africano e vive no norte de Angola
Simão Toco morre na noite de 31 de Dezembro a 1 de Janeiro de 1984.
É de referir a implantação do movimento tocoísta no Japão.
Para saber mais ler: "Simão Toco - A Trajectória de um Homem de Paz" editor: Editorial Nzila – Angola.

Retirado do Blog: http://isafromaveiro.blogspot.com  

PONTA ALBINA



Nzambi:
–São muitos os caminhos
para te encontrar…
sendeiro longo, muita Leba,
ondjira de subir e descer,
Kalunga de muito remar
e em Tômbwa
o Farol que vivia no farol
encontrou um caminho
de afirmação, paz e liberdade


Namibiano Ferreira

 
PARA TODOS OS VISITANTES E LEITORES DE ONDJIRA SUL, OS MEUS SINCEROS VOTOS DE FELIZ NATAL & PRÓSPERO 2010.

18 de dezembro de 2009

MÁTRIA


Tela de Vanessa Lima (Mae África)
I


Minha carne é ngoma
presa na alma vestida
na goma alienígena
e o que resta no fino sabor
colorido das missangas
são os perfumes tatuados
no odor suave desenhado
sobre os poros da pele
traço de takula, barro
e terra vermelha encharcada
na sola viva do corpo
kissanje nu, hungu a vibrar
kwanzas e dikanzas
vestindo Kassai
Cubango e Kunene
Zaire e Zambeze
rios e veias húmidas
túrgidas a clamar
o cheiro, o fragor do mar
calema onde desagua
meu corpo vermelho
filho da terra-mãe-rio
pranto vermelho-sangue
a desaguar porto no corpo
Kuroka água de nascer
do colo quente do chão.


Terra-Mãe, como te esquecer?
Impossível... (é o silvo do vento)
se o meu umbigo está enterrado Lá...
Lá, no fundo Mátria do teu ventre!


II


São rios as minhas veias.
Rios correndo ao Sol vivo
sulcando florestas e savanas
serpenteando teu corpo, Mátria.
E no desalinho da hidrografia
vão desaguando em minha alma
kalunga, oferecida idolatria,
que dou à calema
ao ventre do mar
e à luz do poema
onde metade da múcua
flutua negra no sim-que-sim
kalunga, vida-prata a bailar...


Namibiano Ferreira


Ngoma – tambor.
Takula ou tacula – tinta da mesma árvore, cor vermelha.
Kissanje, dikanza – instrumentos musicais.
Hungu – Berimbau.

14 de dezembro de 2009

QUEDAS DE KALANDULA

As Quedas de Kalandula, localizam-se na província de Malanje no rio Lucala, afluente do Kwanza. Distam cerca de 80 Km da cidade de Malanje, capital da província e 450 de Luanda. São belas e imponentes, as maiores de Angola e a segunda maior de África. As águas do Lucala, despenham-se num líquido algodão, de uma altura de 105 metros por 410 metros de largura. As Cataratas de Vitória, no rio Zambeze, (Mosi-Oa-Tunya, nome na língua local e que sigifica o fumo/bruma que troveja) têm só mais 3 metros de altura mas ganham em largura, têm quase 2 km.

Em Angola, no rio Lucala, a Kalandula, também é um fumo que troveja... na cor macia do algodão.


Quedas da Kalandula - Angola (Foto de Alex. Correia)

AFLUENTE / AFLUÊNCIA


Menino ainda
sonhei
e era rio
perdido no labirinto dos malaquites
ansioso por chegar à foz
mas como quem regressa ao berço.


Estranho Fado!


No sonho quente
eu era Lucala
serpenteando
Kianda
e lançando-me das altas
escarpas ruidosas
Menha – a Água Sagrada –
a despejar Kalandula
macio algodão
no ímpeto desejo de me encontrar
nos braços sendeiro Nação
do teu corpo força de Kwanza.


Namibiano Ferreira




Kalandula (Foto da Net)


11 de dezembro de 2009

CAMARTELO - OU ALEGORIA NO KILAMBA KIAXI* -

Mabecos

Ardo
no brilho
noite parda
fardo
sentido
leo
pardo
no átrio
noite
parto
dos olhos
da lua
cegueira
parda
luz acesa
no resto
olho noite
farta
de dia
mantes
e petra
óleos
roubados
no farto
dos dias
par
dos
leo
pardos
diz
farça
dos
mabecos
cheirando
a hienas
fartas
fétidas
mentirosas
de cá
martelo
na mão
e dólares
no coração.

Namibiano Ferreira

Hiena
 
 
* Kilamba Kiaxi - município de Luanda.

10 de dezembro de 2009

BUGANVÍLIAS EM FLOR

No dia 8 de dezembro foi um dia especial. Foi a formatura da minha filha na London Metropolitan University. Londres é sempre um lugar especial a visitar mas teve mais encanto, neste dia. Reparto com vocês esta pequena homenagem.





Para a minha filha Rafaela, no dia da sua formatura.




Rasgam o sol as buganvílias em flor
roxas lilases vermelhas num beijo...


E tu és um vento, brisa branda,
anunciando a Primavera
onírica que não havia
no saguão iluminado,
dias da minha juventude.


És uma pequena garroa
teimosa mas doce soprando
tua alma de Namibe também;
és a calema forte e audaz
na força do mar que te vem do sul
lutador e forte sobre a praia
da arte xávega que te vem d’Ovar.


No teu nome bailam as pérgolas
roxa-lilás e vida-carmim
das buganvílias a derramar
inebriantes garridas cabeleiras
pela varanda acesa ao sol
do sapalalo velho da minha infância.


Talvez não saibas... mas tu és
a buganvília mística em flor
a brotar dentro de mim num grito
algures perdido na terra quente
onde eu nasci coração-welwitschia
para, ao luar da diáspora, ser ulungo
a vijar no mistério platina deste bailado
que é a vida e ser, orgulhoso, teu pai
e tu, minha eterna buganvília rendada,
a desabrochar beleza acetinada na prata
enluarada do teu solário sorriso.




Sapalalo – casa de madeira
Arte xávega – técnica artesanal de pesca na costa portuguesa, entre Espinho e Mira. Ovar, fica pelo meio e é a terra de minha esposa.
Ulungo – canoa.


Namibiano Ferreira
08/12/2009

Buganvílias do Namibe - Av. Bonfim (foto Alex. Correia)

3 de dezembro de 2009

ÍCONE

Poema escrito em 1998 e que faz parte de um poemário intitulado “Fragmensias”, isto é fragmentos mensais. Ícone, está inserido na fragmensia vali (2), fevereiro 1998. Face a alguns acontecimentos ocorridos em Luanda, durante o ano em curso, este poema tornou-se uma espécie de previsão. Faça clique sobre a imagem, para ler a notícia.
Foto do blog morrodamaianga

Esta noite sonhei com Viriato da Cruz. Não conheci o poeta, é evidente,
Porquê sonhar com ele? No sonho, por trás de seus óculos ansiosos, entrou e
me falou dizendo: – Parece é proibido conhecer Viriato da Cruz!


Acordei e não liguei. Só agora, horas volvidas,
me interrogo e tento perceber o enigma:
 – Quem foi o poeta, homem eternamente vivo, Viriato da Cruz?
– Quem foi o nacionalista, forjador da Liberdade, Viriato da Cruz?
– Quem foi?  E quem, quem não nos deixa saber e conhecer porquê?


Namibiano Ferreira
 
 
 
Estamos em PAZ, vamos fazer todas as pazes...
 

1 de dezembro de 2009

A TRAIÇÃO DE PSIQUÊ

Eis mais uma Antologia em que participo, esta é a última deste ano. São textos do amor e erotismo. Participo com três poemas. Publico o convite para quem estiver perto de Gondomar, cidade que se localiza nos arredores do Porto.



O Lançamento da Colectânea A TRAIÇÃO DE PSIQUÊ  terá lugar no próximo
sábado, dia 5 de Dezembro, às 16 HORAS, na Biblioteca Municipal de
Gondomar (Avenida 25 de Abril, GDM).
Decorrerá no âmbito de uma Tertúlia de Amor e do Erotismo, promovida pela
Argo, em parceria com a Lugar da Palavra.
Apareça e, como diz o cantor, traga um amigo também!

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