foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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14 de fevereiro de 2009

SER





Flor do Imbondeiro


Pois tu amor bem sabes,

ignorando teu aviso, teu oráculo

tentei os versos de liras e guitarras

mas quão baixo fui e sem ardor!


É junto aos ventos do kissanje

que sei poemas e caminho meus passos

sobre ondas ao luar e às estrelas de mil mares.

É junto à fogueira do fúnji e das estórias

que faço poemas ansiando mais ao longe

os perfumes telúricos da Poesia

oculta algures na copa mística

dos imbendeiros em flor.



Namibiano Ferreira

5 de fevereiro de 2009

BAILADO

Tela de Pascoal Manuel Duango (Angola)





Nos versículos claros da manhã


escrevo os versos proféticos


dos braços verdes de Ombera:


massango


mandioca


milho


massambala.


E depois, venho pela tardinha,


com o peito cheio de versos


pendurar múcuas negras de vida


nos braços alucinados dos imbondeiros...



Namibiano Ferreira

4 de fevereiro de 2009

FRAGMENTOS DE QUATRO POEMAS PERDIDOS EM FEVEREIRO







Monumento aos Heróis do 4 de Fevereiro 



1

...nos muros corroídos das cidades novas

– toldando pesadelos antigos –

alguém escreveu:

Onde está o Sonho Prometido?



2

Viva a Utopia!

Só é pena ela um dia virar Poder...

Abaixo o Poder!

E eu nem sou anarquista...



3

Na manhã de Fevereiro

os areais da cidade

– nos lugares onde há areia –

ainda são

o campo dos proscritos

dos malditos dos deserdados...

ah! Como tenho raiva das injustiças

continuamente

iguais e permanentes.



4

As janelas que se abriram

para o quintal da Utopia

subitamente fecharam-se...

e uma rosa-de-porcelana

– pálido cetim – murcha

sobre meu corpo inerme

enquanto lá fora tem esperas

no verdadeiro raiar do âmbar de amanhã.


Namibiano Ferreira

3 de fevereiro de 2009

CREPÚSCULO





Pitanga madura suspensa no ar


âmbar cristal a brilhar


sobre o mar suave


vitral


laranja hialino a vibrar...




Namibiano Ferreira

AVE MARINHA




Gaivotas gaivinas garajaus



são as aves dos poetas.


Abrasão alada dos céus sobre o mar


trazendo a prata, o ouro e o diamante


com que os poetas se enfeitam

em noites sublimadas de prazer.



Namibiano Ferreira