foto: Jorge Coelho Ferreira

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA

POEMAS DE NAMIBIANO FERREIRA
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29 de novembro de 2008

NOVEMBRO



Acácias rubras




Novembro
minha certeza garrida
traz-me de volta
as acácias floridas
verbena rubra
merengue perfume moringue
a cantar
beijo candengue futuro
a dançar.







Namibiano Ferreira

24 de novembro de 2008

LATÊNCIA






Choram as janelas o crepitar das chuvas

e eu perco-me sozinho no latejar solidão

das temporas esquecidas do tempo.

Rodopio pensamentos na espiral

ansiada no calcanhar dos minutos

que hão-de trazer Tchuvombera

e nesta infecciosa latência, vaga e vazia

de esperanças, reganho minhas forças

titânicas-telúricas nas curvas doces do teu corpo

fortaleza, cais bonança, reserva de todas as líricas

escondidas e ainda mal adivinhadas.











Namibiano Ferreira


OPEN MINDS



Agora já não há comunistas, socialistas,
marxistas-leninistas-maoistas.


Diz-me um amigo de Luanda:
– O Capital, Marx, Engels, Lenine, Estaline & Cia, Ldª
lhe metemos todos num grande gavetão da cómoda lá de casa.
Comodamente, fechámos o dito gavetão à chave
e racionalmente deixámos a chave lá dentro.


Para acrescentar ainda:
– Agora somos democraticamente liberais,
ávidos capitalistas, democratas dos sete costados,
por direito e de facto anti-marxistas convictos.



Namibiano Ferreira

17 de novembro de 2008

TATUAGEM






Mordo os olhos

líquido sorriso

oceano onde mergulho

meu corpo

kissanje de te tocar

mar marulhar maresia

cadinho concha

de minha mão

onde repouso

os desenhos e desejos

tatuados sem se verem

no ventre iluminado

do teu luar.



Namibiano Ferreira


4 de novembro de 2008

TERRAXIMA





Uma porção



vermelha



de terra



entre os dedos



a escorrer



terra vermelha...



barro-sangue



igual a terra



nu



coração



marimba



kissanje



muxima.



Namibiano Ferreira



Marimba e kissanji - instrumentos musicais.
Muxima - coracao, em idioma kimbundu.